21.12.08

Livro "Um Mundo sem Pobreza" (Creating a World Without Poverty), Muhammad Yunus

"A Empresa Social e o Futuro do Capitalismo"

Livro EXCELENTE!!! :D

1 Bilhão de pessoas vivem com cerca
de 1 dólar por dia.

3 Bilhões de pessoas vivem com cerca
de 2 dólares por dia.


A paz duradoura só será alcançada quando grandes grupos de pessoas saírem da pobreza.

Muhammad YunusIMPOSSÍVEL? Não.

Algumas doenças infecciosas já foram consideradas imbatíveis. Quisemos ir à Lua e fomos. Temos a tecnologia, temos os recursos.

Quando consideramos a história do ser humano, fica claro que sempre conseguimos o que queremos.

Devido a pressupostos errados, tratamos os homens como se visassem apenas o lucro máximo. Criamos instituições que excluem metade do mundo e destróiem o meio-ambiente.

A pobreza existe por causa desses fracassos intelectuais, não por falta de capacidade das pessoas na pobreza.

Alguns têm a oportunidade de explorar seu potencial, mas outros jamais tiveram a chance.

Ninguém nasce para sofrer a miséria da fome e da pobreza. Cada um que vive na pobreza tem o potencial para se tornar tão bem-sucedido quanto qualquer outra pessoa no mundo.

Esse talento das pessoas na pobreza acabam morrendo com elas e o mundo é privado de tudo que elas poderiam ter feito.

Eliminar a pobreza é possível porque ela não é natural nos seres humanos - ela lhes é imposta artificialmente.

Cada geração deveria deixar um mundo melhor do que aquele que encontrou.

Precisamos eliminar a pobreza, deixá-la apenas nos museus, o mais rápido possível, de uma vez por todas.

(Muhammad Yunus)


Esse é o 1º Livro que li sobre pobreza em que o autor não é um teórico delirante, pregando soluções mirabolantes e inviáveis, sem nenhum experimento real.

O Yunus colocou tudo em prática e à 30 ANOS o sucesso de suas empreitadas repercutem mais do que seus livros. Em 2006, ele e sua empresa ganharam o prêmio Nobel da Paz.

O que ele propõe é simples, lógico, eficaz (as conquistas dele comprovam) e pode ser um grande salto na luta contra os problemas sociais.

BASICAMENTE, o que ele propõe?

- Microcrédito

Segundo sua experiência, os pobres sabem se virar, eles conseguem fazer muito com pouco. Eles precisam de poucos recursos para resolverem seus problemas e melhorarem de situação.

Por isso, antes de tudo é preciso dar-lhes acesso ao microcrédito, ou seja, pequenos empréstimos a juros baixos que devem ser pagos.

A oferta deve ser concentrada nas mulheres, pois a experiência mostra que elas administram melhor os recursos e expandem o benefício para toda a família e comunidade.

- Empresas Sociais

Yunus reconhece a importância do governo, das ONGs, da reponsabilidade social nas empresas; mas afirma que falta nessas instituições: agilidade, foco, sustentabilidade e estímulo, para resolverem sozinhas tantos problemas.

Ele acredita (e eu também) na criação de EMPRESAS SOCIAIS, que não tenham como objetivo apenas o lucro - uma empresa que seja totalmente dedicada à resolução de problemas sociais e ambientais.

É uma empresa em todos os sentidos, precisa cobrir suas despesas e alcanças seus objetivos sociais. Os lucros obtidos não podem ser retirados da empresa, devem ser reinvestidos nela.

Os investidores recebem o capital que investiram, depois de algum tempo, sem juros, para investirem em outra empresa se quiserem.

Pela linha da empresa e a impossibilidade legal de retirar o lucro, não vejo como utilizá-lo em benefício próprio.

As ações da empresa podem ficar nas mãos dos pobres, distribuindo os lucros a eles na forma de dividendos.

Porque alguém empregaria seu dinheiro em uma empresa social?

Pela mesma satisfação que obtêm com a filantropia e caridade. Mas na empresa social, esse sentimento pode ser maior, pois a empresa social é autossustentável. Uma vez estabelecida, ela cresce por conta própria. E os investidores recebem seu dinheiro de volta, podendo investir o dinheiro novamente.

Particularmente os jovens se interessarão em participar das empresas sociais, pois oferece-lhes um sentido e uma oportunidade de empregar toda sua energia e criatividade.

Yunus defende também a criação de um Mercado de Ações separado, só de Empresas Sociais, o que facilitaria os investimentos nessas empresas e aumentaria a liquidez e transparência.

Muhammad Yunus
Na prática, o que ele já fez?

- Grameen Bank

Quando lecionava economia em Bangladesh, Yunus ficou revoltado com a situação das mulheres pobres de Jobra, que precisavam de recursos para produzir e eram exploradas por agiotas, que emprestavam dinheiro a juros astronômicos.

Yunus ao ver que a quantia de que elas precisavam era pequena, ao todo 27 dólares, resolveu emprestar do próprio bolso e assim livrou elas dos agiotas. E, para sua surpresa, todas lhe pagaram em dia!

Pensando em expandir o benefício para outras aldeias, foi conversar com bancos para que liberassem empréstimos a elas, mas eles disseram-lhe que não podiam, pois não havia garantias.

Ofereceu-se então como fiador para elas, e novamente, todos os empréstimos foram pagos, pontualmente!

E foi assim, fundado por Yunus e alguns alunos em 1976, nasceu o Banco Grameen, o primeiro especializado em microcrédito para pobres no mundo.

Os céticos disseram a Yunus: "Vocês estão desperdiçando dinheiro! Nunca receberão de volta o que emprestam. Mesmo que esteja funcionando agora, vai desmoronar logo".

Mas o banco Grameen não desmoronou. Ao contrário, expandiu-se e hoje concede empréstimos para mais de 7 milhões de pobres de Bangladesh, 97% mulheres, totalizando 6 bilhões de dólares emprestados. A TAXA DE INADIMPLÊNCIA É DE 1%, uma das menores do mundo.

