30.8.10

Livro "A Nascente", Ayn Rand (The Fountainhead) - MEU FAVORITO! - parte 2

Link para a 1ª Parte:
Ayn Rand - Ilustração por Nick Gaetano

Na Parte 1 eu disse que esse livro me deu respostas, confiança, ânimo. Fez com que eu entendesse melhor como o mundo funciona. É o meu livro favorito sem dúvida.

Uma das coisas que chocam quem a lê é a apologia ao egoísmo. Mas não é no sentido comum: uma pessoa que não gosta de ninguém, que não compartilha nada com ninguém. Mas sim, no sentido de pensar pela própria cabeça, de ser independente, de agir pelos seus próprios valores e motivações, e não por coerção.

Quem escreve um livro como A Nascente não pode ser chamada de egoísta no sentido perjorativo. E quem lê o livro percebe que o protagonista, apesar de ser chamado de egoísta, é a pessoa mais generosa na história.

Veja abaixo um trecho dos rascunhos preliminares da Ayn Rand para o livro A Nascente:

Howard Roark - O homem como o Homem deve ser. Auto-suficiente, autoconfiante, a razão incorporada, a alegria de viver personificada. Acima de tudo, um homem que vive para si próprio, da forma como viver para si próprio deve ser entendida. E que triunfa completamente. Um homem que é aquilo que deve ser.

[...] Ele não sofre, porque não acredita em sofrimento. Derrotas e desapontamentos são apenas parte da batalha [...]

Ele será ele mesmo a qualquer custo - a única coisa que realmente quer da vida. E, no fundo, sabe que tem a habilidade para obter o direito de ser ele mesmo. Consequentemente, a sua vida é clara, simples, satisfatória e alegre [...]

Ele está em conflito com o mundo de todas as formas possíveis - e em completa paz consigo mesmo. E a diferença principal entre ele e o mundo é que ele nasceu sem a habilidade de levar os outros em consideração. Como uma questão de forma e necessidade de seu percurso, como em encontros entre companheiros de viagem - sim. Como uma consideração básica e primária - não.

[...] A história é a história de triunfo de Howard Roark [...] um épico triunfante do espírito humano.

O livro A Nascente foi escrito em 1935 e demorou 7 anos para ser concluído. Foi rejeitado por 12 editoras e finalmente publicado em 1943. Nos 2 anos seguintes, o boca-a-boca tornou-o um grande best-seller.

Ela tem outras obras interessantes, que estou pilhadaço para ler:

Atlas Shrugged, For The New Intellectual, Philosophy - Who Needs It, We The Living, Anthem, The Early Rand, Three Plays, Capitalism - The Unknown, The Art of Fiction, The Art of Non-Fiction, The Romantic Manifesto, Night of Januray 16th, Sense of Life, Virtue of Selfishness, entre outros.


Também tem a biografia The Passion of Ayn Rand da Barbara Branden. Foram grandes amigas, mas romperam a amizade por causa de uns rolos com o Nathaniel Branden. :-P

Esse livro virou filme e assisti. Nada demais. Para quem é fã, é bacana.


A obra mais importante de Ayn Rand é o Atlas Shrugged (A Revolta de Atlas, também publicado como 'Quem é John Galt?') e contém as principais idéias do Objetivismo, a filosofia criada por Ayn Rand.

Como vi em alguns blogs e alguns amigos avisaram nos comentários, será lançado em português agora em Setembro/2010 pela Editora Sextante. (Vou comprar um para mim, óbvio). Em 2011 está previsto sair no cinema, o primeiro filme de uma série de 4 (as gravações estão tendo vários problemas, tomara que o filme fique bom).

Atlas na mitologia carrega o mundo nas costas. O livro conta a história sobre um EUA fictício onde o governo aplica leis para impedir a inovação e obrigando empresas bem-sucedidas a sustentarem as fracas, assegurando que todos tenham participação no mercado.

A mediocridade começa a se aproveitar e os melhores empresários, artistas, pensadores, cientistas.. decidem se isolar da sociedade, não querem sustentar os acomodados, entram em greve e o caos se instala.


Recomendo TOTALMENTE ler A Nascente da Ayn Rand. Deveriam recomendá-lo no ensino médio, mas enquanto se é vivo nunca é tarde. No Brasil principalmente, se esse livro fosse tão famoso quanto é nos EUA, as coisas seriam muito melhores por aqui.

Recentemente (AGO/2010) um norte-americano escreveu a maior mensagem do mundo, viajando de carro com um GPS e registrando o caminho no Google Earth. Imagine a minha surpresa quando vi:

"Leia Ayn Rand"
hahaha assino embaixo! ;)



Clique aqui para ver os Melhores Trechos!
Parte 3 e 4 do livro (parte 1 e 2 no post anterior)
Parte 3

Ele [...] era correto demais, de uma maneira que era quase uma sátira deliberada do ser correto.

Leu por algumas horas. E então parou. Parou de repente, sem razão, no meio de uma sentença importante. Não tinha nenhuma vontade de continuar lendo. Não tinha nenhuma vontade de jamais fazer outro esforço [...] Largou o livro e levantou-se. Não tinha nenhuma vontade de permanecer onde estava; não tinha nenhuma vontade de sair dali. Pensou que deveria ir dormir.

Gail Wynard não era bom em acatar ordens. Ele não reconhecia nada além da precisão do seu próprio julgamento.

Era inútil. Não estavam lutando contra um homem. Estavam lutando contra uma vontade humana sem corpo.

Era como usar um rolo compressor para passar lencinhos. Mas ele apertava os dentes e se concentrava no trabalho [...] Ouviu e viu coisas que lhe deram imunidade contra o espanto para o resto da vida. Fazia um esforço máximo e aprendeu a ficar calado, a ficar no lugar como os outros descreviam como seu lugar, a aceitar a incompetência como seu chefe - e a esperar. Ninguém jamais o ouvira falar sobre o que sentia. Ele sentia muitas emoções sobre seus semelhantes, mas respeito não era uma delas.

Aprendera a ler e escrever sozinho [...] fazendo perguntas. Lia tudo que encontrava. Não podia tolerar o inexplicável. Tinha de entender tudo que qualquer um soubesse [...] Ninguém precisava jamais explicar-lhe qualquer coisa duas vezes. Aprendeu seus primeiros conceitos matemáticos com os engenheiros que instalavam canos de esgoto. Aprendeu Geografia com os marinheiros no porto. Aprendeu sobre civismo com políticos em um bar local que era ponto de gângsteres.

Tinha treze anos quando decidiu checar como era a educação [...] Mas a energia de sua vontade era desperdiçada: em uma semana, percebeu que não precisava fazer nenhum esforço para ser o primeiro da classe [...] Ele ficava sentado, persistentemente, durante horas que se arrastavam como correntes, enquanto a professora repetia, revisava e repassava, suando para arrancar alguma faísca do intelecto dos olhos vazios [...]

[...] frequentemente ia caminhar nas melhores ruas da cidade. Ele não sentia nenhuma amargura com relação ao mundo da riqueza, nenhuma inveja nem nenhum temor. Simplesmente tinha curiosidade, e sentia-se tão à vontade na Quinta Avenida como em qualquer outro lugar [...] Por enquanto ele não queria nada, apenas compreender.

Queria saber o que tornava essas pessoas diferentes das que viviam em seu bairro. Não eram as roupas, as carruagens ou os bancos que chamavam a sua atenção. Eram os livros [...] As pessoas do seu bairro não liam livros.

[...] Passou por uma agonia silenciosa, tentando lê-lo até o final. Chegou ao fim do livro. Entendeu um quarto do que leu. Mas esse foi o início de um processo que ele seguiu com uma determinação sistemática, com toda a sua energia. Sem aconselhamentos, ajuda ou um plano, começou a ler uma seleção incongruente de livros. Quando se deparava com um trecho que não conseguia entender em um livro, arranjava outros sobre o mesmo assunto. Diversificou suas leituras desordenadamente, em todas as direções [...] Não havia nenhuma ordem em sua leitura, mas havia ordem no que permaneceu em sua mente.

Gail Wynard, que se orgulhava de nunca precisar da mesma lição duas vezes, não se apaixonou outra vez nos anos seguintes.

Suas manchetes enormes, fotos berrantes e textos exageradamente simplificados atingiam os sentidos e entravam na consciência das pessoas sem nenhuma necessidade de um processo intermediário racional, como se fosse um alimento injetado pelo reto, sem precisar ser digerido.

O esforço que ele exigia de seus funcionários era difícil de executar; o esforço que exigia de si mesmo era difícil de acreditar [...] não tirava nada para si mesmo [...] gastava tudo na Manchete.

Ele olhou fogo na lareira. Isso é que fazia um homem feliz, ficar sentado olhando sonhadoramente para o fogo, para a sua própria lareira, na sua própria casa; é isso que ele havia ouvido e lido. Ele olhou fixamente para as chamas, sem piscar, para forçar-se a obedecer cegamente a uma verdade já estabelecida. ‘Só mais um minuto assim e vou me sentir feliz’ ele pensou, concentrando-se. Não aconteceu nada [...] Por que não conseguia convencer a si mesmo? Ele tinha tudo que sempre quisera [...] Quantas pessoas lutavam e sofriam para alcançar o que ele havia alcançado? Quantas sonhavam, sangravam e morriam para isso, sem conseguirem alcançá-lo?

Os Palmers te chateiam e os Eddington te esnobam. Mas você tem que agradar pessoas que você despreza para impressionar pessoas que desprezam você.

É isso o que todo mundo faz. É para isso que todo mundo vive.

- [...] é como a morte. Você não é real. É apenas um corpo [...] Você entende o que é a morte? Quando um corpo não pode mais se mexer, quando não tem... não tem nenhuma vontade, nenhum significado [...] Bem, o seu corpo se mexe - mas é só isso. A outra parte, a coisa dentro de você [...] a sua alma. A sua alma não existe. Nenhuma vontade, nenhum significado. O que você realmente é não existe mais [...]
- Então, há duas coisas das quais não podemos abrir mão: nossos pensamentos e nossos desejos?
- Sim! Você entende! Então, você percebe, você é como um cadáver para todos à sua volta. um tipo de morte ambulante [...] Você não está aqui, Dominique. Não está viva. Onde está o seu eu?
- Onde está o seu Peter? [...] Minha verdadeira alma, Peter? Ela é real somente quando é independente [...] Mas você nunca quis isso. Você queria um espelho. As pessoas não querem nada além de espelhos à sua volta. Para refletí-las ao mesmo tempo em que também refletem. Você sabe, como a infinidade sem sentido que surge de dois espelhos de frente um para o outro [...] Reflexos de reflexos e ecos de ecos. Sem começo e sem fim. Sem centro e sem propósito. Eu te dei o que você queria. Eu me tornei o que você é, o que os seus amigos são, o que a maioria da humanidade está ocupada sendo - mas sem adornos. Não andei por aí declamando críticas literárias para esconder minha opinião vazia; eu disse que não tinha opinião. Não peguei desenhos emprestados para esconder minha impotência criativa; eu não criei nada. Não fiquei dizendo que a humanidade é uma concepção nobre e que a unidade é o objetivo principal da humanidade; eu apenas concordei com todo mundo.

