29.4.10

Livro "Manual do Guerreiro da Luz" - Paulo Coelho


É um livro sobre enfrentar as batalhas da vida, lutando o "Bom Combate".

Acho "esotérico" demais esse lance de "guerreiro da luz". Causa um certo desconforto em mim e tal.

Poderia ser algo mais sóbrio como "verdadeiro guerreiro" ou "guerreiro da vida", sei lá.

Mas pelo tanto de livro que o homem vende, deve saber mais de marketing do que eu :-P

Fora isso, gostei muito e me identifiquei com vários pensamentos. Muito bom! :)

Melhores Trechos:

Um guerreiro da luz nunca esquece a gratidão. Durante a luta, foi ajudado pelos anjos; as forças celestiais colocaram cada coisa em seu lugar, e permitiram que ele pudesse dar o melhor de si.

[...] Um guerreiro não precisa que ninguém lhe recorde a ajuda dos outros; ele se lembra sozinho, e divide com eles a recompensa.

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Todos os caminhos do mundo levam ao coração do guerreiro; ele mergulha sem hesitar no rio de paixões que sempre corre por sua vida. O guerreiro sabe que é livre para escolher o que desejar; suas decisões são tomadas com coragem, desprendimento, e - as vezes - com uma certa dose de loucura.

Aceita suas paixões, e as desfruta intensamente. Sabe que não é preciso renunciar ao entusiasmo das conquistas; elas fazem parte da vida, e alegra a todos que delas participam.

Mas jamais perde de vista as coisas duradouras, e os laços criados com solidez através do tempo.

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Um guerreiro da luz não conta apenas com suas forças; usa também a energia do seu adversário. Ao iniciar o combate, tudo que ele possui é o seu entusiasmo, e os golpes que aprendeu enquanto treinava; à medida que a luta avança, descobre que o entusiasmo e o treinamento não são suficientes para vencer: é preciso experiência.

Então ele abre seu coração para o Universo, e pede a Deus para inspirá-lo, de modo que cada golpe do inimigo seja também uma lição de defesa para ele.

Os companheiros comentam: "como é supersticioso. Parou a luta para rezar, e respeita os truques do adversário”.

O guerreiro não responde a estas provocações. Sabe que, sem inspiração e experiência, não há treinamento que dê resultado.

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Todo guerreiro da luz já ficou com medo de entrar em combate.
Todo guerreiro da luz já traiu e mentiu no passado.
Todo guerreiro da luz já perdeu a fé no futuro.
Todo guerreiro da luz já trilhou um caminho que não era o dele.
Todo guerreiro da luz já sofreu por coisas sem importância.
Todo guerreiro da luz já achou que não era guerreiro da luz.
Todo guerreiro da luz já falhou em suas obrigações espirituais.
Todo guerreiro da luz já disse sim quando queria dizer não.
Todo guerreiro da luz já feriu alguém que amava.
Por isso é um guerreiro da luz; porque passou por tudo isso, e não perdeu a esperança de ser melhor do que era.


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O guerreiro da luz as vezes se comporta como água, e flui por entre os muitos obstáculos que encontra.

Em certos momentos, resistir significa ser destruído. Nestas horas, ele se adapta as circunstâncias. Aceita, sem reclamar, que as pedras do caminho tracem seu rumo através das montanhas.

Nisto reside a força da água: ela jamais pode ser quebrada por um martelo, ou ferida por uma faca. A mais poderosa espada do mundo é incapaz de deixar uma cicatriz em sua superfície.

A água de um rio adapta-se ao caminho que é possível, sem esquecer do seu objetivo: o
mar. Frágil em sua nascente, aos poucos vai ganhando a força dos outros rios que
encontra.

E, a partir de determinado momento, seu poder é total.

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O guerreiro da luz presta atenção nas pequenas coisas, porque elas podem atrapalhar muito.

Um espinho, por menor que seja, faz o viajante interromper seu passo. Uma pequena e invisível célula pode destruir um organismo sadio. A lembrança de um instante de medo no passado, muitas vezes faz a covardia voltar a cada nova manhã.

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Para o guerreiro, não existe amor impossível. Ele não se deixa intimidar pelo silencio, pela indiferença, ou pela rejeição. Sabe que - atrás da máscara de gelo que as pessoas usam - existe um coração de fogo.

Por isso o guerreiro arrisca mais que os outros. Busca incessantemente o amor de alguém - mesmo que isto signifique escutar muitas vezes a palavra "não", voltar para casa derrotado,sentir-se rejeitado em corpo e alma.

