7.7.10

Filme "Quando Nietzsche Chorou" (When Nietzsche Wept, 2007)

Eu não tava com tempo para ler o livro e resolvi assistir ao filme.

MUITO BOM! Fiquei mais afim de ler o livro ainda! =)


Sinopse

Baseado no best-seller Irvin Yalom, conta o encontro fictício (mas personagens e alguns fatos reais) entre o filósofo Nietzsche e o médico Josef Breuer, professor de Sigmund Freud.

Nietzsche é ainda um filósofo desconhecido e com tendência suicidas. Breuer passa por uma má fase após ter se envolvido com uma paciente, Bertha , com quem cria uma obsessão sexual e fica atormentado.

Breuer é procurado por Lou Salome, amiga de Nietzsche, com quem teve um relacionamento atribulado. Ela está empenhada em curá-lo de seu desespero, assim pede ao médico que o trate com sua controversa técnica da “terapia através da fala”.

O tratamento vira uma verdadeira aula de psicanálise, onde os dois terão que mergulhar em si próprios, num difícil processo de auto-conhecimento. Eles então descobrem o poder da amizade e do amor.


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Fiquei extasiado com esse filme. Mostrando um pouco da vida de pessoas que admiro muito como Nietzsche e Freud, numa época de grandes descobertas intelectuais, discutindo sobre temas importantes como o tempo, amor, amizade.

Recomendo para quem está surtando com a passagem do tempo ou amores não-correspondidos, que levam pessoas inteligentes a cometerem verdadeiros desastres em suas vidas. Considero fundamental (e reconheço ser bem difícil) amadurecer em relação a isso.

Um ponto mais intrigante do que o filme em si, foi conhecer a biografia da Lou Salomé. Ela era uma poetisa russa e circulava entre os maiores intelectuais da época. Muitos se apaixonaram pelo seu jeito masculinizado, analítico, sua distância emocional e olhos azuis, que a diferenciavam das outras mulheres.

Teve vários affairs e relacionamentos abertos. Alguns dos seus adoradores se divorciaram, se suicidaram, enlouqueceram ou jamais esqueceram dela.


atriz Katheryn Winnick representando a Lou Andreas-Salomé

Fora Nietzsche, outras mentes brilhantes a amaram: Gillet, Rilke, Reé. Wagner e Freud também balançaram por ela.

Nietzsche e Reé eram melhores amigos e juntos se apaixonaram por Salomé. Ela foi o grande amor da vida de ambos e a amizade deles se desfez. Nietzsche se desentendeu também com Wagner e com a própria família.

A irmã de Nietzsche culpava a Salomé pela depressão do irmão, considerava-a uma bruxa maligna e promoveu uma campanha na imprensa contra ela, mesmo após a morte dele.

Eu fico PERPLEXO, quanta babação de ovo! Como homens tão fortes, lúcidos, centrados... perderam o controle assim? Já gostei muito de algumas meninas, mas o pior que aconteceu foi perder meu entusiasmo, ficar meio jururu um tempinho, e beleza uai.

Realmente, o amor tem seus mistérios... "nem Freud explica"! :-P



Lou Salomé, Paul Reé e Friedrich Nietzsche (1882)
Ela com chicote na mão e eles em posição de levar a carroça. Engraçado rs.

Trailer


http://www.youtube.com/watch?v=qGTGOpjcwsk


Melhores Trechos do Filme:


- Meu amigo está se preparando para se suicidar. Sua morte traria graves conseqüências para mim, para o senhor, o mundo todo.
- Quem é esse seu amigo?
- O filósofo Friedrich Nietzsche.
- Nietzsche? Devo saber quem é? - Ainda não, mas na hora certa todos saberão quem ele é.

Tenho um novo paciente. Ainda não o conheço. Tendências suicidas. Como sempre, começa com uma mulher.

Tenho fases negras, mas quem não os tem? Elas não me dominam.

Tento dizer em 10 frases o que outros dizem no livro inteiro.

- Deixei de lecionar. Não tenho casa para cuidar nem esposa com a qual discutir... nem filhos para educar. Não tenho obrigações para com ninguém. Não sofro de estresse. - Isolamento extremo... é o próprio estresse.

- Sabe, parte de mim tem esperança que ao ajudar... esta bizarra criatura a superar a dor... eu possa superar a minha própria.
- Superar sua dor? Todos os médicos de Viena o invejam. - Sentimos coisas aos 40... que não podemos saber aos 25.

Quero lhe fazer uma proposta, Professor. Talvez jamais feita antes por um médico a seu paciente. Proponho uma troca profissional. Por um mês... tratarei seu corpo... se você tratar minha mente.