Dizem que a pior coisa que se pode fazer a um homem é matar seu respeito próprio. Mas não é verdade. Respeito próprio é algo que não pode ser morto. A pior coisa é matar a ilusão de respeito próprio de um homem.

É extremamente cruel ser honesto.

- Você nunca se sentiu pequeno ao olhar para o oceano.
Ele riu.
- Nunca. Nem ao olhar para os planetas. Nem para os picos das montanhas [...] Por que deveria? Quando olho para o oceano, sinto a grandeza do Homem. Penso na capacidade magnífica do Homem que criou este barco para conquistar todo esse espaço sem sentido [...] É interessante especular sobre as razões que tornam os homens ansiosos para rebaixarem a si mesmos. Como naquela idéia de se sentir pequeno diante da natureza [...] Você já notou como um homem se sente virtuoso quando fala sobre isso? [...] esse não é o espírito que controlou o fogo, o vapor, a eletricidade, que atravessou oceanos em barcos à vela, que constriu aviões e represas... e arranha-céus. O que é que eles temem? [...] E por quê?
- Quando eu encontrar a resposta para isso - disse ela - farei as pazes com o mundo.

Keating não bebeu muito. Pagou tudo. Pagou mais do que o necessário. Deu gorjetas exorbitantes. Ele não parava de perguntar:
- Nós somos amigos... não somos amigos? Não somos?

Ele nunca havia tocado no corpo dela, mas o havia possuído mais profundamente do que se houvesse tocado nele quando fizera a estátua dela, e isso havia criado um sentimento especial entre eles, que não conseguiam perder.

Eu penso, com frequência, que ele é o único de nos que atingiu a imortalidade. Não quero dizer em termos de fama, nem quero dizer que ele não vai morrer algum dia. Mas ele está vivendo como se fosse imortal. Acho que ele é o que a concepção realmente significa. Você sabe como as pessoas anseiam serem eternas. Mas elas morrem a cada dia que passa. Quando você se encontra com elas, elas não são como na última vez em que você as viu. A qualquer hora, elas matam uma parte de si mesmas. Elas mudam, negam, contradizem - e chamam a isso de crescimento. No final, não resta nada, nada que não tenha sido revertido ou traído, como se nunca tivesse havido nenhuma entidade, apenas uma sucessão de adjetivos aparecendo e desaparecendo em uma massa não formada. Como elas podem esperar uma permanência que nunca possuíram, nem por um único momento?

Ele estava soznho e não havia necessidade de fingir nada. Estava deitado na cama, de costas, com os braços abertos, impotente.

Ela é a pessoa mais desenfreada que eu conheço.

Ele estava olhando para o outro lado da rua. Ele não havia mudado. Havia nele um antigo senso de leveza, de facilidade de movimento, de ação, de pensamento. Ela disse, sua sentença sem começo nem fim:
- ... fazendo prédios de cinco andares pelo o resto da vida...
- Se necessário. Mas eu não acho que vai ser assim.
- O que você está esperando?
- Não estou esperando.

Não tenho nenhuma resposta para lhes dar, Howard. Vou deixar que você os enfrente. Você lhes responderá. A todos eles, os jornais Wynard, o que torna possível a existência dos jornais Wynard e o que está por trás de tudo isso.

- Até... quando, Roark?
A mão dele descreveu um arco sobre as ruas.
- Até você parar de odiar tudo isso, parar de ter medo de tudo isso, aprender a não reparar em nada disso.

[...] sua calma contendo a mesma qualidade peculiar composta de duas coisas: o controle maduro de um homem tão seguro de sua capacidade de se controlar [...] e uma simplicidade infantil em aceitar os fatos

[...] intocado por esses convidados que haviam vindo até aqui impulsionados pelo tédio, por um ódio invejoso, uma submissão relutante a um convite que continha seu nome perigoso, uma curiosidade faminta por escândalo.

Sentiu a reação em seu corpo, a reação do apetite, da aceitação, do prazer. Pensou que não era uma questão de desejo, nem mesmo uma questão de ato sexual, mas apenas que [...] este homem tinha a vontade da vida [...] e ela estava reagindo não ao ato nem ao homem, mas àquela força dentro dele.

Não é nada que tenha entrado nele, Alvah. É algo dentro dele que se libertou

Aquela história da vida da dona de casa do Bronx que assassinou a jovem amante de seu marido é bastante sórdida, Gail. Mas acho que existe algo mais sujo: a curiosidade das pessoas que se interessam por esse tipo de curiosidade.

Havia silêncio na platéia, confuso e humilde. Quando alguém ria, o resto ria junto, com alívio, felizes por descobrir que estavam se divertindo

[...] sempre houvera um Deus e um Demônio, só que os homens haviam se equivocado muito sobre as formas de seu Demônio: ele não era único e grande, eram muitos e indecentes e pequenos.

- Quantos anos você tem, Gail? Quanto trabalhou? Mais da metade da sua vida já passou, mas você viu a sua recompensa, esta noite [...] se você se empenhar e fizer um grande esforço, algum dia se elevará até conseguir atingir o nível daquela peça! [...]
- Se você quer ouvir, a peça me enojou. Como você sabia que aconteceria.

- Porque foi isso que eu senti esta noite. Traição.
- Em relação a quem?
- Não sei. Se fosse religioso, eu diria ‘a Deus’. Mas não sou religioso.

Sabe pelo que você é apaixonada, na verdade? Pela integridade [...] O limpo, consistente, razoável, fiel a si mesmo [...] como uma obra de arte. Mas você quer que ela seja de carne e osso.

Parte 4

Havia acabado de obter seu diploma universitário [...] e queria decidir se a vida valia a pena ser vivida. Não sabia que era essa a pergunta que tinha em mente. Não pensava em morrer. Pensava apenas que desejava encontrar alegria, razão e significado na vida, e que nenhum deles lhe havia sido oferecido, em nenhum lugar.

Não gostara do que lhe haviam ensinado na faculdade. Ensinaram-lhe muito a respeito de responsabilidade social, a respeito de uma vida de serviço e auto-sacrifício. Todos disseram que isso era lindo e inspirador. Mas ele não havia se sentido inspirado. Não havia sentido absolutamente nada.

Ele não conseguia dar nome ao que queria da vida. Sentia-o aqui, nesta solidão selvagem [...] Sentia raiva por encontrar a exaltação somente em uma região desabitada, e porque tinha de perder esse grande senso de esperança quando voltasse aos homens e ao trabalho dos homens. Pensou que isso não estava certo; que o trabalho do Homem deveria ser um passo mais elevado, um aperfeiçoamento da natureza, não uma degradação. Ele não queria desprezar os homens; queria amá-los e admirá-los. Mas temia a visão da primeira casa, salão de sinuca e pôster de filme que encontraria no seu caminho.

Sempre quisera compor músicas, e não podia atribuir nenhuma outra identidade àquilo que buscava. Se quiser saber o que é, dizia a si mesmo, escute as primeiras frases do Concerto nº 1 de Tchaikovsky [...] As pessoas não encontraram palavras para descrevê-lo, nem o ato nem o pensamento, mas encontraram a música. Deixe-me ver isso em um único ato do Homem na Terra. Deixe-me vê-lo tornar-se realidade. Deixe-me ver a resposta à promessa daquela música. Não servos nem aos que são servidos, não altares e sacrifícios [...] Não me ajude nem me sirva [...] Não trabalhem pela minha felicidade, meus irmãos - mostrem-me a sua, mostrem que é possível, mostrem a sua conquista, e o conhecimento me dará coragem para buscar a minha.

[...] Seus pés tocaram no chão, brecando seu movimento. Ele parou e abriu os olhos. Ficou imóvel [...] Havia muitas casas, eram pequenas, isoladas e diferentes umas das outras. Contudo eram como variações de um único tema, como uma sinfonia tocada por uma imaginação inesgotável, e ainda era possível ouvir o riso da força que fora liberada sobre elas, como se essa força houvesse corrido, desenfreada, desafiando a si mesma a ser exaurida, mas nunca se esgotando. Música, pensou ele, a promessa da música que ele invocara, seu sentido tornando-se realidade - lá estava ela, diante de seus olhos [...]
- Aquilo não é real, é? - perguntou o rapaz, apontando para baixo.
- Ora, é sim, agora - respondeu o homem.
- [...] Quem o construiu?
- Fui eu.
- Qual é o seu nome?
- Howard Roark.
- Obrigado. - disse o rapaz.
[...] Roark fitou-o afastando-se. Nunca vira esse rapaz antes e nunca mais o veria outra vez. Ele não sabia que dera a alguém a coragem para enfrentar uma vida inteira.

São preciso dois para criar uma grande carreira: o grande homem, e o homem - quase mais raro ainda - que é grande o suficiente para enxergar a grandeza e dizê-lo.

A maioria das pessoas constrói da mesma forma como vive: como uma questão de rotina e um acaso sem razão. Mas alguns poucos entendem que construir é um grande símbolo. Nós vivemos em nossas mentes, e existência é a tentativa de trazer essa vida para a realidade física, para declará-la em gesto e forma. Para o homem que entende isso, a casa que ele possui é uma declaração de sua vida. Se ele não constrói, mesmo tendo os meios, é porque sua vida não foi o que ele queria.

[...] quero que você saiba que eu respeito muito pouco na vida, mas respeito as obras na minha galeria, e os seus prédios, e a capacidade do Homem de produzir trabalhos como esses. Talvez seja a única religião que jamais tive.

Acho que alguns prédios são exibicionistas baratos, só fachada, e alguns são covardes, pedindo desculpas por si mesmo em cada tijolo, e alguns são os eternamente inadequados, malfeitos, mal-intencionados e falsos. Os seus prédios têm um senso acima de tudo: um senso de alegria. Não uma alegria serena, mas um tipo de alegria difícil e exigente. O tipo que faz com que uma pessoa sentir-se como se fosse uma realização experimentá-la. Nós olhamos e pensamos: ‘Se eu posso sentir isso, sou uma pessoa melhor’.

- Você começou do nada, não foi? - perguntou Wynard. - Veio de uma família pobre.
- Sim. Como você sabia?
- Simplesmente porque parece uma presunção o pensamento de lhe dar qualquer coisa: um elogio, uma idéia ou uma fortuna.

- [...] Você queria gritar, quando era jovem, ao não ver nada além de incompetência abundante ao seu redor, sabendo quantas coisas poderiam ser bem feitas, e feitas tão bem, mas sem ter o poder para fazê-las? Sem nenhum poder para estourar os crânios vazios ao seu redor? Tendo que receber ordens - e isso já é ruim o suficiente -, mas receber ordens dos seus inferiores, você já sentiu isso?
- Sim.
- Você empurrou a raiva para dentro de si, e guardou-a, e decidiu deixar-se ser despedaçado, se fosse necessário, para alcançar o dia em que dominaria aquelas pessoas, todas as pessoas e tudo ao seu redor?
- Não [...] Eu detesto a incompetência [...] Mas isso não fez com que eu quisesse dominar as pessoas. Nem ensinar-lhes nada. Fez com que quisesse fazer o meu próprio trabalho, do meu jeito

- O que é, Gail?
- Nada. Somente um sentimento de quanta coisa não tem importância, e de como é fácil viver.

