30.6.07

"Na Natureza Selvagem", Jon Krakauer


Até agora, é o livro que mais gostei. =D

Sobre o Livro:

O livro (em inglês, "Into the Wild") conta a história REAL de Chris McCandless. Um jovem introspectivo de família rica em Atlanta, recém-formado com notas excelentes, que um dia doa todo seu dinheiro para a caridade, muda seu nome para Alexander Supertramp e some sem dar notícias.

2 anos depois é encontrado morto no Alaska(!) com alguns livros, máquina fotográfica e algumas anotações.

A história se espalhou pelos EUA e Jon Krakauer (alpinista e jornalista) foi designado a escrever um artigo para a revista Outside.

Descobriu que antes do Alaska, Chris passou pelo deserto, rios, praias, pegou caronas, arrumou alguns empregos, se relacionou com algumas pessoas, viveu de frutas, raízes, pequenas caças por meses. Mesmo assim, alguns pedaços da sua trajetória não ficaram totalmente claros.

Ainda intrigado após o artigo, Krakauer continuou atrás de familiares, amigos de Chris, pessoas com quem ele cruzou antes de ir ao Alaska. No livro mergulha nas fotos - cartas - livros - anotações, estabelece paralelos com outros aventureiros e com a si próprio, debate sobre a polêmica "Grandeza ou Estupidez" e relata as incríveis experiências vividas por Chris.

Tem umas 200 e poucas páginas, li em um dia, não conseguia desgrudar. E no dia seguinte, eu reli.

Várias passagens eu explodia de empolgação e em muitas outras respirei fundo para que os olhos não chegassem a transbordar. De certa forma, é um dos livros que mudaram minha forma de pensar.

Filme estréia em Set/2007:

Produzido por Sean Penn, veja o trailer:



http://www.youtube.com/watch?v=ZlQrzBduQws

Melhores trechos:

"Gostaria de repetir o conselho que lhe dei antes: acho que você deveria promover uma mudança radical em seu estilo de vida e começar a fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar.

Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito do homem que um futuro seguro.

A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura. A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências [..]

Você está errado se acha que a alegria emana somente ou principalmente das relações humanas. Deus a distribuiu em toda a nossa volta. Está em tudo ou em qualquer coisa que possamos experimentar. Só temos de ter a coragem de dar as costas para nosso estilo de vida habitual e nos comprometer com um modo de vida não-convencional.

O que quero dizer é que você não precisa de mim ou de qualquer outra pessoa para pôr esse novo tipo de luz em sua vida. Ele está simplesmente esperando que você o pegue e tudo que tem a fazer é estender os braços. A única pessoa com quem você está lutando é com você mesmo [..]

Espero que na próxima vez que eu o encontrar você seja um homem novo, com uma grande quantidade de novas experiências na bagagem. Não hesite nem se permita dar desculpas. Simplesmente saia e faça. Simplesmente saia e faça. Você ficará muito, muito contente por ter feito." (carta de "Alex" McCandless para Ron Franz)

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"Você logo via que Alex era inteligente", reflete Westerberg, acabando seu terceiro drinque. "Lia muito. Usava um monte de palavras pomposas. Acho que parte do que complicou sua via talvez tenha sido que ele pensava demais. Às vezes fazia força demais para entender o mundo, saber por que certas pessoas eram más com as outras. Um par de vezes tentei lhe dizer que era um erro se aprofundar demais naquele tipo de coisa, mas Alex empacava. Tinha sempre que saber a resposta certa e absoluta antes de passar para a próxima coisa."

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"É nas experiências, nas lembranças, na grande e triunfante alegria de viver na mais ampla plenitude que o verdadeiro sentido é encontrado. Meu Deus, como é bom estar vivo!" (diário do "Alex")

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"Nenhum homem jamais seguiu sua índole a ponto de esta extraviá-lo. Embora o resultado fosse fraqueza física, ainda assim talvez ninguém pudesse dizer que as conseqüências eram lamentáveis, já que representariam a vida em conformidade com princípios mais elevados.

Se o dia e a noites são de tal forma que vós os saudais com alegria, se a vida emite uma flagrância de flores e ervas aromáticas e se torna mais elástica, mais cintilante e mais imortal - eis aí o vosso êxito.

