8.9.10

O Essencial - Mário de Andrade (Palavra Aguda)

Vi num dos meus blogs favoritos: Palavra Aguda.


"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!"

(Mario de Andrade)



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2 comentários:

Thatiana Carvalho disse...

Hoje eu vim aqui, abri o meu "livrinho da sabedoria" e li o que precisava ler...

:)

Como foi a viagem?
bjos!

Canteiro Pessoal disse...

Nicholas, como flecha cada palavra vomitada aloja nas minhas entranhas, rasga-me. Do chamado das aspirações outroras à presente futuro, para um olhar refocado no essencial, de lado o urgente para adentrar em sabor no vigoroso, e viçoso: importante. O que é importante? O meu tudo orgânico em vôos, e as milhares células que faz-me e re-faz-me na palma das mãos; hemoglobinas a todo vapor como nascente, metamorfoseadas, o resgate da tal humanidade em palco. Abortar o egoísmo e laçar o reconstruir vival no espelho da lua com o escorregar sobre a pele falante em maciez, ao mesmo tempo, voz de trovão à promessa de fertilidade, sem a universalização, que é uma máquina veloz, sem combustível, portanto, sem controle, que por onde passa gera riqueza e causa destruição. Riquezas que traças corroem, não se leva, destruição psicológica, dependência no visível [fora].

Há tanto o que dizer, mas...

fico com o restante em meus olhos, quem sabe alguém o leia, pois o ser racional anda umbilical ao extremo, amor de geleira, sem atentar na arte do entrar no sujeito.

Amei em GGGRRRIIITTTOOO o post, e contentíssima pela apresentação do Palavra Aguda, que com certeza em meus pousos vindouros: parada obrigatória.

Priscila Cáliga

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