Foi simples bom senso. Uma pessoa não pode colaborar em seu próprio trabalho. Eu posso cooperar, se é assim que chamam, com os operários que erguem meus prédios. Mas não posso ajudá-los a colocar os tijolos e eles não podem me ajudar a desenhar a casa.

Havia momentos em que era muito ruim. As noites, geralmente. Uma vez eu quis me matar. Não era raiva, a raiva me fazia trabalhar ainda mais. Não era medo. Era asco, Howard [...] Então, eu olhei para aquele gatinho. E pensei que ele não sabia sobre as coisas que eu detestava, nunca poderia saber. Ele estava limpo, limpo no sentido absoluto, por que não tinha nenhuma capacidade de conceber a feiúra do mundo. Não posso lhe descrever o alívio que era tentar imaginar o estado de consciência dentro daquele cérebro pequeno, tentar compartilhar dela, uma consciência viva, porém limpa e livre.

Wynard não conseguiu entender, durante muito tempo, por que o lugar lhe dava uma impressão de luxo, até que percebeu que não se notava a móbília, apenas uma extensão limpa de espaço e o luxo de uma austeridade que não fora simples de alcançar. Em valor financeiro, era o lar mais modesto em que Wynard entrara como convidado em 25 anos.

- Howard, você já teve poder sobre um único ser humano?
- Não. E eu não o aceitaria, se me fosse oferecido.

Se fosse verdade aquela lenda sobre aparecer diante de um juiz supremo e relatar os próprios atos do passado, eu ofereceria, com todo o meu orgulho, não nenhum ato que eu cometi, mas uma coisa que nunca fiz neste mundo: nunca busquei aprovação alheia. Eu me levantaria e diria: Eu sou Gail Wynard, o homem que cometeu todos os crimes, exceto o principal - o de atribuir futilidade ao maravilhoso fato da existência e buscar justificativa externa.

- Howard, você já esteve apaixonado?
Roark virou-se para olhar diretamente para ele e respondeu serenamente.
- Ainda estou.
- Mas quando anda através de um prédio, o que você sente é maior do que isso.
- Muito maior, Gail.

Eu estava pensando nas pessoas que dizem que a felicidade é impossível na Terra. Veja o quanto todos eles se esforçam para encontrar alguma alegria na vida. Veja como lutam por isso. Por que qualquer criatura viva precisa existir com dor? Em nome de que direito concebível alguém pode exigir que um ser humano exista para qualquer coisa que não seja a sua própria alegria? Cada um deles a quer. Cada parte deles a quer. Mas nunca a encontram. Por que será? Elas choramingam e dizem que não entendem o significado da vida.

Ela se sentia como se o ouvisse dizer: ‘ Por que está chocada? Você acha que estivemos realmente separados?’

[...] perguntou-se se a solenidade peculiar de olhar para o céu vem, não do que contemplamos, mas desse ato de erguer a cabeça.

Mitchell Layton herdara um quarto de bilhão de dólares e passara os 33 anos seguintes tentando pagar por isso.

Sentia algo obscuro e malicioso na maneira com que as pessoas falavam da genialidade de Prescott, como se não estivesse prestando uma homenagem a Prescott, mas cuspindo na genialidade. Pela primeira vez, Keating não podia imitar as pessoas. Estava claro demais, até para ele, que o favoritismo do público deixara de ser um reconhecimento de mérito, e que se tornara quase uma marca de vergonha.

[...] o dinheiro deixara de ser uma grande preocupação que prendesse a sua atenção. Era a inatividade que ele temia, o ponto de interrogação aparecendo indistintamente no futuro, se a rotina de trabalho lhe fosse tirada.

- Você é feliz, Petey? Não é?
Ele olhou para ela e viu que ela não estava rindo dele; os olhos estavam arregalados e assustados. E, como ele não pôde responderr, ela gritou:
- Mas você tem que ser feliz! Petey, você tem! Senão, para que eu vivi?

Se quiser que alguma coisa cresça, você não alimenta as sementes separadamente. Simplesmente espalha um certo fertilizante. A natureza faz o resto.

Bem, aquela velha: dividir e conquistar. Bem, tem suas aplicações. Mas coube ao nosso século descobrir uma fórmula muito mais potente. Unir e governar.

Howard, eu sou um parasita. Fui um parasita minha vida toda. Você desenhou os meus melhores projetos em Stanton [...] Eu me alimentei de você e de todos os homens como você que viveram antes de termos nascido. Os homens que desenharam o Parthenon, as catedrais góticas, os primeiros arranha-céus. Se eles não tivessem existido, eu não saberia empilhar pedra sobre pedra [...] Eu tomei aquilo que não era meu e não dei nada em troca. Eu não tinha nada para dar.

Você consegue esquecer o que lhe ensinaram a repetir, e pensar, pensar para valer, com o seu próprio cérebro?

Vender a alma é a coisa mais fácil do mundo. É o que todas as pessoas fazem, a cada hora da vida delas. Se lhe pedisse para não abrir mão da sua alma, você entenderia por que isso é muito mais difícil?

Peter, antes de poder fazer coisas para as pessoas, você precisa ser o tipo de homem que sabe como fazer as coisas. Mas para fazer as coisas, você precisa amar o ato de fazê-las, não as consequências secundárias. O trabalho, não as pessoas. Sua própria ação, não qualquer recipiente da sua caridade. Ficarei contente se as pessoas que precisam de uma forma melhor de viver a encontrarem em uma casa que desenhei. Mas não é esse o motivo do meu trabalho. Nem a minha razão. Nem a minha recompensa.

Peter, eu amo esse trabalho. Quero vê-lo erguido, funcionando, construído. Quero torná-lo real, vivo. Mas toda entidade viva é integrada. Sabe o que isso significa? Inteira, pura, completa, intacta [...] A única coisa que importa, meu objetivo, minha recompensa, meu início e meu fim, é o próprio trabalho. Meu trabalho feito do meu jeito.

Não faço comparações. Nunca penso em mim mesmo em relação a qualquer outra pessoa.

Egoístas não são bondosos. E você é. Você é o homem mais egoísta e o mais bondoso que conheço. Isso não faz sentido.

Eu não sabia que uma casa podia ser desenhada para uma mulher, como um vestido. Você não pode se ver aqui como eu posso, não pode ver como essa casa é completamente sua. Cada ângulo, cada parte de cada cômodo é um cenário para você.

Foi a pior coisa que fiz na vida, mas não por que a magoei. Eu a magoei de verdade, Katie, e talvez mais do que você mesma saiba. Mas essa não é a minha pior culpa... Katie, eu queria me casar com você. Foi a única coisa que eu realmente quis. E esse é o pecado que não pode ser perdoado: que eu não tenha feito o que eu queria. Parece tão sujo, fora de propósito e monstruoso [...] porque não há nenhum sentido nisso, nenhuma dignidade, não há nada além de dor, e dor desperdiçada... Katie, por que sempre nos ensinam que é fácil e maligno fazermos o que queremos e que precisamos de disciplina para nos conter? Fazer o que queremos é a coisa mais difícil do mundo, e requer o maior tipo de coragem.

Era isso que eu não conseguia entender a respeito das pessoas, durante muito tempo. Elas não têm um eu. Vivem dentro dos outros. Vivem de segunda mão, como parasitas.

Olhe para eles. O homem que engana e mente, mas preserva uma fachada respeitável. Ele sabe que é desonesto, mas os outros acham que é honesto e ele deriva seu respeito próprio dos outros, adquirindo-o de segunda mão. O homem que aceita uma conquista que não foi sua. Ele sabe que é medíocre, mas é magnífico aos olhos dos outros [...] O homem cujo único objetivo é ganhar dinheiro [...] o dinheiro é somente um meio para atingirmos algum fim. Se um homem o deseja para algum propósito [...] - para investir em sua indústria, para criar, estudar, viajar, desfrutar do luxo - ele é completamente moral. Porém [...] o que eles querem é ostentação: exibir, chocar, entreter, impressionar os outros.

Olhe para nossos ‘empreendimentos culturais’. Um palestrante que recita algum material reciclado que pegou emprestado, que não consiste de absolutamente nada e não significa absolutamente nada para ele; e as pessoas que escutam não ligam a mínima, mas ficam ali sentadas para poder dizer a seus amigos que assistiram à palestra de um nome famoso. Todos são parasitas vivendo de segunda mão [...] À custa de seu respeito próprio. No âmbito da maior importância - o âmbito dos valores, do discernimento, do espírito, do pensamento - eles colocam os outros acima de si mesmos.

É tão fácil recorrer aos outros. É difícil ser auto-suficiente. Você pode fingir virtude para uma platéia. Não pode fingí-la para si mesmo. O ego de uma pessoa é o seu juiz mais severo. Eles fogem dele. Passam a vida fugindo [...] É simples buscar subtitutos para a competência - subtitutos tão fáceis: amor, charme, bondade, caridade. Porém, não existe substituto para a competência.

É a característica mortal dos parasitas que vivem de segunda mão. Eles não têm nenhum interesse por fatos, idéias, trabalho. Só se interessam pelas pessoas. Eles não perguntam: ‘Isto é verdade?’ Perguntam: ‘Isto é o que os outros acham que é verdade?’. O mais importante para eles não é julgar, mas repetir; não é fazer, mas dar a impressão de fazer. Não a criação, mas a exibição. Não a habilidade, mas a amizade. Não o mérito, mas a influência.

O que aconteceria com o mundo sem aqueles que fazem, pensam, trabalham, produzem? [...] Não se pode pensar com o cérebro dos outros nem trabalhar com as mãos dos outros. Quando pára de usar a sua faculdade de pensamento independente, você pára de usar a sua consciência. Parar de usar a sua consciência é parar de viver.

[...] Homens sem ego. Opinião sem um processo racional. Movimento sem freio nem motor. Poder sem responsabilidade. O parasita age, mas a fonte de suas ações está espalhada em todas as outras pessoas vivas. Está em todo lugar e em lugar nenhum, e você não pode ter uma conversa racional com ele. Você é julgado por um tribunal vazio. Uma massa cega [...] eles aceitam qualquer coisa, exceto um homem que assuma uma posição independente.