94% das ações estão nas mãos dos próprios tomadores de empréstimos(!) que recebem os lucros do banco na forma de dividendos.

O banco Grameen sempre obteve lucro com exceção em crises em 1983, 1991 e 1992. NÃO RECEBE DOAÇÕES, sendo totalmente autônomo desde 1995.

Yunus é conhecido como o "Banqueiro dos Pobres" (Banker of the Poor) e esse foi o título do seu primeiro livro sobre microcrédito, lançado no Brasil em 2002.

- Família Grameen

A expansão do Banco Grameen permitiu a criação da Família Grameen, que une várias empresas sociais de áreas como: telecomunicações, energias renováveis, consultoria, têxtil, agricultura, pesca e pecuária, educação, saúde e nutrição.

Essas empresas fornecem oportunidades de trabalho aos pobres, resolvem seus problemas e dão-lhes os recursos que precisam e compram aquilo que eles produzem.

Desta forma, milhões de pessoas estão saindo da pobreza e contribuindo para a economia mundial.

- Grameen Danone

A Danone procurou Yunus e juntos montaram a Grameen Danone, uma empresa social que fabrica yogurtes nutritivos que melhoram a alimentação das crianças pobres de Bangladesh.

Além de empregar pessoas das aldeias e utilizar a matéria-prima deles, cada copo de yogurte é vendidos à 7 centavos de dólar cada. Se trouxer o copo, ganha mais iogurte. O próximo passo é fazer o copo com material comestível.

- Prêmio Nobel da Paz em 2006

Yunus explica porque ganhou este prêmio:

"A pobreza leva à desesperança e a conflitos entre os povos por recursos escassos. Aquele que não tem nada a perder não encontra razões para abster-se da violência.

O microcrédito é uma força de paz a longo prazo, pois tira as pessoas da pobreza e faz os povos terem relações comerciais entre si, evitando as guerras"


E Bangladesh, depois disso tudo como que tá?

Bangladesh, na déc. de 70 foi considerada um "caso perdido" por Henry Kissinger, do Conselho de Segurança dos EUA.

Atualmente é um dos únicos países a crescer economicamente sem aumentar a desigualdade social.

Apesar das constantes catástrofes naturais que assolam o país, a família Grameen juntamente com o governo, ONGs e empresas, TERÃO ERRADICADO A POBREZA DO PAÍS ATÉ 2030.

Se o "caso perdido" Bangladesh pode, quem não pode? ;)


mulheres em uma das reuniões comunitárias do banco Grameen


Reportagem do Jornal da Globo (NOV/2008):


http://www.youtube.com/watch?v=-4hWXSxwPqI


Entrevista no Rodaviva da TV Cultura (OUT/2000):


Rodaviva Yunus
E existem outras iniciativas interessantes relacionadas com microcrédito?

SIM!!! Conheça a KIVA.org! :D

Kiva.org


Melhores Trechos / Resumo - Clique para ver!

O "resumex" ai vale a pena! :)

Um novo tipo de Empresa

94% da renda mundial vai para apenas 40% da população.
6% da renda da mundial vai para os outros 60%.
1 bilhão vive com menos de 1 dólar por dia.
3 bilhões de pessoas vivem com cerca de 2 dólares por dia.

50 milhões mais ricos (1% do mundo) recebem a renda equivalente aos 3 bilhões mais pobres (57% do mundo)

É a realidade. Mesmo com a economia mundial crescendo, a desigualdade não vem diminuindo à taxa que gostaríamos de ver.

Os mercados irrestritos não se destinam a resolver problemas sociais. Ao contrário, esses mercados podem exacerbar a pobreza, as doenças, a poluição, a corrupção, o crime e a desigualdade.

Para termos uma globalização com ganhos mútuos, precisamos de leis justas e mecanismos de controle.

A regra "os mais fortes levam tudo" deve ser substituída por outras que assegurem um lugar aos pobres. E os mercados locais precisam de controles justos para proteger o interesse dos pobres.

Senão, os ricos podem facilmente distorcer as condições em benefício próprio - corporações explorando mão-de-obra barata (inclusive infantil), poluindo o ambiente para economizar dinheiro ou promovendo campanhas de marketing enganosas de produtos prejudiciais ou desnecessários.

As empresas concentram-se em vender artigos de luxo para pessoas que não precisam deles, pois é assim que obtém maiores lucros. Os pobres estão descartados da economia mundial.

Os países ricos têm se beneficiado da enorme energia criativa, da eficiência e do dinamismo produzidos pelos mercados livres. Dediquei minha vida à levar esses benefícios às pessoas mais negligenciadas do mundo.

O governo é a resposta?

Da mesma forma que as empresas se dedicam ao lucro individual, espera-se que o governo represente os interesses da sociedade.

Há certas funções sociais que não podem ser organizadas por indivíduos ou empresas: defesa nacional, um banco central para regular o suprimento de dinheiro e as atividades bancárias, um sistema de ensino público, um sistema de saúde para minimizar os efeitos de epidemias e regras para o comércio.

No entanto, ainda não surgiu, de maneira completa, um regime regulatório econômico de nível internacional.

As leis não são perfeitas e nem sempre são bem aplicadas e fiscalizadas.

Atualmente, não se pode exigir que as empresas resolvam esses problemas; elas precisam de algum incentivo para fazerem isso.

Apesar dos governos serem grandes e poderosos, terem acesso a todas as camadas da sociedade e conseguirem mobilizar vastos recursos por meio de impostos; a persistência dos problemas deixa claro que os governos, sozinhos, não têm a resposta.

Por que não? Os governos podem ser lentos, ineficientes, propensos à corrupção, burocráticos. São efeitos colaterais das vantagens que os governos têm: tamanho, poder e alcance; o que os torna difíceis de controlar e atraentes àqueles que buscam interesses próprios.

