9.5.11

Porque Não se Trabalha no Trabalho - Jason Fried

Jason Fried é fundador e diretor da 37signals, uma empresa que tem meia dúzia de funcionários, e é incrivelmente inovadora.

Ele escreveu 2 dos mais radicais, pertubadores (e melhores) livros de negócios que já li: Rework (resumo em breve por aqui) e Getting Real.

Jason Fried: Why work doesn't happen at work | Video on TED.com



Melhores Trechos:

Temos companhias, ONGs e todos esses grupos. Decidem que as pessoas precisam se juntar em um lugar para fazer o trabalho. Então, as pessoas têm que ir ao escritório todo dia.

As companhias constroem prédios comerciais e enchem de mesas, cadeiras, computadores, programas, acesso à Internet - e elas esperam que seus funcionários venham a este local todo dia para fazer um ótimo trabalho.

No entanto, se você perguntar às pessoas, ou a si mesmo, onde você realmente precisa ir quando tem que fazer algo bem feito?

Ouço coisas como, a varanda, a sacada, a cozinha. Ouço coisas como um quartinho da casa, o porão, a cafeteria, a livraria. O trem, o avião, o carro – ou seja, o transporte. Ouço também: "Não importa onde estou, desde que seja bem cedo ou bem tarde da noite ou o fim de semana".

Você quase nunca escuta alguém dizer o escritório.

Mas as empresas gastam todo esse dinheiro num lugar chamado escritório, e fazem as pessoas ir até lá o tempo todo, e mesmo assim as pessoas não fazem o trabalho lá.

Por que é assim? Por que isso acontece?

Você não tem mais um dia de trabalho, tem momentos de trabalho. 15 min aqui, 30 min ali e depois algo acontece e você é tirado do seu trabalho, e você precisar fazer outra coisa.

E antes de você notar são 5 da tarde, e percebe que não conseguiu fazer nada. Todos já passamos por isso.

Você olha para seu dia, e fica tipo, não fiz nada hoje. Eu estava no trabalho. Sentei à minha mesa. Usei meu computador caro. Usei o programa que me disseram para usar. Fui a essas reuniões que me pediram para ir. Mas na verdade não fiz nada. Só realizei tarefas. Não fiz nenhum trabalho significativo.

Principalmente pessoas criativas – designers, programadores, escritores, engenheiros, pensadores – essas pessoas realmente precisam de longos períodos ininterruptos para fazer algo bem feito.

Você não pode pedir que alguém seja criativo em 15 min e realmente refletir sobre um problema.

E mesmo que o dia de trabalho normal tenha 8h, quantas pessoas aqui já tiveram 8h para si no escritório? Que tal 7h? 6h? 5h? 4h? Quando foi a última vez que você teve 3h para si no escritório? 2h? 1h, talvez.

Poucas pessoas tiveram de fato longos períodos ininterruptos no escritório.

E é por isso que as pessoas escolhem trabalhar em casa, ou podem até ir ao escritório, mas elas vão lá bem cedo pela manhã, ou tarde da noite, ou no fim de semana, ou trabalham no avião, ou no trem - onde não há distrações.

Eu acho sono e trabalho coisas muito parecidas. Alguém aqui espera que se durma bem sendo interrompido o tempo todo? Por que esperamos que pessoas trabalhem bem se elas são interrompidas o dia todo no escritório?

Se você conversar com alguns gerentes, eles dirão que não querem funcionários trabalhando em casa por causa dessas distrações. Eles também dizem: "Bem, se você não vê, como sabe se a pessoa está trabalhando?" é uma das desculpas que gerentes dão.

Acontece que essas coisas não são as que realmente distraem. Pois são todas distrações voluntárias. Você decide quando quer ser distraído pela TV. No escritório, a maioria das interrupções e distrações que não deixam as pessoas fazer seu trabalho são involuntárias.

Agora, gerentes e chefes sempre vão fazer você pensar que as verdadeiras distrações no trabalho são coisas como Facebook, Twitter, YouTube e outros sites. E de fato, eles chegam ao ponto de realmente banir esses sites no trabalho.

É por isso as pessoas não trabalham direito, porque estão no Facebook ou no Twitter?

Isso é meio ridículo. Hoje em dia, Facebook, Twitter e YouTube, são meramente as pausas-para-o-cigarro modernas.

Os problemas reais são o que eu chamo de G&Rs, Gerentes e Reuniões.

Esses são os verdadeiros problemas do escritório moderno. É por isso que as coisas não são feitas no trabalho.

Agora, é interessante que se você ouvir a respeito de onde as pessoas falam sobre fazer o trabalho – como em casa, no carro, no avião, tarde da noite, ou de manhã cedinho – você não encontra gerentes e reuniões. Encontra várias outras distrações, mas não gerentes e reuniões.