Olhe para todos ao nosso redor. Você se perguntou por que eles sofrem, por que buscam a felicidade e nunca a encontram. Se qualquer homem parasse e se perguntasse se jamais teve um desejo verdadeiramente pessoal, ele encontraria a resposta. Veria que todos os seus desejos, esforços, seus sonhos, suas ambições por outras pessoas [...] Ele não consegue encontrar nenhum alegria na luta e nenhuma alegria quando é bem-sucedido. Ele não pode dizer [...] : ‘Foi isso que eu quis porque fui eu quem quis, não porque fez com que meus vizinhos olhassem boquiabertos para mim’. Então, ele se pergunta por que é infeliz [...] Nossos melhores momentos são pessoais, automotivados [...] Nem ao menos temos uma palavra para a qualidade de que estou falando, para a auto-suficiência do espírito humano. É difícil chamá-la de egoísmo ou egotismo, as palavras foram pervertidas [...] eu acho que o único mal fundamental é colocar o seu interesse primário dentro de outras pessoas.

- Eu sempre exigi uma certa qualidade nas pessoas de quem gostava [...] Agora sei o que é: um ego auto-suficiente.
- Estou feliz por você admitir que tem amigos.
- Eu até admito que os amo. Mas não poderia amá-los se eles fosse a minha razão principal de viver. Você percebe que o Peter Keating já não tem mais um único amigo? Entende por quê? Se uma pessoa não respeita a si mesma, não pode ter nem amor nem respeito pelos outros [...] Se este barco estivesse afundando, eu daria a minha vida para te salvar. Não por que seja qualquer tipo de dever. Somente por que eu gosto de você, por meus próprios motivos e padrões. Eu poderia morrer por você. Mas não poderia viver, e não viveria, por você.

[...] Eu não mencionei o pior tipo de parasita de todos: o homem que busca o poder.

Fui eu que te destruí, Peter. Desde o começo. Por ajudá-lo. Há questões sobre as quais uma pessoa não deve pedir ajuda e nem dá-la. Eu não deveria ter feito os seus projetos em Stanton.

- Pelos meus cálculos atuais, minha fortuna pessoal chega a quarenta milhões de dólares. Deve ser o suficiente para contratar qualquer advogado que você queria ou a profissão inteira.
- Eu não vou usar um advogado.
- Howard!

Nada disso era muito claro, mas ninguém se importava muito com o motivo. A questão era simples: um homem contra muitos. Ele não tinha nenhum direito a um motivo [...] Contra isso, um homem que não desejava servir nem governar.

A debutante fazendo as unhas dos pés, a dona de casa comprando cenouras de um vendedor ambulante, o contador que desejara ser pianista, mas que tinha a desculpa de ter que sustentar a irmã, o homem de negócios que odiava seu negócio, o trabalhador que odiava seu trabalho, o intelectual que odiava todo mundo - estavam todos unidos como irmãos no luxo de uma raiva comum que curava o tédio e fazia cada um deles ficar fora de si, e cada um deles sabia muito bem a bênção que era ficar fora de si.

Vamos parar e pensar por um momento. O sacrifício é uma virtude? Um homem pode sacrificar sua integridade? Sua honra? Sua liberdade? Seu ideal? Suas convicções? A honestidade de seus sentimentos? A independência de seus pensamentos? Mas esses são os bens supremos de um homem. Qualquer coisa da qual ele abra mão em favor desses bens não é sacrifício, mas uma barganha fácil [...] não deveríamos, então, parar de pregar absurdos perigosos e malignos? Sacrificar o próprio eu? Mas é precisamente o eu que não pode e não deve ser sacrificado. É o eu não sacrificado que devemos respeitar no Homem, acima de tudo.

A ele foi concedido o impossível, o sonho de todos os homens: a oportunidade e intensidade da juventude, para serem usadas com a sabedoria da experiência. Um recomeço e um clímax, juntos. Eu esperei e vivi, pensou ele, por isto.

- Sejam quais forem os fatos - explicou Wynard à sua equipe - este não será um julgamento baseado em fatos. É um julgamento baseado na opinião pública.

A Manchete publicou uma série de julgamentos famosos, em que homens inocentes haviam sido condenados pelo preconceito que a maioria possuía na época. A Manchete publicou artigos sobre homens torturados pela sociedade: Sócrates, Galileu, Pasteur, os pensadores, os cientistas, uma sequência longa e heróica - cada um deles um homem que pensava e agia sozinho, o homem que desafiava os homens.

Há ocasiões, Alvah, em que as questões em jogo não são, absolutamente, os fatos aparentes. E a reação do público parece toda fora de proporção, mas não é.

É só uma questão de descobrir a alavanca. Se aprender a dominar a alma de um único homem, você consegue pegar o resto da humanidade. É a alma, Peter, a alma. Não chicotes, nem espadas, nem fogo, nem armas. Foi por isso que os Césares, os Átilas, os Napoleões foram tolos e não duraram. Nós duraremos. A alma, Peter, é aquilo que não pode ser dominado. Tem que ser destruída [...]

Há muitas maneiras. Aqui vai uma: Faça o homem se sentir insignificante. Faço-o se sentir culpado. Mate suas aspirações e sua integridade. Isso é difícil, mesmo o pior entre vocês, procura, tateando no escuro, um ideal, do seu próprio jeito distorcido. Mate a integridade através da corrupção interna. Use-a contra a si mesma. Direcione-a para um objetivo que destrua toda a integridade. Pregue a abnegação. Diga ao homem que ele deve viver para os outros [...] Sua alma abre mão do respeito próprio. Você o tem. Ele obedecerá. Ficará contente de obedecer, porque não pode confiar em si mesmo, sente-se inseguro, sente-se impuro. Essa é uma maneira. Aqui vai outra: Mate o senso de valores do homem. Mate a sua capacidade de reconhecer a grandeza ou de atingí-la. Grandes homens não podem ser dominados. Não queremos nenhum grande homem. Não negue o conceito de grandeza. Destrua-o por dentro. O grande é o raro, o difícil, o excepcional. Estabeleça padrões de realização abertos a todos, aos piores, aos mais inaptos, e você paralisa o ímpeto de esforço em todos os homens, grande ou pequenos. Você paralisa todo o incentivo ao progresso, à excelência, à perfeição. Ria de Roark e defenda Peter Keating como um grande arquiteto [...]

Venere a mediocridade, e os santuários estarão arrasados. E há outra maneira. Mate através do riso. O riso é um instrumento de alegria humana. Aprenda a usá-lo como uma arma destruidora. Transforme-o em um riso de menosprezo. É simples. Diga-lhes para rirem de tudo. Diga-lhes que um senso de humor é uma virtude ilimitada. Não deixe que nada permaneça sagrado na alma de um homem, e a sua própria alma não será sagrada para ele. Mate a veneração e você terá matado o herói no homem. Não se venera com risadinhas. Ele obedecerá e não imporá nenhum limite à sua obediência - vale tudo - nada é sério demais.

Aqui vai outra maneira. Isto é extremamente importante. Não permita que os homens sejam felizes. A felicidade é independente e auto-suficiente. Homens felizes não têm tempo nem utilidade para você. Homens felizes são homens livres. Portanto, mate a alegria deles de viver. Tire deles o que quer que seja precioso ou importante para eles. Nunca deixe que tenham o que querem. Faça com que sintam que o mero fato de um desejo pessoal é maligno. Leve-os a um estado em que dizer ‘Eu quero’ não é mais um direito natural, mas uma confissão vergonhosa.

Os homens infelizes virão até você. Precisarão de você. Virão buscando consolo, apoio, fuga, A natureza não permite nenhum vácuo. Esvazie a alma do homem e o espaço será seu para preencher [...] Amarramos felicidade à culpa. E pegamos a humanidade pelo pescoço [...]

Se usarmos a razão, fica claro que onde há sacrifício, há alguém coletando as oferendas sacrificiais. Onde há serviço, há alguém sendo servido. O homem que lhe fala de sacrifício, fala de escravos e donos. E tem a intenção de ser o dono. Mas se ouvir um homem lhe dizer que deve ser feliz, que esse é o seu direito natural, que seu primeiro dever é para consigo mesmo, este é o homem que não quer a sua alma. É o homem que não tem nada a ganhar de você [...]

Mas aqui você pode ter notado uma coisa. Eu disse: ‘Se usarmos a razão’. Você percebe? Os homens têm uma arma contra você. A razão. Portanto, você precisa certificar-se completamente de que a tirará deles. Corte os alicerces que a sustentam. Mas tenha cuidado. Não a negue completamente [...] Não diga que a razão é maligna - embora alguns tenham até chegado a fazer isso, e com um sucesso surpreendente. Apenas diga que a razão é limitada. Que há algo acima dela. O quê? Não precisa ser claro a respeito disso, tampouco. O campo é inesgostável. ‘Instinto’, ‘Sentimento’, ‘Revelação’, ‘Intuição Divina’, ‘Materialismo Dialético’. Se for pego em algum ponto crucial e alguém lhe disser que a sua doutrina não faz sentido, você estará preparado. Você responde que há algo acima do fazer sentido. Que, nessa questão, ele não deve tentar pensar, deve sentir. Deve acreditar. Faça com que parem de usar a razão, e você pode jogar como se tivesse todos os coringas: qualquer coisa vale, de qualquer maneira que você desejar, quando desejar. Você os tem na mão. Dá para dominar um homem que pensa? Não queremos nenhum homem que pensa [...]

Está com medo de ver onde vai dar. Eu não estou. Eu lhe digo. No mundo do futuro. No mundo que eu quero. Um mundo de obediência e união. Um mundo em que o pensamento de cada homem não será o seu próprio, mas uma tentativa de adivinhar o pensamento do próximo vizinho que, por sua vez, não terá nenhum pensamento próprio, mas uma tentativa de adivinhar o pensamento do próximo vizinho, que não terá nenhum pensamento... e assim por diante [...] um mundo em que nenhum homem terá um desejo próprio [...] Um mundo em que o Homem não trabalhará por um incentivo tão inocente como o dinheiro, mas por aquele monstro sem cabeça: o prestígio. A aprovação de seus semelhantes, a boa opinião deles [...] Um polvo, só tentáculos e nenhum cérebro. Raciocício individual, Peter? Nada de raciocínio individual, apenas pesquisas de opinião pública. Uma média tirada de zeros, uma vez que nenhuma individualidade será permitida. Um mundo com seu motor arrancado e um único coração, bombeado a mão. A minha mão [...]

Distribuiremos medalhas pelo serviço. Vocês vão cair uns em cima dos outros, brigando para ver quem se submete mais e melhor. Não haverá nenhuma outra distinção a buscar. Nenhuma outra foram de realização pessoal [...]

Não terei nenhum outro propósito, a não ser mantê-los contentes. Mentir, adulá-los, elogiá-los, inflar sua vaidade. Fazer discursos sobre o povo e o bem-comum [...] Eu quero o poder. Quero o meu mundo do futuro.

Ele queria apoiar a cabeça sobre a escrivainha, ficar quieto e descansar, só que a forma de descanso de que precisava não existia, era maior do que o sono, maior do que a morte, o descanso de nunca haver vivido. O desejo era como um insulto secreto a ele mesmo, porque ele sabia que a pressão lancinante em seu crânio significava o opsto, uma ânsia de agir, tão forte que ele se sentia paralisado [...] Tinha que escrever o editorial que explicaria e contra-atacaria. Tinha que ser rápido. Sentia que não tinha direito a nenhum minuto que passasse sem a resposta estar escrita.

