21.3.11

Hans Rosling: Alegria nas Estatísticas (Joy of Stats)

YouTube - 200 países, 200 anos, 4 minutos - FANTÁSTICO!


Trecho do documentário "Joy of Stats". Vi no Papo de Homem.


"Hoje temos muitos dados. Mas ter os dados não basta. É necessário apresentá-los de forma que as pessoas consigam entendê-los e apreciá-los.

Com uma visão mais baseada em fatos, poderemos desconstruir mitos devastadores, compreender melhor a situação do desenvolvimento global e tomar decisões mais acertadas."

(Hans Rosling)


Hans foi médico por 20 anos na África através da ONG Médicos Sem Fronteiras, e arriscou a própria vida diagnosticando e tratando uma doença até então desconhecida (Konzo).

Tornou-se professor de saúde global e viu como as idéias pré-concebidas de alunos e autoridades eram diferentes dos fatos estatísticos, o que levava a muitos erros em decisões importantes.

Na tentativa de desconstruir esses mitos, procurou novas formas de colher e apresentar dados sobre saúde nos países e indicadores correlacionados, para que as pessoas adquirissem uma visão mais factual do desenvolvimento mundial.

Vendo que organizações globais como a ONU e o Banco Mundial não consolidavam nem tornavam acessíveis os dados para o público, Hans criou a ONG Gapminder.org para colher diversos indicadores dos países e disponibilizar em um banco de dados totalmente aberto.

Não só isso, desenvolveu um software que torna fácil apresentar e correlacionar esses indicadores através dos anos, utilizando gráficos e animações, permitindo uma ampla visão comparativa entre os países, derrubando velhas suposições e gerando novas idéias.

O software disponibiliza mais de 500 variáveis dos países sobre Economia, Educação, Saúde, Demografia, Meio-ambiente, Energia, Infra-estrutura, Emprego. Pode ser acessado online, é livre e gratuito:


Foi procurado por Google, Al Gore, Bill Gates, Bill Clinton, Governos, ONGs, Organizações mundiais. Tornou-se palestrante e inspira o mundo todo cumprindo o que colocou como sua missão:

"Combater os mais devastadores mitos construindo uma visão de mundo baseado em dados que todos possam compreender."


Hans Rosling - Joy of StatsHans Rosling - Joy of Stats
Como ele mesmo explica, as estatísticas não apresentam 100% da situação. Alguns valores qualitativos não são ou não podem ser medidos, e a mente humana é necessária para verificar causas e estabelecer certas correlações.

No entanto, sabemos que nossa intuição falha em muitas decisões importantes. Ao visualizar situações muito amplas ou mudanças que ocorrem muito lentamente, algumas verdades podem passar despercebidas.

A mente humana e a estatísticas são ferramentas complementares. Colher e apresentar dados estatisticamente pode revelar fatos e gerar questionamentos que vão contra suposições que superficialmente parecem corretas.


Hans Rosling - Joy of Stats

Veja os links e trechos de suas melhores palestras:


Hans Rosling - Joy of Stats
Estes estudantes que aqui chegam, pensei eu, têm as maiores notas que se pode obter nos sistemas educacionais suecos, então talvez já saibam tudo que lhes estou prestes a ensinar. Quando chegaram, fiz um pré-teste. Um dos assuntos sobre os quais aprendi muita coisa foi: “Que país tem a maior taxa de mortalidade dentre estes cinco pares?”

E estes foram os resultados dos estudantes suecos: 1,8 respostas certas dentre cinco possíveis.

Uma noite, bem tarde, quando eu compilava o relatório, compreendi realmente minha descoberta. Mostrei que os melhores estudantes sabiam, estatisticamente, muito menos sobre o mundo do que os chimpanzés.

O problema não era a ignorância: eram idéias preconcebidas.

Então entendi que havia realmente uma necessidade de comunicar, os dados sobre o que acontecia no mundo e a saúde das crianças de que cada país.

Cada vez mais elaboradores de políticas e o setor corporativo gostariam de ver como o mundo está mudando. Por que isto não ocorre? Por que não estamos usando os dados que temos? Temos dados nas Nações Unidas, nas agências nacionais de estatística e em universidades e outras organizações não governamentais.

Porque os dados estão ocultos nos bancos de dados. E o público está aí, e a Internet está aí, mas ainda não a usamos com eficiência.

Há algumas páginas na Internet, mas são alimentadas pelos bancos de dados, e as pessoas estabelecem preços para elas, senhas estúpidas e estatísticas enfadonhas.

Isto não vai funcionar. Então, o que é necessário? Temos os bancos de dados. Vocês não precisam de novos bancos de dados. Temos ferramentas de projeto maravilhosas, e a cada momento são acrescentadas outras.

