28.9.10

"Parasitas" - Ayn Rand


"[...] - Olhe para eles. O homem que engana e mente, mas preserva uma fachada respeitável. Ele sabe que é desonesto, mas os outros acham que é honesto e ele deriva seu respeito próprio dos outros, adquirindo-o de segunda mão. O homem que aceita uma conquista que não foi sua. Ele sabe que é medíocre. [...]

O homem cujo único objetivo é ganhar dinheiro [...] o dinheiro é somente um meio para atingirmos algum fim.

Se um homem o deseja para algum propósito [...] - para investir em sua indústria, para criar, estudar, viajar, desfrutar do luxo - ele é completamente moral. Porém [...] o que eles querem é ostentação: exibir, chocar, entreter, impressionar os outros.

Olhe para nossos ‘empreendimentos culturais’. Um palestrante que recita algum material reciclado que pegou emprestado, que não consiste de absolutamente nada e não significa absolutamente nada para ele; e as pessoas que escutam não ligam a mínima, mas ficam ali sentadas para poder dizer a seus amigos que assistiram à palestra de um nome famoso.

Todos são parasitas vivendo de segunda mão [...] À custa de seu respeito próprio. No âmbito da maior importância - o âmbito dos valores, do discernimento, do espírito, do pensamento - eles colocam os outros acima de si mesmos.

É tão fácil recorrer aos outros. É difícil ser auto-suficiente. Você pode fingir virtude para uma platéia. Não pode fingí-la para si mesmo. O ego de uma pessoa é o seu juiz mais severo. Eles fogem dele.

Passam a vida fugindo [...] É simples buscar subtitutos para a competência - subtitutos tão fáceis: amor, charme, bondade, caridade. Porém, não existe substituto para a competência.

É a característica mortal dos parasitas que vivem de segunda mão. Eles não têm nenhum interesse por fatos, idéias, trabalho. Só se interessam pelas pessoas.

Eles não perguntam: ‘Isto é verdade?’ Perguntam: ‘Isto é o que os outros acham que é verdade?’.

O mais importante para eles não é julgar, mas repetir; não é fazer, mas dar a impressão de fazer. Não a criação, mas a exibição. Não a habilidade, mas a amizade. Não o mérito, mas a influência.

O que aconteceria com o mundo sem aqueles que fazem, pensam, trabalham, produzem? [...] Quando pára de usar a sua faculdade de pensamento independente, você pára de usar a sua consciência. Parar de usar a sua consciência é parar de viver.

[...] Homens sem ego. Opinião sem um processo racional. Movimento sem freio nem motor. Poder sem responsabilidade.

O parasita age, mas a fonte de suas ações está espalhada em todas as outras pessoas vivas. Está em todo lugar e em lugar nenhum, e você não pode ter uma conversa racional com ele [...]

Olhe para todos ao nosso redor. Você se perguntou por que eles sofrem, por que buscam a felicidade e nunca a encontram. Se qualquer homem parasse e se perguntasse se jamais teve um desejo verdadeiramente pessoal, ele encontraria a resposta.

Veria que todos os seus desejos, esforços, seus sonhos, suas ambições são por outras pessoas [...] Ele não consegue encontrar nenhuma alegria na luta e nenhuma alegria quando é bem-sucedido.

Ele não pode dizer [...] : ‘Foi isso que eu quis porque fui eu quem quis, não porque fez com que meus vizinhos olhassem boquiabertos para mim’. Então, ele se pergunta por que é infeliz [...]

Nossos melhores momentos são pessoais, automotivados [...] Nem ao menos temos uma palavra para a qualidade de que estou falando, para a auto-suficiência do espírito humano.

É difícil chamá-la de egoísmo ou egotismo, as palavras foram pervertidas [...] eu acho que o único mal fundamental é colocar o seu interesse primário dentro de outras pessoas [...]

- Eu sempre exigi uma certa qualidade nas pessoas de quem gostava [...] Agora sei o que é: um ego auto-suficiente.

- Estou feliz por você admitir que tem amigos.

- Eu até admito que os amo. Mas não poderia amá-los se eles fosse a minha razão principal de viver [...] Se uma pessoa não respeita a si mesma, não pode ter nem amor nem respeito pelos outros [...]

Se este barco estivesse afundando, eu daria a minha vida para te salvar. Não por que seja qualquer tipo de dever. Somente por que eu gosto de você, por meus próprios motivos e padrões. Eu poderia morrer por você. Mas não poderia viver, e não viveria, por você.

[...] não mencionei o pior tipo de parasita de todos: o homem que busca o poder.

***

Os homens aprendem uns com os outros. Mas todo aprendizado é apenas uma troca de idéias. Nenhum homem pode dar a outro a capacidade de pensar [...]

essa é a alternativa básica que que o Homem enfrenta: ele pode sobreviver de duas maneiras - através do uso independente de sua mente ou como um parasita alimentado pela mente dos outros.

O criador origina. O parasita toma emprestado [...] A preocupação do criador é a conquista da natureza. A preocupação dos parasitas é a conquista dos homens.

O criador [...] seu objetivo principal está dentro de si mesmo. O parasita vive em função dos outros, vive de segunda mão. Ele precisa dos outros. Os outros são sua motivação principal.

A necessidade básica do criador é a independência [...] A necessidade básica do parasita que vive de segunda mão é assegurar sua relação com outros homens [...]

Aos homens foi ensinado que concordar com os outros é uma virtude. Mas o criador é o homem que discorda [...]

Quando o primeiro criador inventou a roda, o primeiro parasita reagiu [...]

O criador - rejeitado, oposto, perseguido, explorado - perseverou, seguiu adiante, e com sua energia carregou toda a humanidade com ele.

O parasita não contribuiu em nada para esse processo, exceto em obstáculos".

- Ayn Rand, trecho de A Nascente (The Fountainhead)



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4 comentários:

José Maria Pla Junior disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José Maria Plá Junior disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Consultora Educacional disse...

Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver nosso Curso de Informática Online. Melissa.

Canteiro Pessoal disse...

Nicholas, valoroso o que presenteia, sua escolha faz o ouvinte da palavra voz nada concisa.

O racional que engana e mente pra si, quando preseva uma fachada respeitável, em sabor pelo que os outros acham; a permissão da invasão, com atos complacentes as práticas do andar em círculo: absorção da mediocridade. Sabe que é desonesto fraudar a voz que se chama trombeta, mas sempre atrela-se com o pensar 'honesto' (superficial) e direciona os princípios à venda, prato de lentilha, e como resultado adquirindo pedaços das manchas.

Abraços

Priscila Cáliga

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