Talvez o segredo básico que os cientistas nunca descobriram, a primeira fonte da vida, é o que acontece quando um pensamento toma forma em palavras.

Homens práticos lidam com contas bancárias, imóveis, contratos de publicidade e investimentos seguros como o ouro. Eles deixam para intelectuais pouco práticos, como eu, a diversão de fazer uma análise química do ouro, para aprender sobre a natureza e a fonte do ouro [...] nos deixam trivialidades como o teatro, o cinema, o rádio, as escolas, as críticas de livros e a crítica de arquitetura. Apenas um calmante para nos manter quietos, sem nos importarmos em perder nosso tempo brincando com as questões irrelevantes da vida, enquanto vocês ganham dinheiro. Dinheiro é poder. É mesmo, Sr. Wynard? Então era poder que você queria, Sr. Wynard? Poder sobre os homens? Seu pobre amador!

Qualquer coisa pode ser traída, qualquer um pode ser perdoado. Mas não aqueles que não têm a coragem de sua própria grandeza. Alvah Scarret pode ser perdoado. Ele não tinha nada para trair [...] Mas eu, não. Eu não nasci para ser um homem que vive de segunda mão.

- [...] Wynard se rendeu - disse uma mulher taciturna. Ela sabia pouco sobre Wynard e nada sobre o assunto, mas gostava de ouvir falar em pessoas se rendendo.

As pessoas haviam ido ao tribunal para testemunhar um caso sensacional, para ver celebridades, para obter um tema para conversas, para serem vistas, para matar o tempo. Elas iriam voltar para empregos que não queriam, famílias que não amavam, amigos que não haviam escolhido, para salas de visitas, roupas de gala, copos de coquetéis e filmes, para dores não admitidas, esperanças assassinadas, desejos não alcançados, largados silenciosamente sobre um caminho onde nenhum passo havia sido dado, para dias de esforço para não pensar, não dizer, para esquecer, ceder e desistir.

O medo em que pensavam não era do tipo comum, não uma resposta a um perigo tangível, mas o medo crônico e inconfessável em que todos eles viviam. Eles lembravam a miséria de momentos em que, em solidão, pensaram nas palavras brilhantes que poderiam ter dito, mas não a encontraram, e odiaram aqueles que lhes roubaram a coragem. A miséria de saber quão forte e hábil se é na sua própria mente, a imagem radiante que nunca se tornará realidade. Sonhos? Ilusão? Ou uma realidade assassinada, não nascida, morta por aquela emoção corrosiva sem nome - medo - necessidade - dependência - ódio?

"Há milhões de anos, um homem descobriu como fazer o fogo. Provavelmente se queimou na fogueira, que ensinou seus irmãos a acender. Mas deixou-lhes um presente que eles não haviam concebido e acabou com a escuridão da Terra.

Ao longo dos séculos, houve homens que abriram novos caminhos, armados unicamente com sua própria visão. Grandes criadores, pensadores, artistas, cientistas, inventores. Estiveram sozinhos contra os homens de seu tempo.

Cada pensamento novo foi rechaçado... cada invenção nova, denunciada... mas os homens de visão de futuro seguiram em frente. Lutaram, sofreram e pagaram, mas venceram.

Nenhum criador foi impulsionado pelo desejo de satisfazer seus irmãos. Seus irmãos odiaram o presente que ele oferecia. Sua verdade era seu único motivo. Seu trabalho era seu único objetivo. Seu trabalho, não aqueles que o usaram. Sua criação, não os benefícios que outros derivaram dela. A criação que dava forma à sua verdade.

Ele sustentava a verdade sobre todas as coisas e contra todos os homens. Ele foi em frente, mesmo que outros não estiveram de acordo com ele... com sua integridade como sua única bandeira. Não serviu a nada e a ninguém. Viveu para ele mesmo... e somente vivendo para si mesmo foi capaz de conseguir as coisas que são a glória da humanidade. Essa é a natureza da realização.

O homem não pode sobreviver, exceto através de sua mente. Ele vem à Terra desarmado. Seu cérebro é sua única arma, mas a mente é um atributo do indivíduo. Não existe cérebro coletivo. O homem que pensa, deve pensar e agir por si mesmo. A mente racional não pode trabalhar sob nenhuma forma de coação. Não pode ser subordinada às necessidades, opiniões, ou desejos de outros. Não é um objeto de sacrifício.

O criador se mantém firme em seu próprio julgamento. O parasita segue as opiniões dos outros. O criador pensa. O parasita copia. O criador produz, o parasita saqueia. O interesse do criador é a conquista da natureza. O interesse do parasita é a conquista dos outros homens. O criador requer a independência. Ele não serve, nem governa. Ele trata com homens pela troca livre e pela escolha voluntária. O parasita procura o poder. O parasita quer prender todos os homens juntos, numa ação comum... e numa escravidão comum.

Ele clama que o homem é somente uma ferramenta para o uso de outros... que deve pensar como eles pensam, e agir como eles agem... vivendo na abnegação, na triste servidão a qualquer um, exceto a si mesmo.

Olhem a história. Tudo o que temos, cada grande realização... veio do trabalho independente de alguma mente independente. Cada horror e destruição... veio de tentativas de converter homens em rebanhos sem cérebros, robôs sem almas. Sem direitos pessoais, sem ambição pessoal, sem vontade, esperança ou dignidade. É um conflito antigo. Tem um outro nome. O indivídual contra o coletivo.

Nosso país, o país mais nobre na história dos homens... foi baseado no princípio do individualismo. O princípio dos direitos alienáveis do homem. Um país onde um homem era livre para buscar sua própria felicidade. Para ganhar e produzir, não render-se e não renunciar. Para prosperar, para não morrer de fome. Para conseguir, para não perecer.

Para ter como sua maior possessão, o sentido de valor pessoal... e como sua maior virtude, o seu auto-respeito.

Eu sou um arquiteto. Eu sei o que se constrói a partir das bases. Estamos nos aproximando de um mundo no qual eu não posso me permitir viver. Minhas idéias são minha propriedade. Foram retiradas de mim pela força, pela ruptura de contrato. Nenhum recurso me foi deixado.

Acreditaram que meu trabalho pertencia a outros, para fazer o que quiserem, que tinham direito sobre mim, sem o meu consentimento... que era meu dever servir-lhes, sem alternativa ou recompensa.

Agora vocês sabem porque eu dinamitei Cortlandt. Eu projetei Cortlandt... eu o fiz possível... eu o destrui. Eu concordei projetá-lo, com a finalidade de vê-lo construído como eu desejei. Esse foi o preço que eu coloquei em meu trabalho. Eu não fui pago. Meu edifício foi desfigurado pelos que se beneficiaram com o meu trabalho e não me deram nada em troca.

Eu vim aqui dizer que eu não reconheço... o direito de ninguém a um minuto de minha vida. Nem a qualquer parte de minha energia, nem a alguma de minhas realizações. Não importa quem faça a reivindicação.

Tem que ser dito. O mundo está perecendo em uma orgia de auto-sacrifício.

Eu vim aqui para ser ouvido... em nome de cada homem independente que há ainda no mundo. Eu quis estabelecer meus termos. Eu não quero trabalhar ou viver como alguns outros.

Meus termos são o direito do homem de existir por suas próprias razões."

- A humanidade jamais será destruída, sr. Wynard. Tampouco deve pensar em si mesma como destruída. Não enquanto ela realizar algo como isso.
- Como o que?
- Como o Edifício Wynard.
- Isso cabe a você. Coisas mortas - como a Manchete - são apenas o fertilizante financeiro que o tornará possível. É a função apropriada delas [...] Construa-o como um monumento àquele espírito que é seu... e que poderia ter sido meu.

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26.8.10

1ª Apresentação da 9ª Sinfonia de Beethoven

O vídeo é uma representação de como teria sido a apresentação da nona sinfonia pela primeira vez.

A moça que se encontra estrategicamente no centro chama-se Anna Holtz e é a assistente de Beethoven.

Ninguém queria que ele regesse a orquestra porque ele estava num estágio avançado da surdez.

Ela ficou entre os músicos para ajudá-lo com o tempo da música.. ajudar na primeira apresentação da que seria uma das mais conhecidas e belas obras de Beethoven.

Dica da minha amiga Daniele.


http://www.youtube.com/watch?v=HHld_QkcfM0

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Elogio à Livraria Cultura


Caramba! Entrei no site da Livraria Cultura, e busquei só por curiosidade o livro Atlas Shrugged da Ayn Rand. É um livro estrangeiro e a maioria das livrarias não tem.

Tinha o livro em pronta entrega (1 dia útil) e tava mais barato do que na Amazon! (menos de 20 reais).

Comprei às 14h pelo site, com opção de retirada na filial aqui de Campinas (sem frete) e conta pontos para quem tem o cartão da loja. Às 17h (3 horas depois) estava disponível para retirar.

Bacana né? =)

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24.8.10

Livro "A Nascente", Ayn Rand (The Fountainhead) - MEU FAVORITO! - parte 1

Esse é agora, DISPARADO, o meu livro FAVORITO. =)

Link para a 2ª Parte:

Ayn Rand - por Nick GaetanoAyn Rand - Ilustração por Nick Gaetano

As obras da Ayn Rand foram consideradas as mais influentes na cultura americana, atrás somente da Bíblia. Dizem que suas idéias ampliaram o espírito empreendedor e inovador dos americanos, e que também contribuíram para a atual crise financeira no mundo.

A Nascente foi o primeiro livro de sucesso dela. Não foi escrito para ganhar prêmios ou entreter, mas para divulgar uma idéia.

A idéia de que o homem não é uma vítima, impotente, insignificante. A idéia de que o homem pode e deve se tornar grande. Pode e deve respeitar-se e valorizar-se. Pode e deve comprometer-se com seus ideais e explorar seu potencial único. Pode e deve realizar-se.

Essa idéia vem para o leitor através da história de Howard Roark, um arquiteto que seria o homem que todos poderíamos e deveríamos ser na visão de Rand: um homem de integridade inabalável, racional, comprometido consigo mesmo e com sua visão de mundo.

Sua dedicação em criar obras cada vez mais originais, sem submeter-se a ordens e opiniões deixa-o com muitos adversários. A mulher que ama acaba casando-se com seu pior inimigo. Sua brilhante originalidade faz com que a sociedade se revolte contra ele. Um incidente faz com que seja acusado e julgado.

O livro tem 800 e poucas páginas, grifei e reli vários trechos. Fui ler o livro porque adorei o filme que foi baseado nele, como já escrevi aqui no blog. Se quiser saber mais sobre Ayn Rand e sobre o filme A Nascente, clique abaixo para ler o post:


Howard Roark - Filme A Nascente (The Fountainhead)
Tem muita coisa que não concordo com ela. Não acho que cada homem é uma ilha, nem acredito no livre mercado. Na verdade mesmo, eu preciso conhecer melhor as idéias dela, antes de ficar comentando.