Por exemplo: veja o ilógico, precário e ineficiente sistema de saúde dos EUA que deixa milhares de pessoas sem assistência médica. Reformar esse sistema tem se mostrado uma tarefa impossível devido ao poder das empresas de seguro-saúde e farmacêuticas.

O governo tem de fazer a sua parte, mas, sozinho, não é capaz de resolver os problemas.

A contribuição das organizações sem fins lucrativos

A agravação da pobreza, as doenças endêmicas e a poluição, são evidências de que a caridade, por si só, não pode fazer todo o trabalho. A caridade depende de um fluxo de doações que quando acaba, o trabalho cessa.

E em tempos difíceis, quando as necessidades dos desafortunados são maiores, as doações diminuem.

A necessidade de buscar fundos doadores esgota o tempo e a energia dos líderes dessas organizações, que deveriam ser empregados no planejamento da expansão de seus programas.

Apesar do bom trabalho feito pelas organizações sem fins lucrativos, ONGs e fundações, não se pode esperar que resolvam todos os problemas do mundo.

Instituições Multilaterais

São instituições financiadas pelos governos para eliminar a pobreza promovendo o desenvolvimento econômico.

Assim como os governos, essas instituições são burocráticas, conservadoras, lentas e, em geral, trabalham em causa própria.

Tal como as organizações sem fins lucrativos, as instituições multilaterais carecem de recursos, são difíceis de confiar e muitas vezes são inconsistentes em suas políticas.

Nós do Banco Grameen incentivamos os tomadores de empréstimos a decidirem como usarão esse dinheiro. Se algum deles perguntar a um funcionário do banco "Por favor, me dê uma idéia de negócio", ele é treinado a responder "Sinto muito, o Grameen tem dinheiro mas não nenhuma idéia de negócio. É por isso que ele veio até você. Você tem a idéia, nós temos o dinheiro"

Se alegar que não têm experiência e não quiser pegar o dinheiro, nós trabalhamos para convencê-lo de que pode criar uma negócio próprio. Será sua primeira experiência nos negócios? Não tem problema, tudo precisa ter um começo.

No Banco Mundial a abordagem é bem diferente. Se você tiver a sorte de conseguir um financiamento, seu trabalho será ler as instruções e seguir as regras cegamente.

Apesar disso, nem sempre os projetos funcionam como o planejado. E quando isso ocorre, o beneficiário que leva a culpa e sofre as conseqüências.

Se um funcionário do Grameen consegue que seus clientes paguem 100% dos empréstimos, que os filhos deles frequentem a escola ou se saem da pobreza, o funcionário ganha estrelas para exibir no peito e orgulhar-se dessas realizações.

Responsabilidade Social nas Empresas

A sociedade pressionou as corporações para que modificassem suas políticas relativas a trabalho, meio-ambiente, qualidade do produto, precificação e comércio justo.

Felizmente, muitas empresas responderam de maneira positiva.

Muitos executivos exploram trabalhadores, poluem o ambiente, adulteram produtos e cometem fraudes - tudo em nome do lucro.

Para muitas empresas a Responsabilidade Social é mera fachada. Em alguns casos, a mesma empresa que gasta 1% da verba com Responsabilidade Social, gasta 99% com projetos que agravam os problemas sociais.

E o que acontece quando as empresas com responsabilidade social não dão lucros? A experiência mostra que a prioridade vai para os lucros.

O problema é a natureza do negócio. As empresas precisam buscar a maximização do lucro, elas não estão equipadas para lidar com os problemas sociais.

O Capitalismo é uma estrutura semi-desenvolvida

O capitalismo adota um visão estreita da natureza humano, presumindo que somos seres unidimensionais, todos visando o lucro máximo.

E uma vez que somos persuadidos por essa teoria, tentamos nos tornar seres unidimensionais mesmo, isolando o restante da vida: aspectos religiosos, emocionais, políticos e sociais.

A Empresa Social: o que é e o que não é

Precisamos reconhecer as aspirações multifacetadas dos seres humanos. Para isso precisamos de um novo tipo de empresa, que não tenha como objetivo apenas o lucro - uma empresa que seja totalmente dedicada à resolução de problemas sociais e ambientais.

Tal como as outras empresas ela emprega funcionários, cria bens e serviços e pode ter algum lucro, mas esses lucros são reinvestidos. Os investidores que bancam a empresa não retiram lucros, exceto a quantia equivalente ao capital que aplicaram depois de algum tempo.

A empresa social não é uma instituição de caridade, é uma empresa em todos os sentidos, precisa cobrir suas despesas e alcanças seus objetivos sociais.

A rentabilidade é importante para uma empresa social, para reembolsar seus investidores e para alcançar metas sociais de longo prazo.

Porque investidores empregariam seu dinheiro em uma empresa social?

Pela mesma satisfação que obtêm com a filantropia. Mas na empresa social, esse sentimento pode ser maior, pois a empresa social é autossustentável. Uma vez estabelecida, ela cresce por conta própria. E os investidores recebem seu dinheiro de volta, podendo investir o dinheiro novamente.

Ampliando o panorama da empresa

As empresas sociais competirão com as empresas comuns e tentarão superá-las.

Os consumidores continuarão considerando preço, qualidade, conveniência, marca; mas para alguns, os benefícios criados pelas empresas sociais sejam mais uma razão para comprarem delas.

A concorrência entre as empresas sociais será baseada no orgulho, sobre qual equipe tem mais capacidade de alcançar um objetivo social. Os concorrentes permancerão amigos, aprenderão uns com os outros e poderão a qualquer hora efetuar uma fusão para se fortalecerem.

Para atrair os investidores, sugiro um mercado de ações separado, apenas com empresas sociais.

Dois tipos de empresa social

O outro tipo de empresa social seria uma empresa que visa a maximização dos lucros, mas suas ações pertencem aos pobres, assim os dividendos e crescimento do capital servirão para beneficiar os pobres.

O Banco Grameen oferece empréstimos baixos, de forma que os pobres iniciem negócios autonômos e saiam da pobreza. Até aí seria uma empresa normal com foco nos pobres, mas 94% das ações ficam com os tomadores de empréstimos.

