23.5.11

Priorizando os Maiores Problemas do Mundo - Bjørn Lomborg

Bjørn Lomborg é um dos fundadores do Copenhagen Consensus, uma organização que une especialistas de vários países, para estudar e priorizar soluções para os problemas globais.

Quando falamos de desafios mundiais, todos são importantes, óbvio.

No entanto, em um mundo de recursos limitados, não conseguiremos resolver todos de uma vez. Temos que priorizar, saber o que é melhor atacar primeiro.

Ao invés de desperdiçar dinheiro em soluções de pouco retorno social, precisamos identificar os principais problemas, verificar o custo-benefício das soluções e então criar uma lista de ações prioritárias.

Após essa análise, verificou-se que algumas das prioridades atuais dos governos não geram tanto benefício ou não são tão urgentes.

Será que tem alguém fazendo uma lista assim no Brasil?


Links Interessantes:

Palestra fantástica dele no TED Talks:

Bjorn Lomborg define as Prioridades Globais
- Video on TED.com - 16 min





Melhores Trechos:


Quais são os maiores problemas do mundo? Eu vou apenas listar alguns deles.
  • Existem 800 milhões de pessoas famintas.
  • Existe 1 bilhão de pessoas sem água potável para beber.
  • 2 bilhões de pessoas sem saneamento básico.
  • Existem milhões de pessoas morrendo de HIV e AIDS.
  • Existem 2 bilhões de pessoas que serão gravemente afetadas pela mudança climática
E por aí vai.

Existem muitos, muitos problemas por aí. Devemos começar a nos perguntar quais problemas devemos resolver primeiro?

Se nós tivessemos, digamos, US$ 50 bilhões para gastar nos próximos 4 anos para fazer o bem nesse mundo, onde deveríamos investí-los?

Nós identificamos 10 dos maiores desafios no mundo e vou listá-los, rapidamente.
  • Mudança climática
  • doenças transmissíveis
  • conflitos
  • educação
  • estabilidade financeira
  • governança e corrupção
  • desnutrição e fome
  • migração da população
  • saneamento básico e água
  • subsídios e barreiras comerciais.
Nós acreditamos que esses, em muitas formas, englobam os maiores problemas no mundo.

Mas, claro, existe um problema em pedir às pessoas para focar em problemas. Claramente o maior problema que temos no mundo é que todos morremos.

Mas nós não temos a tecnologia para solucionar isso, certo? Então o ponto é não priorizar problemas, mas, sim, priorizar as soluções para os problemas.

Claro que fica um pouco mais complicado. Para mudança climática seria como o protocolo de Kyoto. Para doenças transmissíveis, seriam clínicas de saúde ou redes de mosquito. Para conflitos, seria a força de paz da ONU e assim por diante.

Você deve se perguntar, porque diabos essa lista nunca foi feita antes? E uma razão é que a priorização é incrivelmente desconfortável. Ninguém quer fazer isso. Claro, toda organização gostaria de estar no topo dessa lista.

Existem tantas, tantas coisas que podemos fazer por aí, mas nós nunca soubemos o preço, nem o tamanho delas. Nós não tinhamos uma ideia. Imagine ir a um restaurante e receber um cardápio enorme, mas você não tem ideia dos preços.

E isso é o que o Consenso de Copenhagen está tentando fazer – tentar colocar preços nessas questões. Nós temos 30 dos melhores economistas do mundo, 3 em cada área.

Então temos 3 dos melhores economistas escrevendo sobre mudança climática. O que podemos fazer? Qual será o custo? E assim por diante.

E então você pergunta: porque economistas? O ponto é, claro, se você quer saber sobre malária, pergunte a um expert em malária. Se você quer saber sobre o clima, pergunte a um climatologista.

Mas se você quer saber com qual dos dois devemos lidar primeiro, você não pode perguntar a nenhum deles, pois não é isso que fazem. Isso é o que um economista faz. Eles priorizam.

Então, essa é a lista e eu gostaria de compartilhá-la com vocês. Claro, você pode vê-la também na Internet, e nós iremos falar mais a respeito, tenho certeza, durante o dia.

Eles basicamente montaram uma lista onde dizem existem maus projetos – basicamente projetos onde, se você investir um dólar, terá menos de um dólar de retorno.

Claro, são pelos projetos muito bons que devemos começar.

No fim da lista está a mudança climática. Isso ofende bastante gente.

A razão pela qual eles levantaram a questão de que Kyoto – ou alguma coisa ainda maior que Kyoto – é um mau negócio é simplesmente porque é muito ineficiente.

Não é dizer que o aquecimento global não está ocorrendo. Não é dizer que isso não é um grande problema. Mas é dizer que o que podemos fazer a respeito é muito pouco a um custo muito alto.

Deve custar cerca de US$ 150 bilhões por ano. É uma quantia substancial de dinheiro. Isso é duas ou três vezes a ajuda global para desenvolvimento que nós damos para o Terceiro Mundo todo ano. Ainda assim seria um pequeno bem.

