15.11.10

George Soros: Sociedade Aberta, Crise Financeira e o Caminho pela Frente

George Soros, conhecido como "O Homem que Quebrou o Banco da Inglaterra", fugiu do nazismo quando criança, foi para os EUA e construiu uma das maiores fortunas do mercado financeiro.


Considerando-se um "estadista sem estado", já gastou metade de sua fortuna na defesa da democracia e de causas sociais e ambientais na África, Ásia e Europa Oriental; e também na campanha contra a reeileição do Bush. No Brasil, é um dos maiores investidores do etanol.

Como filósofo e economista, defende a teoria da Reflexividade contra a suposta eficiência dos mercados, afirmando que quando o mercado se afasta do equilíbrio, ele não só reflete os fundamentos, mas também os altera, realimentando o desequilíbrio.

Mesmo contra seus interesses, apóia a regulamentação do mercado. Fez oposição férrea à Guerra do Iraque, e alerta sobre a manipulação das massas pela política e pela propaganda.

Enfim, o tiozinho aí... de bobo, só tem a cara! hahahaha :-P


Há 1 ano atrás, ele deu uma série de 5 palestras (em inglês) muito interessantes na Central European University, com os títulos:
  • General Theory of Reflexivity
  • Financial Markets
  • Open Society
  • Capitalism vs. Open Society
  • The Way Ahead
É um resumo das idéias dele. Ele fala meio devagar e enche um pouco de lingüiça, mas as idéias são bacanas e graças a Deus as palestras tem transcrição, então dá para ler rapidão :)

Clique para ver:



Em português, tem as entrevistas dele para a Globo e para o Rodaviva, em que ele fala um pouco dessas idéias também.

Reportagem do Jornal da Globo sobre George Soros - 5 min


http://video.google.com/videoplay?docid=-4097624850471229883#


Entrevista de George Soros no Rodavida da TV Cultura, em 2007:



Melhores Trechos de George Soros no Rodavida:

Tem de haver um preço definido para emissões de carbono. Porque é preciso submeter o aquecimento global ao controle.

o crédito está crescendo mais rapidamente do que a economia. E isso é algo que tem sido a tendência e, provavelmente, continuará a ser a tendência, mas não pode continuar indefinidamente. [...] os Estados Unidos estarem gastando mais do que produzem, consumindo mais do que produzem, é preciso esperar que isso deva acabar [...] Devemos estar alcançando os limites de até onde podemos chegar na extensão de crédito.

Na verdade, estou muito mais preocupado com o cenário político do que com o cenário financeiro e econômico. [...]

o presidente usou isso para invadir o Iraque sob falsos pretextos. Todo mundo sabe, hoje, que a invasão do Iraque foi um erro enorme. Mas também precisamos entender que a guerra ao terror, como idéia, também é uma metáfora falsa, bastante enganadora. Porque é preciso se defender contra o terrorismo, mas empreender uma guerra, dada a sua própria natureza, resulta em vítimas inocentes. E criar vítimas inocentes, por sua vez, gera o ódio e ressentimento, que ajudam a apoiar o terrorismo. Então, em vez de nos livrarmos dos terroristas, na verdade estamos cultivando terroristas, fazendo guerra de modo como tem feito o presidente Bush. E há outras coisas erradas. Porque isso também é usado para aumentar o poder da presidência e para solapar as próprias bases da democracia nos Estados Unidos, que se fundamenta na divisão de poderes entre executivo, legislativo e judiciário. Tem sido usado para suprimir a crítica, que é o fundamento de uma sociedade aberta. Portanto, é uma aberração que tem causado enorme dano à situação dos norte-americanos no mundo e tem causado enorme dano ao mundo

sempre há preocupação com mercados financeiros, porque os mercados financeiros sempre se entregam a bolhas e a excessos. Excessos de otimismo e excessos de pessimismo. Portanto, é algo que jamais se deve esquecer, digamos. E está certo preocupar-se com isso. Mas as pessoas, de modo geral, tornaram-se algo obcecadas com a economia e a prosperidade, e esqueceram alguns dos próprios alicerces da civilização, de fato, e a importância de estarem preocupados com uma vida política saudável. Há, realmente, uma expansão da corrupção, e creio que muita gente está desiludida com a democracia. Eu fui criado e sofri em outros regimes totalitários, e estou muito preocupado que, a menos que se esteja realmente preocupado em defender os valores de uma sociedade aberta, essa sociedade aberta não sobreviverá. E essa é realmente minha principal preocupação.