Mas do que eu já vi, sou totalmente a favor da suas idéias de auto-desenvolvimento, auto-respeito, auto-gestão, auto-estima, auto-realização.

Esse livro é uma inspiração para todos que tem anseio de realizar, que se sentem asfixiados pela mediocridade e hipocrisia do nosso mundo.

Comprometer-se com sua própria visão e desenvolvimento, manter sua integridade e individualidade, lutar por sua liberdade de pensamento e ação, não dominar nem ser dominado - são as lições que vou levar SEMPRE comigo depois dessa leitura.

Veja trechos do que Ayn Rand fala na Introdução do Livro:


"Eu quero ver, real, viva, e durante as horas dos meus próprios dias, a glória que eu crio como ilusão. Eu quero que seja real. Eu quero saber que existe alguém, em algum lugar, que também o quer.

Do contrário, qual é a utilidade de ver e trabalhar e se desgastar por uma visão impossível? O espírito também precisa de combustível. Ele pode secar”

"Eu não me senti desencorajada com frequência, e quando me senti, não durou mais que uma noite.

Mas houve uma noite, enquanto eu escrevia A Nascente, em que senti uma indignação tão profunda com o estado das ‘coisas como são’ que parecia que eu jamais recuperaria a energia para dar mais um único passo sequer na direção das ‘coisas como deveriam ser’.

Frank conversou comigo por horas naquela noite. Ele me convenceu de que não podemos abandonar o mundo para aqueles que desprezamos. Quando ele terminou, meu desânimo havia sumido, e nunca mais retornou de forma tão intensa.

Eu era contra a prática de dedicar livros a alguém; acreditava que um livro é endereçado a qualquer leitor que se prova digno dele. Mas, naquela noite, eu disse a Frank que dedicaria A Nascente a ele porque ele o havia salvado.

E um de meus momentos mais felizes, mais ou menos dois anos depois, me foi dado pela expressão no rosto dele quando chegou em casa, um dia, e viu o manuscrito do livro, encabeçado pela página que declarava em letras frias, claras e objetivas: A Frank O’Connor."

"Aqueles que veneram o Homem, no meu sentido do termo, são os que vêem o potencial mais elevado do Homem e esforçam-se para realizá-lo. Os que odeiam o Homem são aqueles que vêem o Homem como uma criatura desamparada, depravada e desprezível - e lutam para jamais deixá-lo descobrir que não é assim.

Essa visão do Homem raramente foi expressa na história da humanidade [...] Entretanto, essa é a visão com que - em vários graus de desejo, avidez, paixão e confusão agonizante - os melhores da juventude da humanidade começam a vida.

Não chega nem a ser uma visão, para a maioria deles, mas uma percepção indefinida, nebulosa, tateante, composta por uma dor crua e uma felicidade incomunicável.

É um senso de enorme expectativa, a percepção de que a nossa própria vida é importante, que grandes conquistas estão ao alcance da nossa própria capacidade, e que grandes coisas estão por vir."

"Não é da natureza do Homem - nem de nenhuma entidade viva - começar já desistindo, cuspindo na própria cara e amaldiçoando a existência; isso requer um processo de corrupção cuja rapidez varia de homem para homem.

Alguns desistem ao primeiro toque de pressão; alguns se vendem; alguns definham através de graus imperceptíveis e perdem sua chama, jamais sabendo quando ou como a perderam.

E então todos eles desaparecem no vasto pântano dos mais velhos, que lhes dizem persistentemente que a maturidade consiste em abandonar os próprios valores; a praticidade; em perder a auto-estima.

Porém, alguns poucos resistem e seguem adiante, sabendo que sua chama não deve ser traída, aprendendo a dar-lhe forma, propósito e realidade.

Mas qualquer que seja seu futuro, no nascer de suas vidas, as pessoas buscam uma visão nobre da natureza do Homem e do potencial da vida."

"Essa é uma das principais razões por trás do duradouro interesse que A Nascente desperta: ele é uma confirmação do espírito da juventude, proclamando a glória do Homem, mostrando o quanto é possível.

Não importa que apenas alguns em cada geração entenderão e alcançarão a realidade total da estatura apropriada ao Homem - e que o resto a trairá.

São esses poucos que movem o mundo e dão à vida seu significado - e é a esses poucos que eu sempre procurei me dirigir.

O resto [...] não é a mim ou A Nascente que eles trairão: é às suas próprias almas."


Como ficou muito grande esse post e minha vida tá corrida demais... resolvi quebrá-lo em 2 partes. No próximo post sobre A Nascente, vou falar um pouquinho mais da Ayn Rand e sobre os melhores trechos da parte 3 e 4 do livro.

Link para a 2ª Parte:

Clique aqui para ver os Melhores Trechos!
Parte 1 e 2 do livro (parte 3 e 4 no próximo post)

Parte 1:

“Seu corpo apoiava-se contra o céu [...] Ele estava em pé, rígido, as mãos soltas ao lado do corpo, as palmas voltadas para frente. Sentia seus ombros estendidos para trás, a curva de seu pescoço e o peso do sangue em suas mãos. Sentia o vento soprando em suas costas. O vento balançava seus cabelos contra o céu [...]

Ele ria alto do que lhe havia acontecido naquela manhã e do que estava por acontecer. Sabia que os dias por vir seriam difíceis. Havia questões a serem enfrentadas e um plano de ação a ser traçado. Ele sabia que deveria pensar a respeito. Sabia também que não iria pensar, porque tudo já estava claro para ele, porque o plano de ação fora traçado há muito tempo e porque ele queria rir [...] Naquela manhã ele havia sido expulso da Escola de Arquitetura do Instituto de Tecnologia de Stanton.”

“Um prédio é algo vivo, como um homem. Sua integridade é seguir sua própria verdade, seu único tema, e servir seu próprio e único propósito"

"Cada homem cria seu significado, sua forma, seu objetivo. Por que é tão importante o que os outros fizeram? Por que se torna sagrado pelo mero fato de não ter sido feito por você? Por que qualquer um está certo, desde que não seja você? Por que a quantidade desses outros suplanta a verdade? Por que a verdade se torna uma mera questão de aritmética e, pior ainda, somente uma questão de adição? [...] Tem de haver uma razão. Eu não sei. Nunca soube. Eu queria entender"

"Eu tenho, talvez, mais sessenta anos de vida. Vou passar a maior parte desse tempo trabalhando. Eu escolhi o trabalho que quero fazer. Se ele não me der nenhuma alegria, estarei me condenando a sessenta anos de tortura. E eu só posso encontrar alegria no meu trabalho se o fizer da melhor forma possível para mim"

"- Quantos anos você tem?
- 22
- É bastante compreensível, você irá superar tudo isso."

"- Não pretendo construir para ter clientes, mas ter clientes para construir.
- Como pretende forçá-los a aceitar suas idéias?
- Eu não pretendo forçar ninguém, nem ser forçado."

"- Peter, você já cometeu um erro. Ao me perguntar. Ao perguntar para qualquer pessoa. Jamais pergunte a ninguém. Não sobre o seu trabalho. Você não sabe o quer? Como aguenta não saber?
- Como você sempre consegue decidir?
- Como pode deixar que os outros decidam por você?"

"Não sabia porque a presença dela o fazia confessar coisas não reveladas na sua própria mente [...] Estava tomado por uma sensação peculiar de liberdade - a presença dela sempre o livrava de um peso que não conseguia definir. Estava sozinho. Era ele mesmo."

"Eu sou o último que você deveria ter procurado. Estarei cometendo um crime se o mantiver aqui [...] Não vou ajudá-lo. Não vou desencorajá-lo. Não vou lhe ensinar a ter nenhum bom senso. Em vez disso, vou instigá-lo a seguir adiante [...] Vou forçá-lo a permanecer o que é, e vou torná-lo pior ainda... Você não percebe?

Haverá dias em que você olhará para as suas mãos e desejará pegar alguma coisa para esmagar cada osso delas, porque elas estão zombando de você pelo que seriam capazes de fazer, se você encontrasse a oportunidade para que o fizessem [...]

Haverá dias em que você estará em um canto de um salão e ouvirá uma criatura em um palco falar sobre prédios, sobre aquele trabalho que você ama, e as coisas que ele disser o farão esperar que alguém se levante e o parta em dois pedaços, entre seus dedos; e então ouvirá as pessoas aplaudindo-o, e você vai querer gritar, porque não saberá se elas são reais, ou se você é, se está em uma sala cheia de crânios ocos [...] e você não dirá nada, porque os sons que poderia fazer já não são mais linguagem naquela sala [....]

Então, um dia, você verá, em um pedaço de papel à sua frente, um prédio que o fará querer ajoelhar-se. Não acreditará que foi você quem o criou, mas o terá criado. Então, você pensará que a Terra é linda, que o ar tem o aroma da primavera e que você ama os homens, porque não existe nenhum mal no mundo. E você se preparará para sair de casa com esse desenho, para mandar construí-lo, pois não tem dúvida de que será construído pelo primeiro homem que o vir.. Porém, não irá muito longe de casa, pois será parado pelo homem que veio desligar o gás [...]

Mas, por fim, você entrará no escritório de um homem com seu desenho [...] para que ele apenas ouça a sua voz implorando, suplicando, sua voz lambendo seus joelhos. Você se odiará por isso, mas não se importará. Se ele apenas deixá-lo erguer aquele prédio, você não se importará [...] Contudo, ele dirá que lamenta muito, mas que o projeto foi dado para o Guy Francon. E você vai voltar para casa, e sabe o que vai fazer lá? Vai chorar. Vai chorar como uma mulher, como um bêbado, como um animal. Esse é o seu futuro, Howard Roark. Você o quer?
- Sim."

"Parecia haver muitos que desejavam tal livro. Os leitores adquiriram erudição sem estudo, autoridade sem custo, julgamento sem esforço. Era agradável [...] participar de discussões artisticas, trocar as mesmas sentenças, escolhidas nos mesmos parágrafos."

"Aprendera que era muito simples. Seus clientes aceitariam qualquer coisa, desde que lhes dessem uma fachada imponente, uma entrada majestosa e uma sala digna da realeza, com as quais pudesse impressionar suas visitas. Todos ficavam satisfeitos: Keating não se importava, contanto que seus cliente ficassem impressionados; os clientes não se importavam, contanto que os convidados ficassem impressionados, e os convidados não se importavam de qualquer maneira."

"Não ligo a mínima para onde vou trabalhar agora. Não há nenhum arquiteto nesta cidade com quem eu queira trabalhar. Mas tenho que trabalhar em algum lugar, então que seja com o sr. Francon, se eu puder conseguir o que quero de vocês. Estou me vendendo, e vou jogar o jogo desta forma - por enquanto."

"Você sempre tem que ter um propósito? Sempre tem que ser assim tão sério? Nunca pode fazer alguma coisa sem motivo, com todo mundo? [...] Tudo com você é importante, tudo é extraordinário, com algum significado, cada minuto, até mesmo quando está parado. Você nunca pode ficar à vontade, sem se sentir importante?
- Não.
- Nunca cansa de ser heróico?
- O que há de heróico em mim?
- Nada. Tudo. Não sei."