- Minha mente está invadida por pensamentos hostis. Perdi noção de por que estou vivo. Tenho horror à morte, mas... com freqüência penso em dar fim à vida.
- Não posso ajudá-lo nisso. Não tenho treinamento para tal. - E quem tem? Tal cura não faz parte das disciplinas médicas.
- O que sei eu disto?
- Sabe mais do que qualquer homem vivo. Seus livros não são verdadeiros tratados sobre o desespero?
- Não posso curar desespero. Só sei como suportá-lo.
- Então me ensine como suportar uma vida de desespero. Você escreve que sua missão é salvar a humanidade... da ilusão e da falta de sentido... para criar um novo código de comportamento... uma nova moral, livre de crendice. Está tudo aí nos seus livros.

Sinto-me... totalmente distante da minha esposa. Preso num mundo não escolhido por mim. Breuer é uma mistura curiosa. Inteligente, porém cego. Sincero, porém corrompido. - Não faço objeção a sexo. Detesto homens que imploram por isso... que se entregam a uma mulher ardilosa... que transformam a luxúria deles no poder delas.
- Luxúria faz parte da vida.
- Nada deve interferir no desenvolvimento do seu herói interior. Se a luxúria se interpõe, supere-a! Seja mais prático. Se optar pelo prazer do crescimento, prepare-se para sofrer. Quer menos dor? Vá. Seja parte da massa.

Sua querida e incapacitada Bertha... mexe as pernas... os lábios... os braços... e os seios. E a mente dele... que foi feita para as mais nobres idéias... agora fica repleta... de lixo.

Josef, eu li os livros dele. Ele conhece a humanidade mais a fundo que qualquer um. Acho que ele pode ser, talvez... o maior psicólogo de todos.

- Sou respeitado... e rico.
- Então atingiu suas metas. Está satisfeito?
- Atingi minhas metas, sim. Se estou satisfeito? Não.
- Como escolheu suas metas? Não, não pense... só "limpe pela chaminé".
- Metas são parte de minha cultura. Estão no ar. Você respira isso. Como todo garoto judeu, quis sair do gueto, ser bem-sucedido. Meu pai foi meu grande professor. Não, nunca escolhi metas. Elas eram como... um acidente. - Mesmo assim, não se apropriar de suas metas é exatamente isso. Deixar que sua vida seja um acidente.

Tive uma repentina e dolorosa compreensão do óbvio. O tempo é irreversível. As areias de minha vida estão se esgotando. Estou no mesmo passo... de todas as pessoas, marchando para a morte [...] Sou impotente e insignificante, sim. Não significa que a vida não tenha propósito. Não, conforme a morte se aproxima, aumenta o valor da vida. Você deve aprender a dizer sim, a cada minuto da vida. Seja impetuoso, um livre-pensador. Supere suas limitações.

- Suponho que, como todos os homens, sofra de paixão. Já experimentou a dor de amar?
- Sim. E?
- Eu devo saber.
- Lembre-se das palavras de Goethe. Seja homem. Não me siga... mas só a si mesmo. Ensinar filosofia e usá-la no mundo real... são duas tarefas bem diversas. Deseja algo que alivie? Então vá. Mame no seio da superstição. O que quer que faça, não recorra à razão.

- Que homem sensato amaria uma incapacitada?
- Pare. Bertha é inteligente, bonita, meiga.
- Meiga? Como assim? Ela tentou seduzi-lo a cometer adultério. Quase o destruiu.
- Você é duro demais com ela.
- Da próxima vez que a encontrar, não esqueça o chicote. Sim. Acho que amar uma mulher assim é odiar a vida.
- Bertha é uma boa mulher. Devo lembrá-lo que ela adoeceu com a morte do pai?
- E devo lembrá-lo que todos os pais morrem? Acho que acabou-se o tempo de desculpas.
- Preciso de sua ajuda. Ataque minha obsessão. Está acabando comigo!
- Quero que faça uma lista... de 10 insultos. E quero que diga para ela.
- Na cara dela?
- Sim [...] Livre-se da idéia serena que construiu. Veja Bertha como ela é toda manhã. Espasmos. As pernas e braços delas em espasmos. Vesga. Muda. Alucinando. Gaguejando. Veja-a como a criança que ela quer ser. Veja-a como um adulto que se senta na privada todo dia. Se estiver só e começar a pensar nela, grite... Vá embora, eu a odeio, bem alto. E belisque-se o mais forte que puder.

- Como seria sua vida... se Bertha não existisse?
- A vida sem Bertha... não teria cor. Tudo estaria decidido. Esta maleta médica, estas roupas pretas. Sou um cientista, embora a ciência não tenha cor. Preciso de paixão. Preciso de magia, é isso que Bertha representa. Uma vida sem paixão, sem mistério... quem consegue viver assim?

- Se é atraído pelo mistério, é atraído pelo perigo. - Mas odeio perigo. Vivo com cautela. - Viver com cautela é perigoso.

Talvez Bertha represente... meu desejo de escapar dessa vida segura, da armadilha do tempo. O tempo é um fardo. O maior desafio é viver apesar disso.

- Ela tem a mistura de lábios... olhos e seios... que lhe dão poderes quase sobre-humanos.
- Poderes de fazer o quê?
- Quando estou com ela... sinto que estou no centro de um ordenado... e tranqüilo universo. Um lugar muito bonito... onde não há questões sobre a vida... nem propósitos. Como andar nas nuvens.