Karl Popper, sobre a televisão. O senhor deve ter lido esse livro. Ele diz no título: “a televisão é um perigo para a democracia”

A sociedade aberta, agora, tornou-se muito vulnerável, porque as técnicas de logro foram aprimoradas, como resultado da ciência cognitiva. Há meios de se apelar às emoções das pessoas, sem que as pessoas tenham consciência disso. E há aqueles que, muito conscientemente, sabem usar essas técnicas. Isso deixa o público realmente exposto, quase indefeso. Esse é um problema real, é claramente visível nos Estados Unidos e é válido em outros lugares também. Como lidamos com isso? Isso pode, realmente, solapar a sociedade aberta. Portanto, temos de reafirmar nossa crença na importância da realidade. E temos de rejeitar, conscientemente, as tentativas de manipulá-la.

Tudo que temos de fazer, nos Estados Unidos, é considerar os resultados da guerra contra o terror, porque foi uma tentativa mais bem-sucedida de manipular a opinião pública. Bush, de fato, conseguiu todo o apoio que queria. No entanto, os resultados são desastrosos.

aí creio que a mídia tem um papel a desempenhar, porque a mídia é uma das instituições que mantêm viva a sociedade aberta, pelo exercício da crítica. Durante cerca de 18 meses, abrimos mão desse papel, porque as pessoas tinham medo de ser tidas como não patriotas. E veja os terríveis resultados.

Esse é o problema da política. E os cientistas sociais, sendo cientistas, de algum modo não perceberam que, na política, a razão não visa a entender a realidade. Ela visa, sim, a convencer e manipular as pessoas. [...] a função manipuladora. Realmente, desde que escrevi meu último livro, percebi que cometi um erro. Não considerei isso: que a função manipuladora é, na verdade, a função dominante na política. E temos de nos proteger contra ela, se quisermos manter uma sociedade aberta.

Os resultados não foram os que eu esperava. No total, digamos, a Rússia, onde gastei milhões de dólares, está se transformando em uma nova forma de autocracia. Chamemos de uma falsa democracia petro-autoritária. Portanto, não alcançou os resultados que eu esperava, mas, ainda assim, os investimentos valeram muito a pena, porque, quando se defendem certos princípios, não se faz isso para ser bem-sucedido, faz-se porque se acredita nesses princípios.

É óbvio que um homem não faz grande diferença, no fim. O efeito que tenho tido é, principalmente, por meio de apoio a pessoas em vários países que defenderam esses princípios. Eu lhes dei apoio. Reunindo tudo, está fazendo alguma diferença. E há áreas onde, efetivamente, se concretizam melhorias. Vou lhe dar um exemplo. Há o curso dos recursos, ou seja, há países que são ricos em recursos naturais, mas o povo é tão pobre quanto o de países menos contemplados, por causa de um mau governo, por causa de corrupção, por causa de guerra civil freqüente etc. Então, o que se pode fazer a respeito? Esse tem sido, historicamente, o caso. Na África, quando se vê Sudão, Angola etc, na verdade, pode-se fazer algo. Primeiro, pela transparência, ou seja, estabelecer de onde vem todo o dinheiro e para onde vai. E, então, comprometer os governos com certos padrões de comportamento. Isso se transformou em um movimento. Começou, houve uma campanha, em 2003: “Divulgue o que você paga”. E isso, então, se desenvolveu e um grande progresso se fez. Em países como a Nigéria, em que tradicionalmente há muita corrupção, eles divulgaram, mesmo, que capitais foram recebidos e o público podia perguntar, então, aonde fora o dinheiro. E vários governadores sofreram impeachment. Portanto, esse é um exemplo da mudança positiva que se pôde obter.

Justamente porque somos imperfeitos, somos capazes de melhoria infinita. E, a meu ver, na verdade, é até preferível ser imperfeito. Seria muito tedioso viver em um mundo perfeito, com pessoas perfeitas. Isso é vida.

é preciso proteger o mercado de concentração excessiva de poderes. Portanto, há espaço para política e os mercados não podem fazer isso sozinhos. E nisso, provavelmente, é que me diferencio do Fórum Social [Mundial], que, de algum modo, talvez queira abolir o capitalismo, abolir a globalização. Eu, na verdade, creio na globalização, creio que trouxe benefícios, criou problemas, e creio que devemos cuidar dos problemas e fazer a globalização funcionar melhor.

Ao mesmo tempo, é interessante, os poderes coloniais aprenderam com os erros e agora tentam corrigir esses erros na África. A China pode se unir ao Ocidente e, de fato, trabalhar para reduzir a pobreza na África. Não está fazendo isso, é interessante, mas ela poderia ser convencida, seria interesse dela, seria nosso interesse e, claro, seria interesse da África.

