13.4.11

PSICOLOGIA AMBIENTAL - Idéias para Incentivar o Comportamento Sustentável - parte 3

"Não há nada errado com o planeta. O planeta está bem. A humanidade é que está encrencada."

(George Palin)

Aquecimento Global - Psicologia Ambiental
Nos posts anteriores, expliquei porque as pessoas não se importam com o aquecimento global e as barreiras psicológicas que impedem a mudança. Neste posts quero citar algumas idéias para superá-las na criação de programas ambientais, campanhas e tecnologias verdes.


Idéias para melhorar a adoção de comportamentos sustentáveis:

  • Informação e Visualização

Estabeleça meios para medir e sinalizar periodicamente o consumo de energia, economia de dinheiro e tempo, níveis de poluição - de indivíduos, departamentos, organizações e máquinas. Apresente também os valores consolidados, totais.

Torne isso público, um tipo de ranking destacando aqueles com menor impacto proporcional e que progrediram mais.

Deixe claro os padrões desejados e ações apropriadas - para todos saberem quando estão fora ou dentro do esperado.

Evite abreviaturas, muitos dados, diagramas complexos, imagens catastróficas/futuras/distantes/multidões.

Utilize materiais com gráficos simples, imagens vivas, checklist de ações, comparações com o dia-a-dia, lugares familiares/próximos/significativos para o público, falando de acontecimentos recentes e com design profissional.

Prefira frequência à porcentagens (dizer "1 em 1000" dá mais impacto do que "0,1%")

Conte histórias individuais. Temos mais empatia quando vemos uma criança sofrendo, ou alguém que adotou práticas sustentáveis com sucesso, do que falando de populações/países.

Atenção na Linguagem. Exemplo: Aquecimento (bom) Global (bom) é menos impactante do que Crise (ruim) Climática (neutro).

Foque no que as pessoas estão perdendo ou podem perder, do que nos ganhos. As pessoas se preocupam mais em não perder do que em ganhar.

Não fale apenas. Mostre, comprove, envolva, inspire, demonstre. Use vários recursos - meios visuais, auditivos, cinestésicos. Faça eventos, promova interação. Leve as pessoas para entrarem em contato com a natureza, com a degradação e com lugares sustentáveis.

As pessoas precisam saber o que agrava o problema e as consequências, saber como ajudar realmente, quais as soluções mais eficazes, e quais são as implicações positivas e negativas da mudança na vida delas.

Mantenha as informações disponíveis a todo o momento. Facilite a busca, a visualização, a comparação e o esclarecimento de dúvidas.

Divulgue os resultados das ações. Sabendo quem progrediu, quem não, quais as consequências esperadas (pessoais e organizacionais), e qual o resultado obtido - pode-se identificar quais foram as melhores práticas, as principais dificuldades na adoção do comportamento sustentável e ir aperfeiçoando o programa.

Utilize tecnologias e equipamentos que apresentam de forma clara, imediata, o quanto estão consumindo/poluindo/economizando.

Confira se Certificações, Selos, Dados, Bibliografia - são de fontes confiáveis, comprovadas e transparentes - para não trair a confiança das pessoas, perder a credibilidade e o engajamento.

  • Valores e Liderança

Os valores organizacionais não são aqueles escritos, mas aqueles demonstrados nas ações diárias. As atitudes dos representantes devem ser coerentes com os valores propostos.

Deve-se pensar o programa considerando meritocracia, transparência, justiça. Não pode haver favorecimentos fora dos critérios e valores propostos.

Os líderes devem considerar os interesses, dificuldades e valores dos integrantes, para obter uma adesão voluntária, engajada, motivada - e não gerar resistências.

  • Oportunidades e Riscos

Forneça (e mantenha) as condições físicas, contextuais, dê tempo e autonomia, para que o comportamento possa ser exercido, e para que não seja um incômodo exercê-lo.

Exemplos: As campanhas pedem que as pessoas utilizem ônibus. Mas se há poucas linhas, demora, custo alto, más condições, insegurança - as pessoas vão preferir ir de carro.

Há também gestores que propõe tarefas aos colaboradores, mas não dão tempo nem autonomia para que sejam feitas.

O indivíduo não pode se sentir prejudicado, penalizado, ao exercer o comportamento sustentável. Além das condições tangíveis, pense também nas intangíveis (limpeza, organização, etc).

Considere os riscos financeiros, sociais, funcionais, físicos, temporais, psicológicos - envolvidos na adoção pelos indivíduos do comportamento sustentável.

A satisfação pelas ações realizadas é importante. Se há motivos para a pessoa se sentir satisfeita com a própria participação, isso fortalece o engajamento nas ações.

O fator competência também influi na satisfação. O resultado esperado e as ações solicitadas tem que ser estimulantes, desafiadoras, mas não ir além da capacidade e aptidões dos indivíduos.

Pode-se também fazer de forma divertida: jogos, campeonatos, concurso de idéias, fazer votações, colher sugestões e feedbacks - para dar oportunidade de participação e melhoramento do programa.

Revise e aperfeiçoe as condições periodicamente para continuar obtendo bons resultados.

  • Outros Incentivos

Como expliquei nos posts anteriores. As pessoas não foram “projetadas” para se importar com o aquecimento global. Mas elas se importam com muitas outras coisas.

Pense em quais incentivos positivos (recompensas) ou medidas restritivas podem influenciar um comportamento sustentável, além da preocupação com o meio-ambiente. Ambas são importantes.

Um ótimo incentivo é o Ego. Pessoas e Organizações querem que os outros pensem que elas são boas. Destaque e reconheça quem obteve bons resultados.

Poucas pessoas compram um Toyota Prius (veículo com baixa emissão de poluentes) pelo aquecimento global. Quando dirigimos um, a preocupação principal é nosso ego, não o meio-ambiente. No entanto, a consequência é positiva, não negativa.

Se todos pudessem ver o quanto cada um progrediu, as pessoas iriam se preocupar - não com a emissão de carbono, mas com que os outros estão pensando - e tentariam reduzir.

Dinheiro não é um bom incentivo. As pessoas não gostam de envolver trocas sociais, com financeiras. Exemplo: pagar comissões por indicações ou favores.

Se você criar taxas de carbono, as pessoas vão apresentar resistências, dizer que está muito caro, acusar de ganância, procurar subterfúgios.

  • Momentos Cruciais

É impossível fazer as pessoas pensarem o tempo todo no Aquecimento Global. Mas é possível em momentos cruciais, nos quais as pessoas tomam uma decisão que gera um grande e prolongado impacto no meio-ambiente.

Exemplos: quando compram um carro, uma geladeira, um sistema de energia para suas casas.

Nesses momentos, temos que fazer a pessoa pensar no meio-ambiente e na economia de recursos.


Fontes:
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Nos próximos posts, vou falar de hipocrisia verde e dos obstáculos políticos/econômicos para um acordo entre os países sobre o aquecimento global.

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Deixo aqui um vídeo de 1992(!) da menina que calou o mundo:

Severn Suzuki


http://www.youtube.com/watch?v=5g8cmWZOX8Q



Aquecimento Global - Psicologia Ambiental



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