"Era difícil, às vezes. Entre ele e a planta do prédio em que estava trabalhando havia a planta do mesmo prédio, como deveria ter sido. Ele via o que poderia fazer com ela, como modificar as linhas que desenhava, para conduzí-las a realizar algo esplêndido. Tinha que sufocar o conhecimento. Tinha que matar a visão. Tinha que obedecer e traçar linhas conforme as instruções. Doía-lhe tanto que deu de ombros para si mesmo com uma raiva fria. Pensou: Difícil? Bem, aprenda.

Entretanto, a dor persistia, acompanhada de um espanto impotente. A visão que ele tinha era muito mais real do que a realidade do papel, do escritório e do projeto. Não conseguia compreender o que tornava os outros cegos para ela e o que possibilitava a indiferença deles. Olhou para o papel à sua frente. Perguntou-se porque a incompetência podia existir e prevalecer. Nunca soubera a resposta."

"Não diz muito, apenas ‘Howard Roark, Arquiteto’. Mas é como aqueles lemas que os homens entalhavam sobre a entrada de um castelo pelos quais morriam. É um desafio diante de algo tão grande e perverso, que toda a dor do mundo vem dessa coisa que você irá enfrentar [...] E sei que se você carregar essas palavras até o fim, será uma vitória Howard, não apenas para você, mas para algo que deve vencer, algo que move o mundo - e que nunca recebe nenhum reconhecimento. Vingará muitos que foram derrotados antes de você, que sofreram como você sofrerá. Que Deus o abençoe - ou quem quer que seja aquele que vê o melhor, o mais alto nível que corações humanos podem alcançar."

"Essas pessoas estavam desfrutando um dia em suas vidas. Estavam gritando para o céu em comemoração à sua libertação do trabalho e de todo o peso dos dias que deixavam para trás. Haviam carregado o peso para atingir o objetivo - e esse era o objetivo."

"Quando Roark olhava para ele com aprovação, quando Roark sorria, quando elogiava um dos seus artigos, Heller sentia a alegria estranhamente cristalina de uma aprovação que não era suborno nem caridade."

"Uma casa pode ter integridade, assim como uma pessoa - e tão raramente como uma pessoa [...] Cada parte está ali porque a casa precisa dela, e por nenhuma outra razão [...] A casa é feita pelas suas próprias necessidades. As outras são feitas pela necessidade de impressionar."

"Senti que quando me mudar para esta casa, terei um novo tipo de existência, e até mesmo a minha rotina diária terá um tipo de honestidade ou dignidade que não consigo definir muito bem. Não fique espantado se eu lhe disse que sinto que terei de estar à altura dessa casa."

"Olhe para os que gastam o dinheiro pelo qual se escravizaram em parques de diversão e espetáculos sem importância. Olhe para os que são ricos e têm o mundo todo ao seu dispor. Observe o que escolhem como diversão [...] Essa é a sua humanidade em geral."

"A cerca viva parecia alta demais para o seu corpo pequeno. Ele teve tempo de pensar que ela não ia conseguir, no exato momento que a viu voando triunfantemente por cima da barreira verde [...] Um único momento em que o relâmpago de um pequeno corpo lançou-se com a maior explosão de liberdade estática que ele jamais presenciara em toda a sua vida."

"De repente, à noite, fui tomada por este sentimento. Foi como um pesadelo, sabe, o tipo de horror que não se pode descrever, que não é parecido com nada normal. Era a sensação de que eu estava correndo um perigo mortal, que algo estava se fechando sobre mim, que eu nunca conseguiria fugir, porque aquilo não me deixaria e por que já era tarde demais.
- Você não conseguiria fugir do quê?
- Não sei exatamente. De tudo. Da minha vida inteira. Sabe, como areia movediça. Macia e natural, sem que haja nada que você possa notar ou suspeitar. E você pisa nela despreocupadamente. Quando percebe, é tarde demais."

"Sabe, há uma coisa que me confunde. Você é o homem mais frio que conheço. E não consigo entender por que eu sempre sinto, quando o vejo, que você é a pessoa mais vivificante que já conheci."

"O que você quer construir é um monumento, mas não a você mesmo. Não à sua vida e às suas próprias conquistas, mas sim um monumento às outras pessoas. Um monumento à supremacia delas sobre você. Você não está desafiando essa supremacia, está imortalizando-a. Você não a descartou, está erguendo-a para sempre. Você acha que ficará feliz trancando-se naquela forma emprestada pelo resto da sua vida? Ou libertando-se, apenas uma vez, e construindo uma nova casa, a sua casa?"

"Considere o corpo humano. Por que você não gostaria de ver um corpo humano que tivesse um rabo encaracolado com penas de avestruz na ponta? E orelhas no formato de folhas de acanto? Seria decorativo, comparado à nossa feiúra austera e nua. Bem, por que não gosta da idéia? Por que seria inútil e fora de propósito. Por que a beleza do corpo humano está no fato de ele não ter um único músculo que não sirva ao seu propósito [...] Pode me dizer por que quando se trata de um edifício, você não quer que ele pareça ter qualquer sentido ou propósito, quer sufocá-lo com enfeites, quer sacrificar seu propósito pela embalagem [...]? Tem que me dizer, porque eu nunca fui capaz de entender isso."

"Roark olhou pela janela para o relógio na torre distante. Riu daquele relógio, como se ele fosse um velho inimigo amistoso."

Parte 2

"Pensava em seus dias passando, pensava no prédios que poderia estar construindo, que deveria estar construindo, e que talvez nunca mais construísse."

"Gosto de me dar ao luxo de conversar sobre assuntos interessantes. Não considero a mim mesmo como um deles."

"Os olhos eram escuros e chocantes. Continham tamanha riqueza de intelecto e de alegria cintilante que seus óculos pareciam ser usados, não para proteger seus olhos, mas para proteger outros homens de seu brilho excessivo."

"‘Uma coisa não é alta se pudermos alcançá-la; não é grande se pudermos raciocinar sobre ela; não é profunda se pudermos ver fundo’ - esta sempre fora sua crença, não declarada e não questionada. Isso o poupava de qualquer tentativa de alcançar, raciocinar ou ver, e lançava o reflexo agradável de desprezo naqueles que faziam a tentativa."

"Uma pessoa não põe ênfase em sua ignorância total de um assunto se realmente tiver total ignorãncia dele."

"- Ele ri com frequência?
- Muito raramente.
- Ele parece infeliz?
- Nunca. [...]
- Ele gosta de dinheiro?
- Não.
- Ele gosta de ser admirado?
- Não [...]
- O que ele faria se não pudesse ser arquiteto?
- Ele passaria por cima de cadáveres. Qualquer um e todos eles. Todos nós. Mas seria arquiteto."

"Ela sempre odiara as ruas de uma cidade. Via os rostos passando por ela, rostos que se tornavam parecidos pelo medo - medo como um denominador comum, medo de si mesmos, medo de todos e de cada um, medo que os deixava prontos para atacar o que quer que fosse sagrado para qualquer um que encontrassem. Ela não conseguia definir a natureza ou a razão daquele medo, mas sempre sentira sua presença."

"Antes de iniciar cada novo empreendimento, estudava o campo por muito tempo, depois agia como se nunca houvesse ouvido falar dele, desafiando todos os precedentes. Alguns eram bem-sucedidos, outros fracassavam. Ele continuava administrando todos como uma energia feroz."

"Na profissão dele e na minha, você é bem-sucedido se ela o deixar intocado."

"Cada alma humano tem seu estilo próprio, seu tema básico e único. Você o vê refletido em cada pensamento, cada ato, cada desejo, daquela pessoa. O único absoluto, o único imperativo naquela criatura viva. Anos estudando um homem não revelarão o tema para você. Mas o rosto dele revelará [...] Você se trai pela maneira como reage a certo tipo de rosto... O estilo da sua alma..."

"Nenhum outro cenário poderia demonstrar tão eloquentemente a insolência vital desse prédio."

"Nenhum homem gosta de ser vencido. Mas ser vencido pelo homem que sempre foi o seu exemplo perfeito de mediocridade diante dos seus olhos, começar ao lado dessa mediocridade e vê-la subir como um foguete, enquanto ele se esforça e não consegue nada além de um chute de bota na cara, ver a mediocridade tirar dele, uma após a outra, as chances pelas quais ele daria a sua vida, ver essa mediocridade idolatrada, perder o lugar que se quer e ver a mediocridade estabelecida nesse lugar, ser vencido, vencido, vencido - não por um gênio maior, não por um deus, mas por um Peter Keating."

"Ganhava um salário modesto e cômodo e tinha uma casa modesta e cômoda [...] O desgosto secreto da sua vida era não ter seu próprio negócio. Porém ele era um homem reservado, escrupuloso e pouco criativo, e um casamento precoce arruinara todas as suas ambições."

"Ele ganhava todos os debates. Podia provar qualquer coisa. Certa vez, depois de vencer Willie Lovett ao defender a afirmativa do ditado ‘A inteligência supera a força’, desafiou Willie a trocar de posição com ele, ficou com a negativa, e venceu outra vez."

"Descobriu que os garotos da sua classe que eram inteligentes, fortes e capazes não sentiam nenhuma necessidade de ouvir, não precisavam dele em absoluto. Entretanto, os que sofriam e os menos dotados procuravam-no."

"Sofrer é bom. Não se queixem. Aguentem, curvem-se, aceitem. Fiquem agradecidos por Deus tê-los feito sofrer, porque isso os torna melhores do que as pessoas que estãor rindo, felizes. Se não entendem isso, não tentem entender. Todo mal vem da mente, porque a mente faz perguntas demais. É abençoado acreditar, não entender."

"Depois de o adotarem como amigo por um tempo, não conseguiam ficar sem ele. Era como viciar-se a uma droga."

"Aos 16 anos, Ellsworth perdeu o interesse pela religião. Ele descobrira o socialismo."

"Tooley atrai o tipo grudento. Você sabe quais são as 2 coisas que grudam melhor: lama e cola."

"Dizia-se que Ellswoth Tooley exercera uma influência benéfica sobre eles, pois nunca se esqueciam dele: vinham consultá-lo sobre muitas coisas [...] Eram como máquinas sem arranque automático, que precisavam de uma mão externa que acionasse a manivela [...] Ele era um megaempresário do altruísmo."

"Os jornais Wynard não tinham nenhuma política, exceto refletir os maiores preconceitos do maior número de pessoas, e isso significa seguir um caminho excêntrico, mas apesar disso, reconhecível: rumo ao contraditório, o irresponsável, o banal e o exageradamente sentimental."

"O instrumento mais cortante de todos: a vontade humana seguindo um propósito."

"O que quero dizer é que um conselho de diretores é formado por um ou dois homens ambiciosos, e muito lastro. Quero dizer que grupos de homens são vácuos. Dizem que não podemos visualizar um vácuo completo. Basta estar presente em qualquer reunião de comitê."