Pode também haver empresas que combinem as 2 formas de empresa social.

A diferença entre Empresa Social e Empreendedorismo Social

Empreendedorismo social é qualquer iniciativa inovadora para ajudar as pessoas, nos aspecto econômico ou não, que gera lucros ou não. Portanto, a Empresa Social é um subconjunto do Empreendedorismo Social.

Que tal um modelo híbrido?

Isso pode ocorrer com percentuais variados, como 40% voltada para benefícios sociais e 60% para benefícios próprios. Entretanto, é muito difícil administrar uma empresa com metas tão contraditórias.

Os executivos dessas empresas acabarão forçados a priorizar a maximização dos lucros.

O lucro é medido em termos financeiros exatos. Contudo, medir o alcance de objetivos sociais apresenta algumas complicações conceituais.

Se você deseja melhorar a nutrição das crianças pobres.. como definir o que é ser "pobre"? Como avaliar a situação nutricional antes e depois?

Tentativas anteriores de combinar metas sociais com empresas sociais

Uma tentativa de trazer ideias humanitários para o mundo dos negócios são as cooperativas, no qual funcionários e clientes unem forças para a compra e administração de empresas em prol de todos.

O galês Robert Owen (1771-1858), proprietário de moinhos na Escócia e Inglaterra, ficou horrorizado com a exploração dos trabalhadores dos moinhos.

Os trabalhadores recebiam certificados monetários ao invés de salários, que só podiam ser usados nos armazéns dos próprios moinhos. Por sua vez, os preços cobrados eram inflacionados e os produtos eram de péssima qualidade.

Owen lançou medidas práticas para lidar com esse problema. Em seus moinhos, ele abriu lojas onde produtos de ótima qualidade eram vendidos pouco acima ao preço de custo, e as economias obtidas com as compras em atacado eram repassadas aos trabalhadores. Essa foi a origem do movimento cooperativo.

Contudo, em mãos egoístas,as cooperativas podem se tornar instrumentos de ganhos individuais ou grupais, ao invés de ajudar a sociedade.

Organizações sem fins lucrativos que vendem produtos e serviços benéficos não considero como empresas sociais, pois geralmente conseguem apenas uma recuperação parcial dos seus custos e não possui um proprietários-investidores.

De onde virão as Empresas Sociais

Todas as pessoas prefeririam morar em um mundo sem pobreza, doenças, ignorância ou sofrimentos desnecessários.

São essas as causas para as pessoas criarem ONGs, fundações, organizações sem fins lucrativos, doarem enormes quantias e a dedicar voluntariamente inúmeras horas de serviço à comunidade ou até dedicar-se em empregos mal-remunerados no setor social.

Esses impulsos levarão a criação de inúmeras empresas sociais.

A Revolução do Microcrédito

Passei muito tempo convivendo com os pobres de Jobra tentando entender o que os refreava. Não era falta de empenho, em todos os lugares via pessoas trabalhando duro: cultivando alimentos, fazendo cestas e outros artesanatos para vender, ou oferecendo-se para qualquer tipo de trabalho.

De alguma forma, para a maioria deles, todos esses esforços não foram suficientes para tirá-los da pobreza.

O banco Grameen surgiu de um acontecimento na vida de Yunus, quando revoltado com as ações de agiotas que emprestavam dinheiro a juros astronômicos às mulheres pobres, resolveu emprestar do seu bolso para 42 mulheres.

A quantia que elas precisavam era pequena, ao todo dava 27 dólares. Esse empréstimo foi suficiente para livrá-las dos agiotas, e para sua surpresa, todas lhe pagaram.

Foi então que resolveu conversar com bancos para que emprestassem dinheiro aos pobres. Não houve acordo. Ofereceu-se então como fiador dos empréstimos. Os pobres sempre pagavam os empréstimos, pontualmente!

E foi assim que surgiu o Banco Grameen.

Uma mudança de pensamento

"Os pobres são merecedores de crédito?" As instituições financeiras sempre acharam que não. Como resultado, vemos os pobres excluídos do sistema financeiro.

Quando inverti a pergunta: "Os bancos são merecedores das pessoas?" e percebi que não, compreendi que era hora de criar um novo tipo de banco.

É ultrajante que as pessoas de baixa renda, que lutam para conseguirem se sustentar com o que ganham, sejam as que têm que pagar mais pelos serviços financeiros básicos, isso, quando têm acesso a eles.

Pode ser tentador culpar os pobres pelos problemas que enfrentam. Contudo, quando olhamos as instituições que criamos e vemos como excluem os pobres, constatamos que elas e o pensamento retrógrado que representam, levam uma grande parcela de culpa.

Todos nos diziam sobre o banco Grameen: "Vocês estão desperdiçando dinheiro! Nunca receberão de volta o que emprestam. Mesmo que esteja funcionando agora, vai desmoronar logo".

Mas o banco Grameen não desmoronou. Ao contrário, expandiu-se e hoje concede empréstimos para mais de 7 milhões de pobres de Bangladesh, 97% mulheres, totalizando 6 bilhões de dólares. A taxa de liquidação de empréstimos é de 98,6%.

O banco Grameen sempre obteve lucro com exceção em crises em 1983, 1991 e 1992. É totalmente autônomo e não recebe doações desde 1995.

Mais pontos cegos na economia

A maioria dos economistas afirma que a solução para a pobreza está na criação de emprego para todos.

No entanto, apesar dos pobres não terem empregos formais, estão trabalhando duro, produzindo e tentando sair da pobreza.

O que falta a eles são as ferramentas econômicas para tornar seu trabalho mais produtivo possível.

Outro engano está na crença de que o "Empreendedorismo" é uma qualidade rara. Nada disso.

Ao observar as pessoas mais pobres do mundo, percebi que a capacidade empresarial é praticamente universal, todos tem talento para identificar as oportunidades ao seu redor.

