27.5.10

Filme "The Fountainhead" (A Nascente/Vontade Indômita, 1949) - Ayn Rand

"Pode um homem sacrificar sua integridade, seus direitos, sua liberdade, suas convicções, a honestidade de seus sentimentos, a independência de seu pensamento?

Estas são as possessões supremas de um homem.

A que deve sacrificá-la? A quem? Auto-sacrifício?

Mas é precisamente sua essência que não pode e não deve ser sacrificada. A essência de um homem é seu espírito.

É o não-sacrifício de sua essência que devemos respeitar, sobre todas as coisas."



O filme é baseado no livro da filósofa Ayn Rand, uma das mentes mais polêmicas do século 20. Seus livros foram eleitos como os de maior influência na cultura americana, atrás somente da Bíblia. Sua filosofia é considerada culpada pela recente crise financeira que abalou o mundo. (Alan Greespan era do "fã-clube" dela).

The Fountainhead foi seu 1º best-seller, um romance introdutório sobre suas idéias. Foi do boca-a-boca até o sucesso absoluto, tornando-se um dos livros mais importantes do pensamento americano.

Conta a história de Horward Roark, um arquiteto que seria o homem ideal - que poderíamos e deveríamos ser - na visão de Rand: um homem de integridade inabalável, racional, comprometido com sigo mesmo e com sua visão de mundo.

Sua dedicação em criar obras cada vez mais originais, sem submeter-se a ordens e opiniões de poderosos deixa-o com muitos adversários. A mulher que ama acaba casando-se com seu pior inimigo. Um incidente faz com que a sociedade se revolte contra ele, é acusado e julgado - seu discurso de defesa é uma das melhores cenas de todos os tempos (veja mais abaixo).

A obra mais importante de Ayn Rand é o Atlas Shrugged ("O Dar de Ombros de Atlas" - Atlas na mitologia carrega o mundo nas costas. O título em português é "Quem é John Galt?") e contém as bases do Objetivismo, a corrente filosófica criada por ela.

O livro é sobre um EUA fictício onde o governo aplica leis para impedir a inovação, para empresas bem-sucedidas sustentarem as fracas, assegurando que todos tenham participação no mercado. Os melhores empresários, artistas, pensadores, cientistas.. decidem se isolar da sociedade, não querem sustentar os medíocres, entram em greve e o caos se instala.

Em 2011 está previsto o lançamento do filme do Atlas Shrugged, com a Angelina Jolie. Tomara! =)

Ambas histórias são uma inspiração para todos que tem o anseio insaciável de realizar, que se sentem asfixiados pela mediocridade e hipocrisia que transbordam da nossa sociedade, que possuem e querem seguir seu próprio caminho, sem dominar e nem serem dominados.


Ayn Rand

"Você não pode converter homens em escravos, se não quebrar seu espírito. Mate sua capacidade de pensar e agir por si próprios. Amarre-os juntos, ensine-os a aceitar, a estar de acordo, a obedecer.

Por que acha que eu denunciava a grandeza e elogiava medíocres como você? Os grandes homens não podem ser governados.

Por que eu pregava o auto-sacrifício? Se você matar o sentido de valor pessoal de um homem, ele se submeterá."

Ayn Rand saiu da Rússia comunista e imigrou para os EUA. Ela repudiava os sistemas coletivistas, é defensora extrema do egoísmo ético, capitilismo "deixe fazer, deixe passar" e do individualismo.

Eu discordo de muita coisa nisso tudo, mas admiro a originalidade, a coragem e a integridade da Ayn Rand, e sou totalmente a favor da sua apologia ao auto-desenvolvimento, ao auto-respeito, a auto-liderança, a auto-estima, a auto-realização.

Comprometer-se com sua própria visão e desenvolvimento, manter sua integridade e individualidade, lutar por sua liberdade de pensamento e ação, não dominar nem ser dominado - são as lições que ficaram para mim após o filme.

Agora tô desesperado para ler os 2 livros, só não sei onde vou arrumar disposição para encarar mais de 1.000 páginas de Atlas Shrugged de madrugada na tela do computador rs :-P

Veja abaixo a MELHOR cena do filme! =)

Discurso de Defesa de Howard Roark, cena do filme "A Nascente" (The Fountainhead - 1949) - INSPIRADOR! =)


http://www.youtube.com/watch?v=1r911KRGwi4

"Há milhões de anos, um homem descobriu como fazer o fogo. Provavelmente se queimou na fogueira, que ensinou seus irmãos a acender. Mas deixou-lhes um presente que eles não haviam concebido e acabou com a escuridão da Terra.

Ao longo dos séculos, houve homens que abriram novos caminhos, armados unicamente com sua própria visão. Grandes criadores, pensadores, artistas, cientistas, inventores. Estiveram sozinhos contra os homens de seu tempo.

Cada pensamento novo foi rechaçado... cada invenção nova, denunciada... mas os homens de visão de futuro seguiram em frente. Lutaram, sofreram e pagaram, mas venceram.

Nenhum criador foi impulsionado pelo desejo de satisfazer seus irmãos. Seus irmãos odiaram o presente que ele oferecia.

Sua verdade era seu único motivo. Seu trabalho era seu único objetivo. Seu trabalho, não aqueles que o usaram. Sua criação, não os benefícios que outros derivaram dela. A criação que dava forma à sua verdade.

