19.8.10

Filosofia para o Dia-a-Dia: Schopenhauer e o Amor

No documentário "Filosofia para o Dia-a-Dia" (Philosophy: A Guide to Happiness), o filosófo suiço Alain de Botton destaca 6 grandes pensadores sobre temas importantes do nosso cotidiano:

- Schopenhauer e o Amor

"O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais"

(Arthur Schopenhauer)




Parte 1 - 8min:


http://www.youtube.com/watch?v=SwdNeeJJ-S0

Parte 2 - 8min:
http://www.youtube.com/watch?v=nSw0dFab_TY

Parte 3 - 8min:
http://www.youtube.com/watch?v=4XULCCOtcHw

Melhores Trechos:

Todos teorizamos sobre a felicidade que o amor nos trará [...] A maioria faz da busca pelo amor a meta de sua vida.

Ele pensava que estávamos certos em viver em função do amor, e que não havia outra coisa mais importante. Nosso erro, segundo ele, era pensar que a felicidade tinha a ver com isso.

Ele nunca se casou, vivia sozinho e, às vezes, mostrava-se bastante avesso às mulheres. Desde cedo, ele buscou a felicidade no amor. Era inteligente, seguro, bonito, rico. Mas não fazia sucesso com as mulheres.

Como um filósofo com uma vida romântica desastrosa poderia ter algo a nos dizer sobre o amor?

Para começar, ele dizia que o amor não é um assunto banal, que não devemos vê-lo como distração de assuntos mais sérios ou adultos.

Não é por acaso que se trata de um sentimento tão avassalador, capaz de tomar conta de nossa vida e de todos os momentos de nosso dia.

Schopenhauer diz que não devemos nos culpar tanto pelo estado de desespero e obsessão em que entramos se o amor fracassa.

Ficar surpreso com a dor da rejeição é ignorar o quanto de entrega a aceitação exigiria.

Por que nos apaixonamos por quem nos apaixonamos?

Inúmeras pessoas não provocam qualquer reação em nós mesmo sendo, em tese, nossos pares ideais. E acabamos nos apaixonando por outras com quem a convivência pode ser difícil.

Schopenhauer tinha uma resposta: apaixonamo-nos por uma pessoa quando sentimos, inconscientemente, que ela pode nos ajudar a produzir herdeiros saudáveis.

Ele nos diz que se apaixonar é inevitável, que a biologia é mais forte que a razão.

Assim, não somos infelizes por mero acidente. Essencialmente, somos iguais a todos os outros animais: sentimo-nos impelidos a encontrar um parceiro, a gerar filhos e criá-los, e somente uma força poderosa como o amor seria capaz de nos
motivar para isso.

Schopenhauer tem mais uma idéia a respeito do amor que pode nos ajudar quando somos rejeitados: muitas vezes, não entendemos por que o parceiro quis romper e nos sentimos rejeitados.

Schopenhauer diz que quem termina o namoro não está rejeitando o parceiro. Não sou eu que não mereço o amor, mas é o impulso de vida de minha parceira que considerou que ela poderá ter filhos mais saudáveis com outro!

Encontrarei outra mulher que me considere o parceiro ideal [...]

Talvez você estivesse feliz com a pessoa que o rejeitou, mas a natureza não estava. Por isso, vai ter de aprender a se desapegar.

Nesse nível, a coisa é muito animal. E nós não devemos levar para o lado pessoal.

Schopenhauer convida-nos a assumir um ponto de vista diferente, e considerar que a felicidade não está em questão.

Ele não queria nos deixar deprimidos, mas nos libertar das expectativas que podem acabar gerando frustrações.

É um alento, se o amor nos trouxe tristeza, ouvir que a felicidade não fazia parte da equação inicial.

Às vezes, os pensadores mais pessimistas, paradoxalmente, podem ser os mais consoladores.



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5 comentários:

Thatiana Carvalho disse...

Pode até doer, mas que um amor avaçalador é bom, é! rs (brincadeira)
QQ sentimento que vem precedido de expectativas está sujeito a frustrações, então na verdade o importante é ter em mente que as pessoas são diferentes, possuem anseios, ideais, comportamentos, desejos diferentes logo é preciso respeitar essas divergências ao invés de se frustrar com elas... quando tudo isso ta claro, você até pode sentir uma pontinha de "tristeza", acompanhada de saudades e recordações, mas jamais haverá sofrimento e mágoas.
Bom mesmo é amar! =D
Não sei nada de amor mas falaria horas sobre ele, o assunto bom! :)

Voltou as aulas foi? Estão espaçados os posts. :p

:*

Beeta disse...

Surpreendente essa forma de pensar, apesar de ser distinta do que eu pense, considerar o amor mais um instinto do que um sentimento, que de certa forma não é algo racional, mas é espiritual, e isso distingue o ser humano dos animais!
Beijos

Thatiana Carvalho disse...

Eu acho que Schopenhauer considera: Amor = Química.
Aquela que vc identifica o outro pelo cheiro e ativa o cérebro da gente, sabe?! (Assim como os animais) E como somos humanos, teoricamente racionais, muitas vezes não conseguimos separar uma coisa da outra (ou elas, naturalmente, não se separam)e ai chamamos de AMOR. A quem chame de paixão, ou ainda tesão. rs

Canteiro Pessoal disse...

Nicholas, como diz uma das escritoras, faço-a como confidente e no ler-me profundo: o amor [!?]]

Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser.


Lispector in Água viva

Priscila Cáliga

pilulamarela disse...

Gostei do post e o citei em minha página. otimos videos. continue os colocando. visite http://pilulamarela.wordpress.com/ para ver o post.

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