E quando as pessoas recebem as ferramentas que precisam para transformar as oportunidades em realidade, elas ficam ávidas por fazê-lo.

Para mim, os pobres são como bonsais. Quando você coloca uma boa semente de uma árvore grande, em um vaso pequeno, obtém-se uma réplica fiel da árvore mais alta, embora os bonsais tenham apenas alguns centímetros de altura.

Os pobres são pessoas-bonsais. Não há nada errado com as sementes. O problema é que a sociedade nunca lhes deu uma boa base para crescer.

Tudo que precisamos fazer para tirá-los da miséria é criar um ambiente favorável ao seu crescimento. Quando puderem soltar sua energia e criatividade, a pobreza desaparecerá.

Ao observar o comportamento dos nossos clientes, logo descobrimos que os empréstimos às mulheres trazem mais benefícios para a família do que os empréstimos aos homens.

Assim, os empréstimos a elas criam um efeito em cascata, que gera benefícios sociais e econômicos para toda a comunidade.

No banco Grameen primeiro descobrimos a mãe. Depois descobrimos a criança - não por obrigações morais, mas por razões puramente econômicas.

Se for para eliminar a pobreza, devemos nos concentrar na próxima geração, para que se livre de todos os estigmas da pobreza e instalar nela um senso de dignidade humana e de esperança no futuro.

A primeira e mais importante tarefa do desenvolvimento é ligar a máquina da criatividade dentro de cada pessoa.

Um programa que simplesmente satisfaça as necessidades fisiológicas dos pobres, ou mesmo que lhe forneça trabalho, não é um verdadeiro programa de desenvolvimento se não liberar a energia criativa dessa pessoa.

É por isso que o banco Grameen não oferece esmolas ou doações aos pobres, mas sim crédito - empréstimos que eles têm que liquidar, com juros, por meio do próprio trabalho produtivo.

O microcrédito liga os motores econômicos desta parcela de pessoas rejeitadas pela sociedade. E quando esses motores entrarem em funcionamento, teremos um cenário pronto para grandes realizações.

Ninguém adquire sozinho os empréstimos do banco Grameen. Todos pertencem a um grupo de 5 pessoas, sem relações estreitas um com o outro. Quando um deles decide pedir um empréstimo, ele precisa da aprovação dos outros 4.

O grupo funciona como uma pequena rede social que oferece apoio e ajuda aos membros, orientando-os quanto a dívida e ao mundo dos negócios.

Cerca de 10 ou 12 grupos se reúnem semanalmente em um centro comunitário, onde os pagamentos são coletados e conduzidas várias atividades inspiradoras e instrutivas: palestras empresariais, idéias, assuntos ligados à saúde.

A pressão social positiva criada pelo grupo e pelo centro colabora muito para que os tomadores de empréstimos permaneçam fiéis a seus compromissos.

Quando questionados sobre o por quê, os tomadores de empréstimos respondem: "Eu me sentiria muito mal em decepcionar os outros membros do meu grupo".

O banco Grameen oferece também planos de previdência, programas de poupança e premia os filhos dos tomadores de empréstimos com mais de 30 mil bolsas de estudo.

Muitas das crianças chegaram ao curso superior e algumas se tornaram médicos, engenheiros, PhDs e outros profissionais.

Em 2006, o Banco Grameen obteve um lucro de 20 milhões de dólares e distribuiu esses dividendos aos tomadores de empréstimos.

De microcrédito à empresa social

A expansão do Banco Grameen permitiu a criação da Família Grameen, que une várias empresas sociais de áreas como: telecomunicações, energias renováveis, consultoria, têxtil, agricultura, pesca e pecuária, educação, saúde e nutrição.

Descobrimos que um dos grandes motivos dos pobres não conseguirem superar sua condição econômica eram as doenças crônicas, que consomem grande parte de suas rendas.

Muitos adultos analfabetos esquivam-se de aprender a ler e escrever. Eles acham constrangedor, e até humilhante, o esforço que precisam fazer e o auxílio que precisam receber.

Mas em muitos casos, o processo de escrever o próprio nome traz consigo a capacidade de interagir com o mundo de uma maneira que a pessoa nunca imaginou.

Também cria um forte vínculo com o tomador de empréstimo e o funcionário da equipe que o ensinou.

Além disso, cria um enorme sentimento de orgulho no tomador de empréstimo, pois venceu um obstáculo que considerava insuperável, e sua presença e impacto no mundo são multiplicados de maneira notável.

Isso transmite a pessoa uma emoção que perdurará por toda vida, um mundo novo se abre, e ela estará pronta para dar grandes salto rumo à autossuficiência.

A Batalha contra a Pobreza: Bangladesh e o Mundo

Desde sua criação, Bangladesh é considerado um dos países mais pobres do mundo. Na década de 1970, Henry Kissinger, do Conselho de Segurança dos EUA, disse que Bangladesh era um "caso perdido".

Temos batalhado continuamente contra as condições mais difíceis: superpopulação extrema, enchentes devastadoras, esgotamento do solo; exacerbadas por calamidades naturais imprevisíveis como ciclones, tornados e tsunamis.

Recentemente mais uma preocupação foi adicionada à lista: o risco de inundação de quase todos o país devido à elevação do nível do mar, decorrente do aquecimento global. Não é de estranhar que Bangladesh seja lembrado como o país dos desastres.

Mas o maior problema nosso não são os desastres, mas a pobreza predominante. Nos países ricos, as pessoas tem recursos para se protegerem de desastres com a construção de diques, reservas e sistemas de proteção.

A pobreza talvez seja a ameaça mais séria à paz mundial. Ela leva à desesperança, fazendo as pessoas cometerem atos impensados.

Aqueles que não tem nada a perder, que não tem boas razões para se abster da violência, qualquer coisa parece melhor do que não fazer nada e aceitar o destino passivamente.

A pobreza também cria refugiados econômicos e conflitos entre os povos por recursos escassos, como água, terras, fontes de energia e outras mercadorias.