Ele sustentava a verdade sobre todas as coisas e contra todos os homens. Ele foi em frente, mesmo que outros não estiveram de acordo com ele... com sua integridade como sua única bandeira. Não serviu a nada e a ninguém.

Viveu para ele mesmo... e somente vivendo para si mesmo foi capaz de conseguir as coisas que são a glória da humanidade. Essa é a natureza da realização.

O homem não pode sobreviver, exceto através de sua mente. Ele vem à Terra desarmado. Seu cérebro é sua única arma, mas a mente é um atributo do indivíduo.

Não existe cérebro coletivo. O homem que pensa, deve pensar e agir por si mesmo.

A mente racional não pode trabalhar sob nenhuma forma de coação. Não pode ser subordinada às necessidades, opiniões, ou desejos de outros. Não é um objeto de sacrifício.

O criador se mantém firme em seu próprio julgamento. O parasita segue as opiniões dos outros.

O criador pensa. O parasita copia.

O criador produz, o parasita saqueia.

O interesse do criador é a conquista da natureza. O interesse do parasita é a conquista dos outros homens.

O criador requer a independência. Ele não serve, nem governa. Ele trata com homens pela troca livre e pela escolha voluntária. O parasita procura o poder. O parasita quer prender todos os homens juntos, numa ação comum... e numa escravidão comum.

Ele clama que o homem é somente uma ferramenta para o uso de outros... que deve pensar como eles pensam, e agir como eles agem... vivendo na abnegação, na triste servidão a qualquer um, exceto a si mesmo.

Olhem a história.

Tudo o que temos, cada grande realização... veio do trabalho independente de alguma mente independente.

Cada horror e destruição... veio de tentativas de converter homens em rebanhos sem cérebros, robôs sem almas. Sem direitos pessoais, sem ambição pessoal, sem vontade, esperança ou dignidade.

É um conflito antigo. Tem um outro nome. O indivídual contra o coletivo.

Nosso país, o país mais nobre na história dos homens... foi baseado no princípio do individualismo.

O princípio dos direitos alienáveis do homem.

Um país onde um homem era livre para buscar sua própria felicidade. Para ganhar e produzir, não render-se e não renunciar. Para prosperar, para não morrer de fome. Para conseguir, para não perecer.

Para ter como sua maior possessão, o sentido de valor pessoal... e como sua maior virtude, o seu auto-respeito.

Olhem os resultados. Isto que os coletivistas estão agora pedindo que vocês destruam... tanto quanto da Terra foi destruído.

Eu sou um arquiteto. Eu sei que se constroi a partir das bases.

Estamos nos aproximando de um mundo no qual eu não posso me permitir viver.

Minhas idéias são minha propriedade. Foram retiradas de mim pela força, pela ruptura de contrato. Nenhum recurso me foi deixado.

Acreditaram que meu trabalho pertencia a outros, para fazer o que quiserem, que tinham direito sobre mim, sem o meu consentimento... que era meu dever servir-lhes, sem alternativa ou recompensa.

Agora vocês sabem porque eu dinamitei Cortlandt. Eu projetei Cortlandt... eu o fiz possível... eu o destrui.

Eu concordei projetá-lo, com a finalidade de vê-lo construído como eu desejei. Esse foi o preço que eu coloquei em meu trabalho. Eu não fui pago.

Meu edifício foi desfigurado pelos que se beneficiaram com o meu trabalho e não me deram nada em troca.

Eu vim aqui dizer que eu não reconheço... o direito de ninguém a um minuto de minha vida. Nem a qualquer parte de minha energia, nem a alguma de minhas realizações. Não importa quem faça a reivindicação.

Tem que ser dito. O mundo está perecendo em uma orgia de auto-sacrifício.

Eu vim aqui para ser ouvido... em nome de cada homem independente que há ainda no mundo.

Eu quis estabelecer meus termos. Eu não quero trabalhar ou viver como alguns outros.

Meus termos são o direito do homem de existir por suas próprias razões."



Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

2 comentários:

Marcelo disse...

Nicholas, o que vou dizer aqui neste comentário para você pode ser notícia velha, mas também pode ajudar a quem se interessar por este livro em especial: existe uma versão brasileira deste livro publicada pela editora Landscape, com o nome "A nascente". Está a venda na Livraria Cultura (www.livcultura.com.br).
E após ver uma nota que saiu no caderno Sabático, do jornal "O Estado de São Paulo", mandei um e-mail para a editora Sextante, que confirmou: ela vai publicar aqui o livro "Atlas Shrugged" e pretende lançá-lo na Bienal do Livro.
E que bom saber que você e sua família estão superando o assalto.
Abraços.

Chantinon disse...

Acho que o que mais sinto falta hoje em dia é de pessoas que tenham um ideal. Mesmo que os ideais até mudem com o tempo. Mas vivemos em um tempo muito estranho. Lembra os períodos de grandes crises, como as grandes guerras... Mas hoje essa "monotonia" de pensamentos é causada pela alienação coletiva. Acho que entendi seu raciocínio e concordo com ele.
Ah! Fiquei na inveja pelas viagens e escaladas :D
Abraços

Blog Widget by LinkWithin