Um guerreiro não se deixa assustar quando busca o que precisa. Sem amor, ele não é nada.

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Um guerreiro não tenta parecer; ele é.

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No começo de sua luta, o guerreiro da luz afirmou: “eu tenho sonhos”.
Depois de alguns anos, percebe que é possível chegar onde quer. Ele sabe que vai ser recompensado.

Neste momento, fica triste. Conhece a infelicidade alheia, a solidão, as frustrações que acompanham grande parte da humanidade. O guerreiro da luz então acha que não merece o que está para receber.

O seu anjo sussurra: “entrega tudo". O guerreiro ajoelha-se, e oferece a Deus as suas conquistas. A Entrega obriga o guerreiro a parar de fazer perguntas tolas, e o ajuda a vencer a culpa.

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O guerreiro possui a arte do golpe, e a arte do perdão. Sabe usar as duas com a mesma habilidade.

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Os amigos do guerreiro da luz perguntam de onde vem sua energia. Ele diz: "do inimigo oculto". Os amigos perguntam quem é. O guerreiro responde:"alguém que não podemos ferir".

Pode ser um menino que o derrotou numa briga na infância, a namorada que o deixou aos onze anos, o professor que o chamava de burro. O inimigo oculto passa a ser um estímulo. Quando está cansado, o guerreiro lembra-se que ele ainda não viu sua coragem.

Não pensa em vingança, porque o inimigo oculto não faz mais parte de sua história. Pensa apenas em melhorar sua habilidade, para que seus feitos corram o mundo e cheguem aos ouvidos de quem o machucou no passado.

A dor de ontem transformou-se na força de hoje.

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o guerreiro, quando fala das atitudes de seu irmão, imagina que ele está presente, escutando o que diz.

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“Eis o primeiro ensinamento da Cavalaria: tu irás apagar o que até então tinhas escrito no caderno de tua vida: inquietação, insegurança, mentira. E iras escrever, no lugar disto tudo, a palavra coragem. Começando a jornada com esta palavra, e
seguindo com a fé em Deus, chegarás onde precisas".


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O guerreiro da luz deve sempre lembrar-se das cinco regras do combate, escritas
por Chuan Tzu há três mil anos:
A fé: antes de entrar numa batalha, é preciso acreditar no motivo da luta.
O Companheiro: escolha seus aliados e aprenda a lutar acompanhado, porque ninguém vence uma guerra sozinho.
O tempo: uma luta no inverno é diferente de uma luta no verão; um bom guerreiro
presta atenção ao momento certo de entrar no combate.
O espaço: não se luta num
desfiladeiro da mesma maneira que numa planície. Considere o que existe a sua volta, e a melhor maneira de mover-se.
A estratégia: o melhor guerreiro é aquele que planeja seu combate.

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As vezes o guerreiro da luz tem a impressão de viver duas vidas ao mesmo tempo.
Em uma delas, é obrigado a fazer tudo que não quer, lutar por idéias nas quais não acredita. Mas existe uma outra vida, e ele a descobre em seus sonhos, leituras, encontros com gente que pensa como ele.
O guerreiro vai permitindo que suas duas vidas se aproximem.
"Há uma ponte que liga o que eu faço com o que eu gostaria de fazer", pensa. Aos poucos, os seus sonhos vão tomando conta da sua rotina, até que ele percebe que está pronto para o que sempre quis.
Então, basta um pouco de ousadia - e as duas vidas se transformam numa só.

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O guerreiro da luz precisa de tempo para si mesmo. E usa este tempo para o
descanso, a contemplação, o contacto com a Alma do Mundo. Mesmo no meio de um
combate
, ele consegue meditar.

Em algumas ocasiões, o guerreiro senta-se, relaxa, e deixa que tudo que está acontecendo ao seu redor continue acontecendo.

Olha o mundo como se fosse um espectador, não tenta crescer nem diminuir -
apenas entregar-se sem resistência ao movimento ao seu redor.

Aos poucos, tudo que parecia complicado começa a tornar-se simples. E o guerreiro se alegra.

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Ele sai em busca da sua armadura, e escuta a proposta de vários vendedores.
“Use a couraça da solidão", diz um.
"Use o escudo do cinismo", responde outro.
“A melhor armadura é não se envolver em nada", afirma um terceiro.
O guerreiro, porém, não dá ouvidos. Com serenidade, vai até seu lugar sagrado e veste o manto indestrutível da fé.