Por tirar as pessoas da pobreza, o microcrédito é uma força de paz a longo prazo.

Apesar disso e das grandes enchentes de 1998 e 2004, Bangladesh vem conseguindo importantes vitórias:
  • A taxa de pobreza de Bangladesh caiu de 74% em 1973 para 40% em 2005.

  • Diferente de outros países, o rápido crescimento de Bangladesh não veio acompanhado de um grande aumento na desigualdade social. A renda per capita dos mais pobres cresceu à taxa de 10% ao ano, igual aos mais ricos.

  • A agricultura não mais representa a maior parte da economia. 50% do PIB provém do setor de serviços.

  • O crescimento populacional e a taxa de mortalidade infantil caiu pela metade desde a década de 70.

  • A expectativa de vida aumentou de 56 anos em 1990 para 65 anos em 2006.

  • O percentual de alunos que completam o ensino médio subiu de 49% em 1990 para 74% em 2004.

Programas Eficazes contra a Pobreza

Precisamos reconhecer a capacidade dos pobres de fazer contribuições produtivas que beneficiem toda a sociedade e assim criar programas que os apóiem a usar seu talento criativo.

Os programas eficazes antipobreza devem basear-se em uma definição clara de pobreza, impedindo os não-pobres de drenarem recursos e também priorizar os mais prejudicados pela miseráveis.

Além disso, os planos antipobreza mais eficazes são aqueles projetados para atender uma necessidade específica dos pobres, e não para servir projetos genéricos da sociedade ou estimular a economia.

A experiência também nos ensinou que é importante incluir especificamente as mulheres entre os beneficiários-alvo.

Por fim, é essencial que haja um compromisso de longo prazo por parte dos patrocinadores do programa. Leva-se tempo para que a autossuficiência de uma comunidade seja desenvolvida.

O crédito vem primeiro

Por onde esses programas devem começar? Com a educação? Infraestrutura? Assistência médica? Comunicação? Moradia?

É difícil definir a prioridade, tudo é importante. Se possível, o melhor seria tratar tudo simultaneamente.

Eu acredito que os seres humanos tem uma capacidade inata pouco reconhecida: a de sobrevivência. O fato dos pobres estarem vivos já é uma prova de que possuem habilidades.

Eles não precisam que lhes ensinemos novas habilidades, mas sim a utilizar suas próprias habilidades ao máximo.

Conceder crédito aos pobres permite que eles coloquem imediatamente em prática as habilidades que possuem e o dinheiro que ganham pode revelar outros talentos.

Às vezes os pobres não reconhecem as habilidades que possuem. As mulheres de algumas aldeias de Bangladesh, depois de anos de opressão, tinham tanto medo e insegurança que nem reconheciam seus próprios talentos.

Depois de oferecermos estímulo e mostrarmos alguns exemplos de sucesso, conseguimos aos poucos acabar com esse medo.

O governo e ONGs partem da suposição oposta: de que os pobres estão nessa situação por não possuírem habilidades. Assim, começam com elaborados programas de treinamento.

Contudo, se você passar bastante tempo vivendo entre os pobres, logo descobrirá que a pobreza surge do fato deles não terem condições de reter os resultados genuínos do seu trabalho.

Eles trabalham em benefício de outras pessoas que controlam o capital e o trabalho produtivo dos pobres: agiotas, proprietários de terras, fábricas.

E porque isso acontece? Os pobres não herdam nenhum capital e o sistema convencional não lhes dá acesso ao capital ou ao crédito.

E os programas de treinamento? Não há nada de ruim, mas só podem ser disponilizados para um número bem limitado de pessoas.

Fornecer crédito aos pobres e permitir que saboreiem os frutos de seu trabalho, cria uma situação em que as pessoas passam a buscar pelo treinamento e até se dispõe a pagar por ele (uma quantia pequena).

A caridade nem sempre é a resposta

A caridade é muito importante principalmente em situações de desastre e quando auxilia indivíduos incapacitados que não podem ajudar a si próprios. Porém, tendemos a depender excessivamente dela.

Em geral, sou contra donativos. Eles tiram a iniciativa e a responsabilidade dos indivíduos. Se as pessoas acham que pode conseguir algo de graça, elas se concentram nisso ao invés gastar sua energia e habilidade para conseguí-las por conta própria.

Mesmo em situações de desastre, o Banco Grameen incentiva os tomadores de empréstimos a criarem seu próprio "fundo de desastre".

Os donativos também estimulam a corrupção, beneficiando mais os encarregados em distribuir as doações do que aos pobres.

Para aumentar a capacidade dos pobres de expandir e melhorar suas comunidades, sugiram que sejam criadas instituições democráticas que favoreçam a autonomia local. Quanto menor a área sobre qual o governo tem jurisdição, maiores são as chances dos pobres serem ouvidos.

Eles precisam ter a chance de participar dos processos decisórios que afetam suas vidas. Quando os pobres têm poder de controlar seu destino, conseguem alcançar muito mais.

Rumo à prosperidade e à paz regionais

Os países do sul da Ásia somente poderão alcançar uma rápida transformação econômica e social quando estabelecerem vínculos fortes e permanentes.

Não há nenhuma razão para que não atinjam o mesmo milagre econômico que os países da União Européia desfrutam.

O sul da Ásia é a região menos integrada do mundo e ponto de convergência da pobreza mundial, com cerca de 40% dos pobres do mundo.

O comércio interregional representa menos de 2% do PIB, comparado com mais de 20% da Ásia Oriental.

Será que o conflito da Caxemira pode ser resolvido? Claro que sim.

Todos os conflitos humanos podem ser resolvidos pois se originam da mente humana, o verdadeiro campo de batalha, onde devemos concentrar nossos esforços.

Atualmente, os países não dominam uns aos outros pelo poder militar, mas pelo poder econômico. Se Bangladesh permancer pobre, todo o mundo, não apenas a Índia, o dominará.