Mais recentemente, tem havido um certo cerceamento da liberdade de expressão, da mídia etc. E aí, creio, estão sementes de problemas sérios. Se e quando houver uma crise capitalista, ela irá derrubar o governo, porque não há mecanismos pelos quais o descontentamento possa se expressar. Agora, há grandes números, muitos protestos acontecendo em escala bem pequena, que na verdade são reprimidos. Se e quando as condições econômicas deteriorarem-se, então, pode-se ter agitação social. Esse é um perigo. E, quando tive uma espécie de reconciliação com as autoridades chinesas, em 2001, convidaram-me para fazer uma palestra, e foi isso que eu disse a eles: que devem usar essa prosperidade econômica para introduzir uma sociedade mais aberta, liberdade de expressão etc.

sou favorável tanto à supervisão e ao controle dos mercados para evitar que cheguemos a extremos. O modo de fazê-lo, não creio que seja encontrando um bode expiratório, como os fundos de hedge, mas, por exemplo, controlando o fluxo de crédito. Porque, basicamente, os fundos hedge usam crédito. E se controlar ou, de certo modo, monitorar o crédito e, depois, é necessário controlá-lo, então, creio que se fará o que é certo.

as taxas de juros no Brasil estão altas demais; deveriam ser mais baixas.

Na verdade, há um mercado financeiro global assimétrico, porque há o euro, que na verdade flutua livremente, e há o renminbi [moeda chinesa] e o iene [japonês], que não flutuam, e ainda o won coreano. Então, uma grande parte do mundo está amarrada ao dólar e a outra parte está separada. E isso não permite o tipo de ajustes monetários que deveriam ocorrer para levar as coisas a um equilíbrio melhor. Isso é uma fonte potencial de problemas.

Paulo Markun: Senhor Soros, o nosso tempo acabou, e eu vou fazer uma última pergunta que, com certeza, poderia gerar um programa inteiro, mas que eu acho que tenho que fazer: o que levou o senhor a buscar ganhar tanto dinheiro ao longo da vida?

George Soros: Bem, eu não queria, eu estava procurando a verdade e achei o dinheiro [muitos risos].

Paulo Markun: Eu espero que aqui a gente tenha ido buscar o dinheiro e tenha encontrado um pouco de verdade. Obrigado pela sua entrevista

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Outras Frases e Pensamentos de George Soros:

Crimes requerem trabalho policial, não ação militar.

A principal diferença entre mim e as pessoas que acumularam esse tanto de dinheiro, é que primeiramente sou interessado em idéias, e não tenho muito uso pessoal para o dinheiro. Mas eu odeio pensar no que aconteceria se eu não tivesse dinheiro: Minhas idéias não teriam muito apelo.

No nível pessoal, sou uma pessoa muito crítica que procura defeitos em si mesma e nos outros. Mas, apesar de ser crítico, também sei perdoar. Eu não poderia reconhecer meus erros, se eu não pudesse perdoá-los. Para outros, reconhecer-se errado é motivo de vergonha; para mim, reconhecer meus erros é motivo de orgulho. Apenas quando reconhecemos que a imperfeição é uma condição humana, que não é vergonha estar errado, mas sim em falhar em corrigir nossos erros.

Existe muitos méritos à economia internacional e aos mercados globais, mas não é o suficiente, porque os mercados não olham as necessidades sociais. Mercados são projetados para permitir indivíduos buscarem suas necessidades particulares e lucro. É uma grande invenção e não subestimo o valor disso, mas não estão projetados para cuidar das necessidades sociais.

Eu defendo uma aliança dos estados democráticos, com um duplo propósito. Promover o que chamo de sociedade aberta e estabelecer leis e instituições globais.

Precisamos manter a lei e a ordem. Precisamos manter a paz no mundo. Precisamos proteger o meio-ambiente. Para isso é necessário um certo grau de justiça social e de igualdade de oportunidades.

Eu poderia ter sido morto pelos nazistas. Poderia ter minha vida desperdiçada pelos comunistas. Então, é o que leva para essa idéia de sociedade aberta. Essa idéia é a que me motiva.

Um jeito de fazer isso, sem violar a soberania, é através de ações contrutivas - reforçando e incentivando países que se movem nessa direção de uma sociedade aberta, de uma economia de mercado, etc. É isso que defendo.

Uma sociedade aberta está sempre em perigo. É preciso constatemente reafirmar seus princípios para que sobreviva.


Livros do George Soros

Ainda não li nenhum, mas tão na minha lista ;)



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1 comentários:

Aneth Representation disse...

Fiquei encantada com esse cantinho, já fiz duas postagem de seu vídeo no meu blog no começo e no final. Tenho uma comunidade no Orkut dos desaparecidos com fotos e no blog tb. Já estou te seguindo no Twitter e no Blog, siga o meu também são esses link...
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