18.2.11

Como as Pessoas são Dominadas (e como não ser uma delas) - Ayn Rand


"É só descobrir a alavanca. Se aprender a dominar a alma de um único homem, você consegue pegar o resto da humanidade. É a alma, Peter, a alma. Não chicotes, nem espadas, nem fogo, nem armas.

Foi por isso que os Césares, os Átilas, os Napoleões foram tolos e não duraram. Nós duraremos. A alma, Peter, é aquilo que não pode ser dominado. Tem que ser destruída [...]

Há muitas maneiras. Aqui vai uma: Faça o homem se sentir insignificante. Faço-o se sentir culpado. Mate suas aspirações e sua integridade.

Isso é difícil, mesmo o pior entre vocês, procura, tateando no escuro, um ideal, do seu próprio jeito distorcido.

Mate a integridade através da corrupção interna. Use-a contra a si mesma. Direcione-a para um objetivo que destrua toda a integridade. Pregue a abnegação. Diga ao homem que ele deve viver para os outros [...]

Sua alma abre mão do respeito próprio. Você o tem. Ele obedecerá. Ficará contente de obedecer, porque não pode confiar em si mesmo, sente-se inseguro, sente-se impuro. Essa é uma maneira.

Aqui vai outra: Mate o senso de valores do homem. Mate a sua capacidade de reconhecer a grandeza ou de atingí-la. Grandes homens não podem ser dominados.

Não queremos nenhum grande homem. Não negue o conceito de grandeza. Destrua-o por dentro.

O grande é o raro, o difícil, o excepcional. Estabeleça padrões de realização abertos a todos, aos piores, aos mais inaptos, e você paralisa o ímpeto de esforço em todos os homens, grande ou pequenos.

Você paralisa todo o incentivo ao progresso, à excelência, à perfeição. Ria de Roark e defenda Peter Keating como um grande arquiteto [...] Venere a mediocridade, e os santuários estarão arrasados.

E há outra maneira. Mate através do riso. O riso é um instrumento de alegria humana. Aprenda a usá-lo como uma arma destruidora.

Transforme-o em um riso de menosprezo. É simples. Diga-lhes para rirem de tudo. Diga-lhes que um senso de humor é uma virtude ilimitada.

Não deixe que nada permaneça sagrado na alma de um homem, e a sua própria alma não será sagrada para ele.

Mate a veneração e você terá matado o herói no homem. Não se venera com risadinhas. Ele obedecerá e não imporá nenhum limite à sua obediência - vale tudo - nada é sério demais.

Aqui vai outra maneira. Isto é extremamente importante. Não permita que os homens sejam felizes. A felicidade é independente e auto-suficiente. Homens felizes não têm tempo nem utilidade para você. Homens felizes são homens livres.

Portanto, mate a alegria deles de viver. Tire deles o que quer que seja precioso ou importante para eles. Nunca deixe que tenham o que querem. Faça com que sintam que o mero fato de um desejo pessoal é maligno. Leve-os a um estado em que dizer ‘Eu quero’ não é mais um direito natural, mas uma confissão vergonhosa.

Os homens infelizes virão até você. Precisarão de você. Virão buscando consolo, apoio, fuga, A natureza não permite nenhum vácuo. Esvazie a alma do homem e o espaço será seu para preencher [...] Amarramos felicidade à culpa. E pegamos a humanidade pelo pescoço [...]

Se usarmos a razão, fica claro que onde há sacrifício, há alguém coletando as oferendas sacrificiais. Onde há serviço, há alguém sendo servido.

O homem que lhe fala de sacrifício, fala de escravos e donos. E tem a intenção de ser o dono.

Mas se ouvir um homem lhe dizer que deve ser feliz, que esse é o seu direito natural, que seu primeiro dever é para consigo mesmo, este é o homem que não quer a sua alma. É o homem que não tem nada a ganhar de você [...]

Mas aqui você pode ter notado uma coisa. Eu disse: ‘Se usarmos a razão’. Você percebe? Os homens têm uma arma contra você. A razão. Portanto, você precisa certificar-se completamente de que a tirará deles.

Corte os alicerces que a sustentam. Mas tenha cuidado. Não a negue completamente [...] Não diga que a razão é maligna - embora alguns tenham até chegado a fazer isso, e com um sucesso surpreendente.

Apenas diga que a razão é limitada. Que há algo acima dela. O quê? Não precisa ser claro a respeito disso, tampouco. O campo é inesgostável. ‘Instinto’, ‘Sentimento’, ‘Revelação’, ‘Intuição Divina’, ‘Materialismo Dialético’.

Se for pego em algum ponto crucial e alguém lhe disser que a sua doutrina não faz sentido, você estará preparado. Você responde que há algo acima do fazer sentido. Que, nessa questão, ele não deve tentar pensar, deve sentir. Deve acreditar.

Faça com que parem de usar a razão, e você pode jogar como se tivesse todos os coringas: qualquer coisa vale, de qualquer maneira que você desejar, quando desejar. Você os tem na mão. Dá para dominar um homem que pensa? Não queremos nenhum homem que pensa [...]

Está com medo de ver onde vai dar. Eu não estou. Eu lhe digo. No mundo do futuro. No mundo que eu quero. Um mundo de obediência e união.

Um mundo em que o pensamento de cada homem não será o seu próprio, mas uma tentativa de adivinhar o pensamento do próximo vizinho que, por sua vez, não terá nenhum pensamento próprio, mas uma tentativa de adivinhar o pensamento do próximo vizinho, que não terá nenhum pensamento... e assim por diante [...]

um mundo em que nenhum homem terá um desejo próprio [...] Um mundo em que o Homem não trabalhará por um incentivo tão inocente como o dinheiro, mas por aquele monstro sem cabeça: o prestígio. A aprovação de seus semelhantes, a boa opinião deles [...]

Um polvo, só tentáculos e nenhum cérebro. Raciocício individual, Peter? Nada de raciocínio individual, apenas pesquisas de opinião pública. Uma média tirada de zeros, uma vez que nenhuma individualidade será permitida. Um mundo com seu motor arrancado e um único coração, bombeado a mão. A minha mão [...]

Distribuiremos medalhas pelo serviço. Vocês vão cair uns em cima dos outros, brigando para ver quem se submete mais e melhor. Não haverá nenhuma outra distinção a buscar. Nenhuma outra de realização pessoal [...]

Não terei nenhum outro propósito, a não ser mantê-los contentes. Mentir, adulá-los, elogiá-los, inflar sua vaidade. Fazer discursos sobre o povo e o bem-comum [...] Eu quero o poder. Quero o meu mundo do futuro."

- Ayn Rand, trecho de A Nascente (The Fountainhead)



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4 comentários:

Nathalíe disse...

excelente escudo!..rs

Canteiro Pessoal disse...

Nicholas, forte!

p.s.: A curiosidade bate à porta sempre quando apresentas trechos de Rand - o outrora Nicholas e
atual Nicholas?

Priscila Cáliga

Canteiro Pessoal disse...

A propósito, amei a imagem - sou vidrada por imagens com esse teor que revela o dentro, o que há sem as máscaras.

Priscila Cáliga

José Maria Plá Junior disse...

Fantástico o trecho. Ótima escolha, sem dúvidas um dos melhores do livro. Como disse a Priscila, FORTE.

Grande abraço.

Plá
blogdopla.blogspot.com

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