Estou convencido de que até 2030, Bangladesh terá saído completamente da pobreza. Quando atingirmos essa meta, isso terá importância mundial.

Porque se Bangladesh, descrita como "caso perdido", pode sair da pobreza, não há razão para duvidar que outros países possam conseguir o mesmo.

Mais do que uma fantasia

Atualmente, existem milhões de jovens para os quais os esportes, as músicas e a produção de conteúdo para a internet, são atividades extremamente envolventes.

Eles passam horas a fio dedicando-se a essas atividades, aprimorando suas habilidades e discutindo-as, e ficariam felizes em dedicar a vida a elas se ganhassem dinheiro suficiente para isso.

Eles adoram essas atividades que alguns consideram tolices, porque para eles representam desafios, além de exigirem criatividade e espírito de competição.

Estou convencido de que a maioria das pessoas, em especial os jovens, ficará imensamente empolgada com a empresa social e seu potencial de transformar o mundo.

Tecnologia da Informação, globalização e transformação do mundo

A TI pode ser um grande elemento nivelador. Por sua capacidade de reduzir as distâncias e o tempo, poderá ser usada para eliminar muitas das barreiras que impedem as pessoa dos países em desenvolvimento de competir com certa igualdade com os países desenvolvidos e participarem da economia mundial.

A TI pode ajudar os pobres a se integrarem no processo de globalização, expandindo seus mercados por meio do comércio eletrônico, eliminando os intermediários que se aproveitam da situação e desviam parte dos lucros.

A nova TI poderá proporcionar fácil acesso à educação e conhecimento técnico aos pobres de todo o mundo.

A melhor característica da nova TI é que ela não pode ser controlada por um único proprietário ou autoridade.

A nova TI ainda está na infância. Não podemos nem imaginar aonde ela nos levará na próxima geração ou na seguinte.

Nem devemos pensar assim. É melhor pensar: "aonde queremos que a TI nos leve". É nossa função imaginar onde queremos chegar para orientar programadores, designers e distribuidores de TI.

As fronteiras e distâncias não significarão praticamente nada; o conhecimento, o talento e a capacidade serão tudo.

A nova TI oferece mudanças mágicas e radicais para todos os nossos campos de interesse: saúde, alimentação, educação, marketing, finanças, terceirização, meio-ambiente. O alcance dela só é limitado pela nossa imaginação.

Os entusiastas de TI, que têm lugar garantido no mundo dos negócios, da tecnologia, da ciência, das artes, do meio acadêmico; devem tomar a dianteira na utilização da TI para objetivos sociais.

Em todo o mundo existem milhares de pessoas brilhantes e idealistas dispostas a dedicar seu tempo e energia para encontrar novas maneiras de usar a TI e ajudar os pobres a sair da miséria.

A revolução da TI e a democracia

Infelizmente, o processo político em muitos países tem sido frustrante, para dizer o mínimo.

Subornos, manipulações da mídia, difamações e até fraudes tornaram-se práticas comuns. Em alguns países, forças armadas ou milícias particulares se apossaram do governo.

O "poder do povo" parece ter desaparecido da política, substituído pelo poder do dinheiro ou da força.

Por causa de problemas desse tipo, as pessoas perdem a fé no processo político. Os jovens principalmente, estão se tornando apolíticos, rejeitando um sistema que consideram irremediavelmente corrompido. Líderes visionários estão cada vez mais escassos.

A democracia é a melhor estrutura política para desenvolver a energia criativa das pessoas. A TI é um instrumento capaz de fortalecer essa democracia.

Informação é poder, por isso governos que buscam "governar", ao invés de "servir" as pessoas, se preocupam tanto em controlar as informações.

Graças a Internet, uma pessoa sozinha pode falar com o mundo todo sem o controle de nenhum intermediário. É um amplificador das opiniões de grupos minoritários, pobres ou isolados.

A Internet também reduz gastos com dinheiro, tempo e energia para se comunicar com um número grande de pessoas.

A desigualdade econômica e a luta por recursos mundiais

O crescimento também gera problemas. Os recursos não-renováveis estão se esgotando rapidamente, enquanto a demanda por eles continua a crescer.

Petróleo, gás natural, carvão mineral, metais e minerais industriais, madeira, peixes, água potável e muitos outros recursos essenciais estão cada vez mais escassos.

Assim, na modalidade de capitalismo que a maioria segue há uma nociva relação entre o meio-ambiente e o crescimento econômico.

Quanto mais desenvolvida a economia mundial, maior a ameaça ao planeta Terra e a longo prazo nossa própria sobrevivência.

Os EUA com 4,5% da população mundial represente 25% das emissões de gases do efeito estufa.

A disseminação da riqueza e o dilema do crescimento

A prioridade é reduzir a desigualdade e incluir bilhões de pessoas que atualmente levam uma vida miserável.

A solução evidente para a desigualdade econômica - a aceleração do crescimento econômico dos países em desenvolvimento - está acompanhada de prejuízos catastróficos ao planeta. Podemos chamar essa situação problemática de "Dilema do Crescimento".

E com relação ao nível de consumo?

Eu acredito na liberdade individual. Cada pessoa deste planeta conta com possibilidades ilimitadas.

Uma sociedade ideal deveria criar um ambiente favorável para as pessoas liberarem sua criatividade e para isso, permitir a liberdade individual é essencial.

No entanto, pelas circunstâncias atuais, acredito que esteja na hora de limitar a liberdade de todos os países no que se refere ao consumo e desperdício de recursos naturais.

Principalmente os países ricos, estão exaurindo os bens que deveriam ser patrimônio de toda humanidade.

Enquanto isso, os especialistas de marketing incentivam as pessoas a comprarem mais do que precisam.

Abrindo espaços para novas vozes

O mercado é dominado pelas vozes do capitalismo atual, representando as grandes corporações, incitando os consumidores através do marketing a comprar mais serviços e mercadorias o mais rápido possível.

As mensagens de fundo são: "Compre Mais! Compre Mais! E Compre Já! Compre Já!" e depois nos perguntamos porque os jovens são tão alienados.