"Os homens são irmãos, sabe, e têm um grande instinto para a irmandade, exceto nos conselho, sindicatos, corporações e outros grupos de trabalhos forçados."

"Não há nada que você possa fazer. Ao enfrentar a sociedade, a opinião que menos conta é a do homem que mais se importa, do homem que mais fará e que mais contribuirá"

"nenhum discurso jamais é considerado, apenas o orador. É tão mais fácil julgar um homem do que uma idéia."

"Integridade é a habilidade de ser leal a uma idéia. Isso pressupõe a habilidade de pensar. Pensar é algo que não se pega emprestado nem se penhora."

"Eles estão todos contra mim, mas eu tenho uma vantagem: eles não sabem o que querem. Eu sei."

"Você é um homem profundamente religioso sr. Roark - à sua própria maneira. Eu posso ver isso em seus prédios. [...] O que eu quero nesse prédio é o seu espírito, sr.Roark. Dê-me o melhor dele, e terá feito o seu trabalho, assim como eu terei feito o meu."

"Você quer dizer que viu as coisas que eu fiz e gostou delas - você -, você mesmo - sozinho -, sem ninguém lhe dizer que deveria gostar delas ou por que deveria gostar, e você decidiu me contratar por essa razão - só por essa razão -, sem saber nada a meu respeito, sem ligar a mínima - só por causa das coisas que eu fiz e... e pelo que você viu nelas [...]?"

"Estou muito agradecido a você. Não por me dar o emprego, não por vir até aqui, não por nada que você jamais fará por mim. Somente pelo que você é."

"Já percebeu como seus melhores amigos amam tudo em você, exceto as coisas que contam? E aquilo que você tem de mais importante não é nada para eles, nem mesmo um som que eles possam reconhecer."

"Havia uma destreza rítmica em seus movimentos, como se seu corpo nutrisse com energia todos que o cercavam."

"De vez em quando eu fico imaginando até onde você vai chegar. Sabe, sempre tive um fraco por astronomia."

"Eles não falavam sobre trabalho. Mallory contava histórias absurdas e Dominique ria como uma criança. Não conversavam sobre nenhum assunto em particular, o significado das sentenças estava apenas no som das vozes, na alegria afetuosa, no sossego do relaxamento completo. Eram simplesmente quatro pessoas que gostavam de estar ali juntas."

"Homens como você e eu não sobreviveriam além de seus primeiros quinze anos se não adquirissem a paciência de um carrasco chinês. E o couro de um navio de batalha."

"A expressão do seu rosto parecia mostrar que ela conhecia o pior sofrimento dele, e que era dela também, e que ela queria suportá-lo assim, friamente, sem pedir nenhuma palavra atenuante."

"Eu não sou capaz de sofrer completamente. Nunca fui. Só me atinge até certo ponto, e depois pára. Enquanto houver esse ponto intocado, não é realmente dor."

"Você pode lutar contra uma questão viva, mas não contra uma morta. [...] questões mortas não desaparecem simplesmente, mas deixam um rastro de matéria em decomposição. [...] o templo será esquecido, o processo será esquecido. Mas o que permancerá será: “Roark? Ele não presta” [...] Você não irá querer se envolver com um sujeito de má fama como ele [...] Agora você entende a eficácia peculiar de uma questão morta. Você não pode resolvê-la com argumentos, não pode explicar, não pode se defender. Ninguém quer ouvir [...]

Nunca se pode arruinar um arquiteto porque ele é um ruim. Mas pode-se arruiná-lo porque ele é ateu, ou porque alguém abriu um processo contra ele, ou porque dormiu com alguma mulher, ou porque ele se diverte arrancando asas de moscas [...] Pode-se lutar contra a razão usando a razão. Mas como lutar contra o irracional? O seu problema, minha cara, é que você não tem respeito suficiente pelo absurdo [...] Se ele for seu inimigo, você não têm nenhuma chance."

"As pessoas haviam olhado para ele insistentemente e depois haviam desistido, indignadas, sem haver encontrado nenhuma satisfação. Ele não parecia derrotado e também não parecia desafiador. Tinha uma aparência impessoal e calma [...] A multidão teria perdoado qualquer coisa, menos um homem que podia permanecer normal sob as vibrações do seu enorme escárnio coletivo. Alguns deles haviam vindo preparados para sentir pena dele; todos eles já o odiavam após os primeiros minutos."

"Howard Roark construiu um templo ao espírito humano. Ele viu o homem como sendo forte, orgulhoso, limpo, sábio e destemido. Ele viu o homem como um ser heróico. E construiu um templo a isso. Um templo é um lugar onde o Homem deve experimentar exaltação. Ele achou que a exaltação vem da consciência de não carregar nenhuma culpa, de ver a verdade e alcançá-la, de conseguir realizar a sua mais alta possibilidade, de não conhecer a vergonha e não ter motivo para sentir vergonha, de ser capaz de ficar nú em plena luz do sol. Ele achou que exaltação significa alegria e que alegria é um direito inato do Homem. [...]

Ellsworth Tooley disse que a essência da exaltação é estar morrendo de medo, cair e rastejar [...] que o ato mais elevado do Homem era dar-se conta da sua própria falta de valor [...].

Peça qualquer coisa às pessoas. Peça-lhes que alcancem fama, fortuna, amor, ou que cometam atos de brutalidade, assassinato, auto-sacrifício. Mas não lhes peça que alcancem respeito próprio. Elas odiarão a sua alma. [...] Elas não dirão, é claro, que odeiam você. Dirão que você as odeia."

"Nada que vocês fizeram comigo - ou com ele - será pior do que o que eu mesma farei. Se vocês acham que não posso suportar o Templo Stoddard, esperem até ver o que eu posso suportar."

"Tenho estado tão ocupada... Não, não é verdade. Eu tenho tempo, mas quando chego em casa, não consigo me forçar a fazer mais nada, a não ser cair na cama e dormir. Tio Ellsworth, as pessoas dormem porque estão cansadas ou porque querem fugir de alguma coisa?"

"Eu sou infeliz. Sou infeliz de uma forma horrível, sórdida, indigna. De uma forma que parece... suja. E desonesta. Eu passo dias com medo de pensar, de olhar para mim mesma. E isso está errado. Isso é... tornar-me hipócrita. Eu sempre quis ser honesta comigo mesma. Mas não sou, não sou, não sou! [...]

Por exemplo, fui eu que organizei as aulas de cuidados pré-natais, no Centro de Assistência Social de Clifford [...] Eu digo a mim mesma que deveria estar feliz com isso, mas não estou. [...] Eu não sinto nada. Quando sou honesta comigo mesma, sei que a única emoção que eu sinto há anos é cansaço. Não cansaço físico, só cansaço. É como se... como se já não houvesse mais ninguém lá para sentir qualquer coisa [...]

Mas não é só isso. Há algo muito pior, que está fazendo algo horrível comigo. Eu estou começando a odiar as pessoas, tio Ellsworth. Estou ficando cruel, maldosa e mesquinha de uma forma que nunca fui antes [...]

Eu não sou a única que é assim. Muitas delas são, a maioria das mulheres com quem eu trabalho... Não sei como ficaram assim... Não sei como aconteceu comigo... Eu costumava me sentir feliz quando ajudava alguém [...]

Eu abri mão de tudo, não me resta mais nenhum desejo egoísta, eu não tenho nada que seja meu - e estou infeliz. E as outras mulheres como eu também estão. Eu não conheço nenhuma pessoa abnegada no mundo que seja feliz."

"Não precisamos de anúncios, datas, preparativos, convidados, nada disso. Nós permitimos que coisas desse tipo nos impedissem a cada vez. Honestamente, eu não sei como foi acontecer de deixarmos que tudo ficasse à deriva daquela forma... Não vamos dizer nada a ninguém. Simplesmente vamos sair da cidade e nos casar. Vamos anunciar e explicar depois, se alguém quiser alguma explicação. E isso inclui o seu tio, a minha mãe, e todo mundo."

"Ficaram silenciosamente um diante do outro, por um instante, e ela pensou que as palavras mais bonitas eram aquelas que não eram necessárias."

"Eu posso aceitar qualquer coisa, exceto o que parece ser o mais fácil para a maioria das pessoas: o meio-termo, o quase, o aproximado, o intermediário."

"fazer por você o que fiz por Peter Keating: mentir, bajular, evadir, fazer concessões, servir a todo tipo de incompetência, para implorar para que eles lhe dêem uma chance"

"Eu te amo, Dominique. De uma forma tão egoísta quanto o fato de eu existir. De uma forma tão egoísta quanto os meus pulmões respiram. Eu respiro por minha própria necessidade, pelo combustível necessário ao meu corpo, pela minha sobrevivência. Eu lhei dei, não o meu sacrifício ou a minha piedade, mas o meu ego e a minha necessidade nua. Esta é a única forma que você pode desejar ser amada. É a única forma que posso querer que você me ame [...]

Para dizer ‘Eu te amo’, é preciso primeiro saber dizer o ‘Eu’. O tipo de entrega que eu poderia ter de você agora não me daria nada além de uma casca vazia."

"Você deve aprender a não ter medo do mundo. A não ficar a mercê dele como você está agora. A nunca ser magoada por ele como você foi naquele tribunal. Eu tenho que deixá-la aprender. Não posso ajudá-la. Você tem que encontrar seu próprio caminho."

"- Quero que você tenha orgulho de mim, Peter - disse Francon humilde, simples, desesperadamente. - Quero saber que eu realizei alguma coisa. Quero sentir que teve algum significado. Na hora do balanço final, eu quero ter certeza de que não foi tudo... por nada.
- Você não tem certeza disso? Você não tem certeza? [...] Seu maldito, você não tem o direito... de não ter certeza! Na sua idade, com o seu nome, o seu prestígio, o seu...
- Eu quero ter certeza, Peter. Trabalhei muito duro.
- Mas você não tem certeza!"

"- Sr. Roark, estamos sozinhos aqui. Por que não me diz o que pensa de mim? Use quaisquer palavras que quiser. Ninguém vai nos ouvir.
- Mas eu não penso em você."

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23.8.10

Empreendedores Perdem Mais do que Vencem - Alec Baldwin

"Empreender não é sobre vencer sempre. Pelo contrário, é sobre perder muito e vencer algumas batalhas.

O verdadeiro empreendedor perde mais do que vence. Aquele que vence mais do que perde não é empreendedor, é administrador.

Empreendedor arrisca, perde dinheiro, é teimoso, faz da cabeça, faz acontecer sem se importar com o que os outros vão dizer; no final, perde muito por ser assim, mas quando vence as vitórias valem por todas as tentativas"

(Alec Baldwin)



Lembrei de uma cena com o Alec Baldwin no filme Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross) - é um filme diferente, assisti a um tempão atrás e curti muito!

Veja a cena: (aposto que você gostaria de ter um chefe assim hahahah)


http://www.youtube.com/watch?v=-LhZ4jYxN_Q

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