Gerentes, basicamente, são pessoas cujo trabalho é interromper os outros.

Eles não trabalham de verdade, e aí querem saber se os demais fazem o trabalho, o que é uma interrupção.

Eles têm que chegar e dizer: "Ei, como está indo? Me mostra o que está fazendo", esse tipo de coisa.

Mas o pior de tudo é aquilo que os gerentes mais fazem, que é marcar reuniões. E reuniões são coisas simplesmente tóxicas, terríveis e venenosas durante um dia de trabalho.

Então elas vão à sala de reunião, ficam juntas, falam sobre coisas que geralmente não importam de verdade. Porque reuniões não são trabalho. Reuniões são para falar sobre aquilo que deve ser feito mais tarde.

Mas as reuniões dão cria. E uma reunião tende a gerar outra reunião, que tende a gerar uma outra reunião. Quase sempre há pessoas demais na reunião, e elas são muito, muito caras à organização.

As companhias pensam na reunião de 1h como uma reunião de 1h, mas isso não é verdade. Se 10 pessoas estão na reunião, são 10 horas de produtividade tiradas do resto da organização para fazer essa reunião de 1h, que, provavelmente, seria resolvida por duas ou três pessoas conversando por alguns minutos.

O que os gerentes podem fazer? Os escritórios são bem equipados, tudo deveria estar lá para elas trabalharem, mas elas não querem ir para lá, então como mudar isso?

Eu tenho três sugestões:

Todos ouvimos sobre o lance da sexta casual. Mas que tal as "quintas sem interromper"?

A primeira quinta do mês, somente à tarde, ninguém no escritório pode falar com os outros. Tudo em silêncio e nada mais.

E o que você descobrirá é que uma tremenda quantidade de trabalho é concluída quando ninguém fica falando com os demais.

Dar a alguém quatro horas de tempo ininterrupto é o melhor presente para qualquer um no trabalho. Essa é a hora em que as coisas são feitas, quando ninguém perturba, ninguém interrompe.

É melhor que um computador. Melhor que um novo monitor, que um novo programa, ou o que seja que pessoas usam normalmente.

E se tentar isso, acho que você verá que concorda. E talvez, espero, você possa fazer isso mais vezes. Então, pode ser semana sim, semana não, ou toda semana, ou toda tarde ninguém pode falar com o outro. Isso é algo que você verá que realmente funciona.

Outra coisa que você pode tentar é mudar de comunicação e colaboração ativas, que são os encontros cara-a-cara, bater no ombro de alguém, fazer reuniões, e substituí-las por modelos passivos de comunicação como e-mail e mensagens instantâneas, ou produtos de colaboração, coisas desse tipo.

Agora, algumas pessoas podem dizer que e-mail distrai e mensagem instantânea também distrai, e que essas coisas são realmente distrativas. Mas são distrativas na hora que você escolher, é sua escolha.

Você pode deixar essas coisas de lado, e então ser interrompido conforme sua agenda, em seu tempo, quando está de fato disponível.

Porque trabalho, como o sono, acontece em fases. Assim, você vai estar realizando algum trabalho, e então quando você se desligar desse trabalho, talvez seja hora de checar seu e-mail ou mensagens instantâneas.

E existem muito, muito poucas coisas que são urgentes, que precisam acontecer, ser respondidas, no mesmo segundo.

E a última sugestão que tenho é que, se você tiver uma reunião marcada, se estiver em seu poder, simplesmente cancele. Cancele essa reunião. Simplesmente não a faça.

As pessoas terão a manhã livre, poderão realmente pensar, e você verá que tudo aquilo que pensava que tinha que fazer, você, na verdade, não tem.


Jason Fried



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2 comentários:

RENAN BECKER disse...

Como assim 4 horas de silêncio obrigatórias??? Tudo bem que interrupções atrapalham, e muito, no entanto é direito do funcionário a expressão. Pois como li aqui no blog mesmo, nem todos produzimos das mesmas formas. Texto simpático, no entanto achei contraditório...

Nícholas Fernandes Gimenes disse...

E aí Renan! tudo bom rapaz?

O texto é sobre essa mania dos gerentes de microgerenciar os funcionários. De ficar passando uma coisa, e depois passa outra.. e ficar perguntando a cada 10min "Tá pronto? Tá pronto?" e tudo é urgente.

O Jason Fried propôs 4hs por mês (sussa né), sem interrupções. Para as pessoas poderem focar nos problemas que exigem mais concentração.

Ninguém vai pôr uma mordaça na boca de ninguém. É apenas um horário pra ter semancol, fazer algo importante, se concentrar um pouco.

Quando eu tiver uma empresa minha, vou ter uma sala separada para quem precisa ficar em silêncio, e quiser ir lá pra se concentrar.

Abs!

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