Precisamos de vozes paralelas no mercado, que ofereça as pessoas um conjunto diferente de mensagens, como: "Pense se você realmente precisa disto!", "Isto é reciclável?", "Você está exaurindo recursos não-renováveis?"

Resolvendo o dilema do crescimento

A tecnologia floresce na direção que nossas mentes determinam. Quando nos empenharmos verdadeiramente para produzir um estilo de vida sustentável em todo o planeta, as tecnologias de que precisamos começarão a aparecer.

Infelizmente, os nossos esforços atuais seguem a direção oposta. A maior parte da criatividade do mundo está preocupada em disseminar nos países pobres o estilo de vida insustentável dos países desenvolvidos.

A dinâmica da concorrência capitalista entre as empresas é tal que as organizações que não prejudicam o meio-ambiente e a sociedade podem ficar em desvantagem no mercado.

Precisamos de um acordo internacional, entre todos os países, com diretrizes que protejam o meio-ambiente e a sociedade da competição desenfreada nos negócios.

Cada geração deve deixar o mundo mais saudável do que encontrou.

Colocando a pobreza nos museus

Será que somos capazes? Por que não? Temos a tecnologia. Temos os recursos. Falta-nos apenas a vontade, envolvendo as instituições e aplicando as políticas necessárias.

Um mundo melhor começa com imaginação

Apresento uma lista de sonhos que gostaria que se realizassem até 2050:
  • Não haverá mais pobres no mundo

  • Não haverá mais passaportes nem vistos de entrada

  • Não haverá mais guerras, exércitos ou armas

  • Não haverá mais doenças incuráveis, mortalidade infantil ou materna

  • Haverá um sistema educacional mundial acessível a todas as pessoas

  • Haverá uma única moeda mundial

  • O sistema econômico mundial encorajará as empresas a compartilharem sua prosperidade

  • Haverá um sistema de informação, que tornará contas bancárias e transações ilegais transparentes, facilitando a monitoração e investigação de ações criminosas

  • Todas as pessoas terão um estilo de vida sustentável com o meio-ambiente

  • Seremos capazes de prever com mais exatidão a intensidade das catástrofes naturais, antecipadamente

  • Não existirá discriminação entre as pessoas de nenhum tipo

  • Todas as culturas florescerão em toda plenitude de beleza e criatividade, contribuindo para a magnífica e unificada sociedade humana
Esse processo de imaginar o mundo como queremos é algo importante que falta no nosso sistema educacional.

Cada aluno deceria elaborar uma lista de desejos sobre o mundo e deveria explicar o motivo de cada item. Outros alunos poderiam, concordar, questionar e sugerir alternativas. Então, os alunos poderiam pensar como realizar cada item, os obstáculos existentes, possíveis parcerias e pôr em prática.

O curso seria divertido, e mais importante, seria uma preparação para uma grande jornada.

Passos concretos rumo ao mundo dos sonhos

Pode-se constituir um grupo de ação social, com no mínimo 3 pessoas, para tratar de algum problema local.

Depois de montar o grupo, é preciso definir um plano de ação anual. O ideal é que seja o mais simples possível. Pode-se por exemplo ajudar uma pessoa desempregada a encontrar uma atividade remunerada, o grupo escolhe.

O fim da pobreza

Impossível? De maneira nenhuma.

Houve uma época que determinadas doenças infecciosas eram consideradas imbatíveis e hoje estão praticamente extintas, cuja única maneira de estudá-las é com amostras em laboratório com acesso controlado.

Um dia quisemos ir à Lua, e então fomos. Quando considerarmos a história do ser humano, fica claro que sempre conseguimos o que queremos.

Atualmente aceitamos a idéia de que sempre existirão pobres, de que isso faz parte da vida humana. O fato de aceitarmos esta condição é exatamente o motivo das pessoas continuarem pobres.

Se acreditarmos que a pobreza é inaceitável e não deve haver lugar para ela na sociedade, então criaremos as instituições e aplicaremos as políticas apropriadas para um mundo sem pobreza.

A pobreza existe porque construímos nossa estrutura com pressupostos que subestimam a capacidade humana e do mundo. Desenvolvemos conceitos limitados demais:
  • De Empresa
    que faz do lucro a única motivação humana

  • De Crédito
    que elimina os pobres

  • De Empreendedorismo
    que ignora a criatividade da maioria das pessoas

  • De Emprego
    que relega as pessoas a receptores passivos ao invés de criadores ativos
Criamos instituições imperfeitas, que excluem metade das pessoas do mundo.

A pobreza existe por causa desses fracassos intelectuais, não por falta de capacidade nas pessoas.

Todos os seres humanos têm a capacidade inata não só de cuidar de si mesmos, mas também de aumentar o bem-estar do mundo como um todo.

Alguns têm a oportunidade de explorar seu potencial, mas outros jamais tiveram a chance de desenvolver esse dom maravilhoso que todos temos.

Esse talento acaba morrendo com estas pessoas e o mundo é privado de tudo que elas poderiam ter feito.

O meu trabalho no Banco Grameen me colocou em contato com os mais pobres dos pobres. Essa experiência me deu uma fé inabalável na criatividade do ser humano.

Ninguém nasce para sofrer a miséria da fome e da pobreza. Cada um que vive na pobreza tem o potencial para se tornar tão bem-sucedido quanto qualquer outra pessoa no mundo.

É possível eliminar a pobreza porque ela não é natural nos seres humanos - ela lhes é imposta artificialmente. Precisamos nos dedicar a dar um fim na pobreza o mais rápido possível, colocando-a nos muses, de uma vez por todas.



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2 comentários:

Gisaboo disse...

Valeu pelas informações e pelo resumo!!! Estou lendo (e curtindo) o livro, mas tenho prova depois de amanhã sobre ele... Valeu mesmo!!!

Patricia Alves disse...

Alguém sabe me informar onde consigo comprar o livro Um Mundo sem Pobreza.

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