Começamos um empreendimento sem fins lucrativos que chamamos de – vinculação de dados a projeto - chamamos de Gapminder (Alerta para o vão), do metrô de Londres, onde alertam: “Cuidado com o vão.” Então pensamos que o nome era apropriado.

Você pode pegar um conjunto de dados e inseri-lo lá. Estamos liberando dados das Nações Unidas, de algumas poucas organizações.

É bem assustador, mas considero muito importante ter tais informações. Nós realmente precisamos vê-las. Em vez de olhar para isto.

Neste software, acessamos cerca de 500 variáveis de todos os países com muita facilidade.


Hans Rosling - Joy of Stats
Eu lhes disse três coisas ano passado. Eu lhes disse que as estatísticas do mundo não foram propriamente disponibilizadas. Por causa disso, nós ainda mantemos a antiga mentalidade de países industrializados e em desenvolvimento, o que é errado. E que gráficos animados podem fazer a diferença. As coisas estão mudando.

Hoje, a página principal do site da Divisão de Estatísticas da ONU, diz que, em primeiro de maio, dará acesso total às bases de dados.

Agora, o que nós precisamos pensar a respeito é, qual o objetivo para o desenvolvimento e quais são as forma de se desenvolver?

Deixem me primeiro graduar os meios mais importantes. Crescimento econômico, para mim, como um professor de saúde pública, é a coisa mais importante para o desenvolvimento, porque explica 80 por cento da sobrevivência. Governança. Ter um governo que funcione -- isso é o que tirou a Califórnia da miséria de 1850. Foi o governo que fez a lei funcionar, finalmente. Educação, recursos humanos são importantes. Saúde também é importante, mas não tanto como um meio. Meio ambiente é importante. Direitos humanos são importantes, mas recebe apenas uma marca.

Agora, quais são os objetivos? Em que direção estamos indo? Dinheiro não é o objetivo. É o melhor meio, mas dou zero como objetivo. Governança, bem, não é um objetivo. E indo para educação, isso não é um objetivo, isso é um meio. Para saúde eu darei dois pontos. Quer dizer, é bom ser saudável. Meio ambiente é muito, muito crucial. Não vai sobrar nada para os netos se nós não preservarmos.

Mas onde estão os objetivos importantes? Claro, são os direitos humanos. Direitos humanos são o objetivo, mas não é tão forte enquanto como meio para atingir o desenvolvimento. E cultura. Cultura é a coisa mais importante, eu diria, porque isso traz prazer à vida. Esse é o valor de estar vivo.

Lembrem-se, por favor, lembrem-se da minha mensagem principal, que é essa: o aparentemente impossível é possível. Nós podemos ter um mundo bom. Eu os mostrei as fotos, eu provei no PowerPoint e eu acho que eu vou convencer vocês também através de cultura. (Risos) (Aplausos)


Hans Rosling - Joy of Stats
Estamos aqui hoje porque as Nações Unidas definiram metas para o progresso dos países. Elas são chamadas as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

O motivo pela qual gosto de verdade dessas metas é que elas são oito. E, ao especificar oito metas diferentes, as Nações Unidas disseram que existem todas essas coisas que precisam ser mudadas num país para conseguir uma boa vida para as pessoas.

Vejam aqui, é preciso acabar com a pobreza, educação, gênero, saúde das crianças e mães, controlar infecções, proteger o ambiente e conseguir os bons elos globais entre as nações em todos aspectos desde a ajuda humanitária até o comércio.

Há uma segunda razão para que eu goste dessas metas de desenvolvimento, é porque cada uma delas é medida. Por exemplo, a mortalidade infantil. O objetivo aqui é reduzir a mortalidade infantil em dois terços, de 1990 a 2015. Isso é uma redução de quatro por cento ao ano.

E é com medição. Isso é o que faz a diferença entre conversa política como essa e realmente partir para as coisas que importam, uma vida melhor para as pessoas.

E o que me faz tão feliz com isso é que já documentamos que há muitos países na Ásia, no Oriente Médio, na América Latina e na Europa Oriental que estão reduzindo nessa proporção. E mesmo o poderoso Brasil está reduzindo com cinco por cento ao ano, e a Turquia com sete por cento ao ano.


Hans Rosling - Joy of Stats
Era uma vez, quando aos 24 anos, eu era um estudante na faculdade de medicina do St. John's em Bangalore. Eu fui um aluno convidado por um mês numa matéria sobre saúde pública. E aquilo mudou minha mentalidade para sempre.

A matéria era boa, mas não foi o conteúdo do curso em si que mudou minha mentalidade. Foi quando eu percebi, para meu espanto, na primeira manhã, que os alunos indianos eram melhores que eu.