Nos apaixonamos mais pelo desejo... do que o desejado.

- A morte só não é aterrorizante quando a vida já se consumou. Já consumou sua vida?
- Eu já consegui muitas coisas.
- Mas aproveitou a vida? Ou deixou-se levar por ela? Você está fora da sua vida... sofrendo... por uma vida... que nunca teve?
- Não posso mudar minha vida.

- A única coisa que amo na minha vida... é pensar... que cumpri meus deveres com minha esposa e meus filhos.
- Deveres?
- Seus deveres são um pretexto. É a cortina atrás da qual se esconde.


Capa do Livro



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6 comentários:

Canteiro Pessoal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Canteiro Pessoal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Canteiro Pessoal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Canteiro Pessoal disse...

Nicholas, deleto o comentário digitado à porta do meio-dia para vomitar o todo elaborado na grande orquestra que é o cérebro, o [meu] em viagens e cavucar que causa-me interrogações e respostas sempre em pauta, uma loucura saborosa em encontros e desencontros. Afirmo, ressalto que fascínio, vinho aos lábios o que leio e agora re-lendo com gosto, como minha pele e retina vibram pela psicanálise.

O cérebro, para ditos intelectuais acima da média, 'homens tão fortes, lúcidos, centrados', os que caem em gozo na teia do amor de forma intensa, e entrega bastante profunda. Seres que trilham com um fluxo contínuo, a qual a sensibilidade está à flor da pele, e que muitos atribuem em falas teóricas [olhar mecânico], que o fato de serem um pincel de vasto conhecimento, mentes brilhantes, que o racional é operante e único, não há espaço para a teia denotada amor. Onde preciso focar ao nulo está no encontro de definição, apenas entra de forma desprogramada, como uma avalanche no existir de um sujeito, a final de contas, o instinto, o cheiro, o que está em nado à pele, captura a química, o tal agradante [gosto alojado desde o ventre, à espera do ósculo para despertar], o brilhante processo de composição. É gritante, pois os gênios, mentes elevadas, indo a fundo [cavucar desenfreado], adentrar tão profundo, se esbarrará com tais em laços tão inexplicáveis em palco existencial à questão do amor, que na maioria em análises minuciosa, muitos com o ter em mente [não possuir, com o desfrutar], criam espetáculos numa imaginação do fertilizante na pulsação, que a musa ou [muso] é o diesel, o ponto elevado numa escala, e a inspiração ativa áreas do encéfalo, derrubando velhos dogmas e refaz a cartografia do cérebro e do real sentir que nenhum ser escapa. O amor [numa tentativa] como laço de que misterioso se faz irresistível, inenarrável, com substâncias, misturas e de diversos grupos de células ligados por circuitos, sempre atentos ao ilógico e sinal, que gera-se cascatas neurais e fluídos poderosos, desativando frieza e cálculo.

Abraços.

Priscila Cáliga

Canteiro Pessoal disse...

Nicholas, seu post me inspirou à consolidação, a mente em ativação atingindo mais um filho, portanto, um escrito novo em meus dedos jorraram e na leitura de um fragmento fabuloso.

Aqui partilho:

[dose]

A torneira, por dentro, abre-se ininterruptamente, e constata que, a carrapeta está gasta. Com isso, computa-se infinidades de interrogações em socos ante à porta. Mãos do captar ematomas, fluxo de sangue em componentes ativos no lógico que freia, e paraliza abruptamente o encenar vival, ludibriante à face que pincelava o feriado adoçado, bálsamo quem diga de partida não uma perda de tempo. O ar de núncio acalorado, estabelece-se ontem presente atual com adagas ao peito, residir à duração de vazio, saquear tamanho diante calendário desagradável distancial, com a qual resseca a pele delineada macia e lisa, um brilhar tão eminente que nulo consolidava o inverno, sim atividade primaveril.

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Fragmento:

Ontem ao meio-dia havia bastante sol para dourar todo um reino – mesmo um reino pobre e não muito pequeno. Mas o ouro apenas não basta. Eu estava muito triste. Errei, algumas rosas na mão, pela cidade e à entrada do jardim inglês, para lhe oferecer estas rosas. Sim, em vez de as depositar diante da porta de chave dourada, carreguei-as comigo por toda a parte, tremendo com a necessidade de encontrá-la em algum lugar. Entretanto, foi mais ou menos quando se joga uma carta ao mar, para que as vagas a conduzam até as margens do amigo para quem se destinou. A carta está certa de se perder ao largo e afundar. O mesmo com minhas rosas. Ao meio-dia, quando abandonei estas buscas e vi o rosto triste das pálidas flores, a angústia dolorosa da solidão me invadiu.

Abraços ave rara!

Priscila Cáliga

chicoary disse...

Gimenes, já leu o livro de "Botul"? Ele fala de forma interessante e satírica de Lou Salomé como uma "allumeuse".

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