13.9.10

Coragem para Enfrentar uma Vida Inteira - Ayn Rand

"Havia acabado de obter seu diploma universitário [...] e queria decidir se a vida valia a pena ser vivida.

Não sabia que era essa a pergunta que tinha em mente. Não pensava em morrer. Pensava apenas que desejava encontrar alegria, razão e significado na vida, e que nenhum deles lhe havia sido oferecido, em nenhum lugar.

Não gostara do que lhe haviam ensinado na faculdade [...] ele não havia se sentido inspirado. Não havia sentido absolutamente nada.

Ele não conseguia dar nome ao que queria da vida. Sentia-o aqui, nesta solidão selvagem [...] Sentia raiva por encontrar a exaltação somente em uma região desabitada, e porque tinha de perder esse grande senso de esperança quando voltasse aos homens e ao trabalho dos homens.

Pensou que isso não estava certo; que o trabalho do Homem deveria ser um passo mais elevado, um aperfeiçoamento da natureza, não uma degradação. Ele não queria desprezar os homens; queria amá-los e admirá-los. Mas temia a visão da primeira casa, salão de sinuca e pôster de filme que encontraria no seu caminho.

Sempre quisera compor músicas, e não podia atribuir nenhuma outra identidade àquilo que buscava.

Se quiser saber o que é, dizia a si mesmo, escute as primeiras frases do Concerto nº 1 de Tchaikovsky [...] As pessoas não encontraram palavras para descrevê-lo, nem o ato nem o pensamento, mas encontraram a música.

Deixe-me ver isso em um único ato do Homem na Terra. Deixe-me vê-lo tornar-se realidade. Deixe-me ver a resposta à promessa daquela música.

Não servos nem aos que são servidos, não altares e sacrifícios [...] Não me ajude nem me sirva [...] Não trabalhem pela minha felicidade, meus irmãos - mostrem-me a sua, mostrem que é possível, mostrem a sua conquista, e o conhecimento me dará coragem para buscar a minha.

[...] Seus pés tocaram no chão, brecando seu movimento. Ele parou e abriu os olhos. Ficou imóvel [...] Havia muitas casas, eram pequenas, isoladas e diferentes umas das outras.

Contudo eram como variações de um único tema, como uma sinfonia tocada por uma imaginação inesgotável, e ainda era possível ouvir o riso da força que fora liberada sobre elas, como se essa força houvesse corrido, desenfreada, desafiando a si mesma a ser exaurida, mas nunca se esgotando.

Música, pensou ele, a promessa da música que ele invocara, seu sentido tornando-se realidade - lá estava ela, diante de seus olhos [...]

- Aquilo não é real, é? - perguntou o rapaz, apontando para baixo.
- Ora, é sim, agora - respondeu o homem.
- [...] Quem o construiu?
- Fui eu.
- Qual é o seu nome?
- Howard Roark.
- Obrigado. - disse o rapaz. [...]

Roark fitou-o afastando-se. Nunca vira esse rapaz antes e nunca mais o veria outra vez. Ele não sabia que dera a alguém a coragem para enfrentar uma vida inteira."

- Ayn Rand, trecho de "A Nascente" (The Fountainhead)




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