Todos os modelos mostram que iria-se adiar o aquecimento em 6 anos em 2100. Para que o cara em Bangladesh não receba a inundação em 2100 e espere 2106.

E apenas para dar uma certa referência, a ONU atualmente estima que por metade dessa quantia, por cerca de US$ 75 bilhões por ano, nós poderíamos resolver todos os maiores problemas básicos do mundo.

Nós podemos fornecer água limpa, saneamento, assistência médica e educação para todo ser humano no planeta.

Então devemos nos perguntar: nós queremos gastar duas vezes o valor para trazer muito pouco benefício? Ou metade do valor para trazer um enorme benefício? E isso é porque se torna realmente um mau projeto.

Não é dizer que se tivéssemos todo o dinheiro do mundo, não gostaríamos de fazer. Mas é dizer que, como não temos, simplesmente não é nossa primeira prioridade.

Eu gostaria de mostrar as quatro principais prioridades que deveriam ser, ao menos, as primeiras a lidarmos, quando falamos sobre como devemos resolver os problemas do mundo.

O quarto melhor problema é a malária. A incidência de malária é de aproximadamente 2 bilhões de pessoas infectadas por ano. Isso pode consumir até um ponto percentual do PIB a cada ano nas nações infectadas.

Se nós investíssemos US$ 13 bilhões pelos próximos 4 anos, poderíamos reduzir essa incidência pela metade.

Nós conseguiríamos prevenir que 500 mil pessoas morresem, mas talvez mais importante, poderíamos impedir 1 bilhão de pessoas de serem infectadas a cada ano.

O terceiro melhor foi o livre comércio. Basicamente, o modelo demonstrou que se tivéssemos acesso ao livre comércio e espeficicamente cortar subsídios nos EUA e Europa, nós poderíamos reanimar a economia global com o surpreendente número de cerca de US$ 2,4 trilhões por ano, metade dos quais seriam recebidos pelo Terceiro Mundo.

De novo, o ponto é dizer que podemos tirar, de fato, até 300 milhões de pessoas da pobreza, radicalmente rápido, entre 2 a 5 anos aproximadamente. Isso seria a terceira melhor coisa a se fazer.

A segunda melhor coisa seria focar a desnutrição. Não apenas desnutrição em geral, mas existe uma forma muito barata de lidar com a falta de nutrientes.

Basicamente, metade da população do mundo tem falta de ferro, zinco, iodo e vitamina A. Se nós investíssemos cerca de US$ 12 bilhões, poderíamos atacar severamente esse problema. Isso seria o segundo melhor investimento que poderíamos fazer.

E o melhor projetos de todos seria nos focar no HIV/AIDS. Basicamente, se nós investíssemos US$ 27 bilhões nos próximos 8 anos, nós poderíamos evitar 28 milhões de novos casos de HIV/AIDS.

Existem duas formas muito diferentes de lidarmos com HIV/AIDS. Uma é o tratamento, a outra é a prevenção. Tratamento é muito, muito mais caro que prevenção.

Então, podemos fazer muito mais ao investir na prevenção. Basicamente para a quantia de dinheiro que gastamos, nós podemos fazer uma quantia X de bem em tratamento, e 10 vezes essa quantia de bem em prevenção.

Eu gostaria que vocês olhassem suas listas de prioriedades e digam, vocês acertaram? Ou chegaram perto dessa que nós concluímos aqui?

Existem muitos problemas pelo mundo afora. E o que eu quero assegurar é que foquemos nos problemas certos. Aqueles onde nós podemos fazer muitos benefícios ao invés de poucos.

As pessoas também dizem: mas e a guerra no Iraque? Vocês sabem, nós gastamos US$ 100 bilhões. Porque não gastamos isso em fazer algum bem no mundo? Eu sou a favor. Se algum de vocês puder convencer o Bush a fazer isso, tudo bem.

A verdadeira questão aqui é pararmos um pouco para pensar sobre quais são as prioridades corretas.

Sabem, quando perguntamos aos melhores economistas do mundo, inevitavelmente acabamos perguntando a homens brancos e americanos. E eles não são necessariamente, sabem, a melhor forma de se olhar para o mundo todo.

Então nós convidamos 80 jovens de toda parte do mundo para vir e resolver o mesmo problema. Apenas dois requisitos eram necessários, eles deveriam estudar numa universidade e falar inglês.

A maioria deles eram, em primeiro lugar, de países em desenvolvimento. Eles tinham o mesmo material mas podiam se extender fora dos escopos da discussão, e certamente o fizeram, para propor sua própria lista.

E a coisa surpreendente foi que a lista era muito similar, com desnutrição e doenças no topo e mudança climática no final.

Espero que isso nos ajude a priorizar melhor as coisas, e pensar sobre como trabalharemos melhor para o mundo.


Bjorn Lomborg



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