[..] A verdadeira colheita do meu dia-a-dia é algo de tão intangível e indescritível quanto os matizes da aurora e do crepúsculo. O que tenho na mão é um pouco de poeira das estrelas e um fragmento do arco-íris." ("Walden", Henry David Thoreau)

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"Everett era estranho", admite Sleight. "Meio diferente. Mas ele e McCandless pelo menos tentaram seguir seus sonhos. Isso é que faz a grandeza deles. Eles tentaram. Pouca gente faz isso."

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"Como se em toda a sua vida tivesses sido conduzido pela mão como uma criança pequena e de repente tivesses que ficar por tua própria conta, tinhas de aprender a andar sozinho. Não havia ninguém por perto, nem família nem pessoas cujo julgamento respeitasse. Em tal momento sentias a necessidade de dedicar-te a algo absoluto - vida, verdade, beleza -, de ser regido por isso, em lugar das regras feitas pelos homens que tinham sido descartadas. Precisavas render-te a um tal objetivo último de modo mais pleno, mais sem reservas do que jamais fizera nos velhos dias familiares e tranqüilos, na velha vida que estava agora abolida e abandonada para sempre." (Boris Pasternak, Doutor Jivago)

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"Chris usava o aspecto religioso para tentar nos motivar", relembra Eric Hathaway, outro amigo da equipe. "Dizia-nos para pensar sobre a maldade do mundo, todo o ódio, e imaginar-nos correndo contra as forças da escuridão, o muro maligno que estava tentando evitar que déssemos o melhor de nós mesmos. Ele acreditava que fazer o melhor era algo puramente mental, uma simples questão de aproveitar toda a energia disponível."

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"Cresci exuberante de corpo, mas com uma mente nervosa, ansiosa. Ela queria algo mais, algo tangível. Ela buscava a realidade intensamente, sempre como se ela não estivesse aqui. [..] Mas você vê logo o que eu faço, eu escalo." (John Menlove Edwards, "Carta de um homem")

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"Tudo o que me prendia à montanha, tudo que me prendia ao mundo eram dois cravos de cromo molibdênio enfiados uma polegada na água congelada; contudo, quanto mais alto eu escalava, mais confortável me sentia.

No começo de uma escalada difícil, em especial se estamos sozinhos, sentimos constatemente o abismo puxando em nossas costas. Resistir a isso exige um tremendo esforço consciente: não se pode abaixar a guarda um instante.

O canto da sereia do vazio deixa-nos ansiosos, torna nossos movimentos tateantes, desajeitados, aos trancos e barrancos. Mas, à medida que a escalada prossegue, acostumamo-nos com a exposição, a conviver com o destino, e começamos a confiar na capacidade das nossas mãos, pés e cabeça. Aprendemos a confiar em nosso autocontrole." (Jon Krakauer, sobre sua escalada do Devil's Thumb)

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"Felicidade só real quando compartilhada" (anotação de "Alex" McCandless)

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"Tive uma vida feliz e agradeço a Deus. Adeus e que Deus abençoe a todos!" (bilhete final de "Alex" McCandless)

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"Houve alegrias grandes demais para ser descritas com palavras e houve dores sobre as quais não ousei alongar-me; e com isso em mente, digo: escale se quiser, mas lembre que coragem e força são nada sem prudência e que uma negligência momentânea pode destruir a felicidade de uma vida inteira. Não faça nada às pressas; olhe bem para cada passo; e, desde o começo, pense o que poderá ser o fim" (Edward Whymper, "Escaladas entre os Alpes")



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4 comentários:

Joyce disse...

Realmente a parte que mais me tocou foi a carta de "Alex" McCandless para Ron Franz, ainda não assisti o filme.
A parte em que o autor começa a falar de si é um tanto cansativa.
Mas concordo, um bom livro!

Anônimo disse...

Um excelente livro ...li e assisti o filme varias vezes e por incrivel que pareça logo da vontade de fazer oque todos pensam em fazer ...curtir a natureza,ser justo com o homem e com os animais ,por mais que ainda somos irracionais diante da grandeza desse mundo ,ainda somos ignorantes e temos ajudado mesmo sem querer a destruir com a beleza desse planeta chamado de "esperança da humanidade"
Cris vive em nós....

Igor Nascimento disse...

Excelente livro!

Na Natureza Selvagem é um relato emocionante sobre um cara que preferiu viver 2 anos a mil ao invés de mil anos a 2, pagando seu preço, mas também recebendo um pagamento que poucos conhecem.

Camila disse...

Olá, eu gostei muito do livro e também gostei do filme. Parece incrível ver a natureza e como o homem se relaciona com ele. As imagens do filme são uma beleza. Encorajo todos a vê-lo. beijos

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