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Um guerreiro da luz pratica um poderoso exercício de crescimento interior: presta atenção em coisas que faz automaticamente - como respirar, piscar os olhos, ou reparar nos objetos a sua volta. Faz isto quando sente-se confuso. Assim, liberta-se das tensões, e deixa sua intuição trabalhar com mais liberdade - sem interferência de seus medos ou desejos. Certos problemas que pareciam insolúveis terminam sendo resolvidos

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O guerreiro da luz conhece o valor da persistência e da coragem. Muitas vezes, durante o combate, ele recebe golpes que não estava esperando.

Sabe que - durante a guerra - o inimigo vencerá algumas batalhas. Quando isto
acontece, ele chora suas mágoas, e descansa para recuperar um pouco as energias.

Mas imediatamente volta a lutar por seus sonhos. Porque, quanto mais tempo
permanecer afastado, maiores são as chances de sentir-se fraco, medroso, intimidado.

Quando um cavaleiro cai do cavalo e não torna a montá-lo no minuto seguinte, jamais terá coragem de fazê-lo novamente.

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Os que prometem - e não cumprem - perdem o respeito próprio, tem vergonha de seus atos.

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Um dia, sem qualquer aviso, o guerreiro descobre que luta sem o mesmo entusiasmo de antes. Continua fazendo tudo fazia, mas cada gesto parece que perdeu o sentido.
Neste momento, ele só tem uma escolha: continuar praticando o Bom Combate. Faz as suas preces por obrigação, ou por medo, ou seja lá por que motivo for - mas não interrompe o seu caminho.

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Um guerreiro da luz compartilha com o outro o que sabe do caminho. Quem ajuda, sempre é ajudado.

Precisa ensinar o que aprendeu. Senta-se ao redor da fogueira e conta como foi o seu dia de luta.

Um amigo sussurra: ”por que falar tão abertamente de sua estratégia? Não vê que, agindo assim, corre o risco de ter que dividir suas conquistas com os outros?”

O guerreiro apenas sorri, e não responde. Sabe que, se chegar ao final da jornada
num paraíso vazio, sua luta não terá valido a pena.

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O guerreiro da luz aprendeu que Deus usa a solidão, para ensinar a convivência.
Usa a raiva, para mostrar o infinito valor da paz. Usa o tédio, para ressaltar a
importância da aventura e do abandono.


Deus usa o silêncio, para ensinar sobre a responsabilidade das palavras. Usa o cansaço, para que se possa compreender o valor do despertar. Usa a doença, para ressaltar a benção da saúde.

Deus usa o fogo para ensinar sobre a água. Usa a terra, para que se
compreenda o valor do ar. Usa a morte, para mostrar a importância da vida.

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Ao seu lado existem pessoas cujo coração está tão frágil, que começam a viver amores doentios; estão com fome de afeto, e tem vergonha de demonstrar isto.

O guerreiro as reúne em volta da fogueira, conta histórias, divide seu alimento, embriaga-se junto com elas. No dia seguinte, todos se sentem melhor.

Aqueles que olham a miséria com indiferença, são os mais miseráveis.

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Os covardes terminam construindo as grades da própria prisão.
O guerreiro da luz projeta seu pensamento para além do horizonte.

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o guerreiro concentra-se nos pequenos milagres da vida diária. Se for capaz de ver o que é belo, é porque traz a beleza dentro de si - já que o mundo é um espelho, e devolve a cada homem o reflexo de seu próprio rosto.

Embora conhecendo seus defeitos e limitações, o guerreiro faz o possível para manter o bom-humor nos momentos de crise. Afinal de contas, o mundo está se esforçando para ajudá-lo, mesmo que tudo em volta pareça dizer o contrário.

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“Neste momento, milhões de pessoas já desistiram. Não se aborrecem, não choram, não fazem mais nada; apenas esperam o tempo passar. Perderam a capacidade de reagir. “Você, porém, está triste. Isto prova que sua alma continua viva. “E se sua alma continua viva, o Paraíso é possível”.




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2 comentários:

jaqueline disse...

Ola nicholas, venho acopanhando seu blog faz um tempinho , adoro paulo coelho , ele me transmite atraves dos seus livros muitos ensinamentos pra consegui viver uma vida melhor.... bju amei o post....

Canteiro Pessoal disse...

Nicholas, ouço muito falar de Coelho, nunca li um livro deste autor, pelo fato do não desejo.

Mas... de qualquer forma parabéns pelo post, pois pelo menos parte dele brilhou em minha retina.

Priscila Cáliga

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