Sabem, eu era um nerd. Eu adorava estatística desde muito cedo. E eu estudava bastante na Suécia. Eu sempre estava no quartil superior em todas as matérias que eu cursei. Mas no St. John's, eu fiquei no quartil inferior.

E o fato era que os alunos indianos estudavam mais que nós na Suécia. Eles liam o livro texto duas vezes, ou três vezes, ou quatro vezes. Na Suécia nós líamos uma vez e então íamos para a balada.

E aquilo, para mim, aquela experiência em primeira pessoa, foi a primeira vez na minha vida em que a mentalidade com a qual eu cresci foi modificada. E eu percebi que, talvez, o mundo ocidental não continuará a dominar o mundo para sempre.


Hans Rosling - Joy of Stats
Eu vou falar sobre a mentalidade de vocês. Será que a mentalidade de vocês bate com meus dados? (Risadas) Se não, um de nós precisa se atualizar, correto?

Quando eu falo aos meus alunos sobre os problemas globais, e eu os escuto na hora do cafezinho, eles sempre falam sobre "nós" e "eles".

E quando eles voltam para a sala eu pergunto: O que vocês querem dizer com "nós" e "eles"? Muito fácil, eles dizem. É o mundo ocidental e o mundo em desenvolvimento.

Assim uma garota diz, sabiamente, "É muito fácil. O mundo ocidental é vida longa em família pequena. O mundo em desenvolvimento é vida curta em família grande."

E é meu dever, em nome do resto do mundo, agradecer aos cidadãos americanos, pela pesquisa demográfica de saúde. Muitos não têm conhecimento -- não é uma piada. Isso é muito sério. Isso é feito pelo patrocínio contínuo dos Estados Unidos durante 25 anos através da excelente metodologia de medição de mortalidade infantil para que possamos ter uma ideia do que acontece no mundo. (Aplausos)

E isso é a melhor parte do governo americano sem burocracia, fornecendo fatos, que são úteis para a sociedade. E fornecem gratuitamente, na internet, para o mundo usar. Muito obrigado.

Ao contrário do Banco Mundial, que compilou dados com o dinheiro do governo, dinheiro de impostos, e então os vende para ter um pouco mais de lucro, de uma forma muito ineficiente, do jeitinho Guttenberg. (Aplausos)

Mas as pessoas que fazem isso no Banco Mundial estão entre as melhores do mundo. E são profissionais extremamente gabaritados. Nós gostaríamos apenas de ter nossas agências internacionais tão evoluídas quanto eles para lidar com o mundo de forma moderna.

E quando se trata de dados gratuitos e transparentes, O EUA é um dos melhores. E isso não vem da boca de um professor de saúde pública sueco. (Risadas) E eu não sou pago para vir aqui, não.

Precisamos de uma nova mentalidade. O mundo está convergindo. Mas, mas, mas. Não no bilhão de baixo. Eles continuam tão pobres como sempre foram. Isso não é sustentável.


Hans Rosling - Joy of Stats
Nesse vídeo, Hans demonstra a utilização do software e explica que algumas dimensões do desenvolvimento não podem ser apresentadas através de estatísticas. Ou porque não é possível medí-las ou porque não são medidas. Como por exemplo o nível de democracia nos países ou de respeito aos direitos humanos.


Hans Rosling - Joy of Stats
Quando eu entrei na escola, haviam os países industrializados (ricos), cerca de 1 bilhão de pessoas, e tinham os outros países em desenvolvimento (pobres), com 2 bilhões de pessoas.

Durante minha vida, foram somadas ao mundo 3 bilhões de pessoas. Mas elas vivem no meio. Os países em desenvolvimento foram se aproximando dos industrializados.

No entanto, alguns países ficaram para trás, como Afeganistão, Congo ou Somália. Cerca de 1 bilhão de pessoas vivem em extrema pobreza.

Mais 2 bilhões de pessoas serão somadas ao mundo até 2050. Provavelmente India e China estarão entre os países mais desenvolvidos. A população dos países desenvolvidos de hoje, representarão 1/10 da população mundial em 2050, uma pequena parte.

A questão é: esse 1 bilhão de pessoas mais pobres, saírão da pobreza?

Nossa grande fraqueza é a falta de governos globais.

Nós não queremos que os países sejam pobres. Nós não queremos um mundo instável. Queremos que eles possam comprar nossos produtos e serviços, e que também nos vendam ótimas coisas que precisamos.

Em 40 anos a Ásia irá liderar a economia mundial.

Pela primeira vez na história, o mundo pode se beneficiar dos avanços tecnológicos, do planejamento familiar e os países aprendendo a se organizar para terem crescimento econômico. Os países estão se aproximando no desenvolvimento.

Temos recursos humanos suficiente, capital suficiente, possibilidades suficientes para criar um mundo bom. Então, vamos criá-lo! É possível.



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