3.11.11

Occupy Wall Street: de quem é a culpa?


Estão certos em se indignar, mas agora falta direcionar melhor essa indignação.

O problema do mundo não resolve só com dinheiro. Não é suficiente distribuir as fortunas dos ricos.

Dê hoje 50 bilhões de reais para Somália, e a maior parte irá para corruptos. O resto (se houver) chegará na mãos de quem precisa, e não saberão o que fazer. Comprar comida? Plantar? Furar poço? Onde? Quem vai manter?

O problema do mundo é mais complicado do que fazer uma vaquinha global e pagar a conta.

São problemas estruturais. É falta de recursos, de capacitação, de desenvolvimento, de idéias, de valores, de visão, de mecanismos de controle e de representação.

Não acho que socialismo ou acabar com o dinheiro - e viver em ocas - seja solução.

Socialismo não trará igualdade e nem inibe a corrupção. Acaba com a liberdade e com os incentivos monetários para a produção e inovação (que já não são suficientes). Gera estagnação e pobreza geral.

Dinheiro também não tem culpa, é uma ferramenta de troca. Graças a ele, posso me especializar em algo, ficar bom nisso e trocá-lo por bens e serviços do mundo todo que antes eu teria que fazer por mim mesmo.

Guilhotinar investidores não resolve. Os recursos que emprestam viabilizam pesquisas e tecnologias caríssimas, que aprimoradas, geraram esse avanço incrível dos últimos 100 anos na produção agrícola, na medicina, nos meios de transporte e comunicação.

A lei da oferta e da procura também não é perfeita, mas funciona bem na maioria dos casos. Aquilo que está escasso na sociedade, ou que ela vê mais valor, fica mais caro. Agora o porquê existe gente que compra uma camiseta Lacoste, é um problema sério de percepção de valor.

Acabar com o governo não vira. Não sou cego e vejo os inúmeros problemas globais que temos hoje: guerra por recursos, influência da mídia, manipulação das corporações, crise climática, inúmeras formas de abuso e opressão, etc que só os governos podem regular, e há pesquisas - por exemplo, doenças raras e até mesmo programa espacial - que não são atraentes financeiramente e no longo prazo têm grande importância.

Governo existe para garantir um comércio justo, oportunidades mínimas para as pessoas participarem desse comércio (educação, microfinanciamentos), garantir segurança, atuar em catástrofes, investir em áreas que as empresas não podem..

Sou um reformista. Não adianta acabar com tudo. Temos que nos informar, ver o que é possível fazer no curto prazo, no longo prazo, localmente, globalmente, definir o que é mais urgente, mais importante e o que trará mais resultados. Claro, nada disso é fácil.

Para mim, o foco desse protesto seria obter um sistema judiciário que funcione igual para todos, acesso ao conhecimento, liberdade de viver nossas vidas, condições razoáveis de "jogar o jogo" comercial, desenvolvimento econômico sustentável, uma existência digna, transparência e participação política de fato.

Mas há algumas linhas que acho que precisam ser trabalhadas. Estou sendo simplista e talvez "chovendo no molhado" mas vá lá:

É preciso informatizar tudo, para agilizar e reduzir custos. Tendo tudo nos governos informatizado e disponível na internet em bancos de dados abertos para consultas, fica mais difícil fraudes e facilita o controle.

Voto facultativo é importante, para evitar que haja gente desinteressada perdendo tempo votando em Tiririca.

O lance de estabilidade/imunidade para funcionário público é absurdo. Que seja concedido aos que apresentarem o melhor desempenho, benefícios sociais e menos gastos. Tem que haver algum tipo de meritocracia, de incentivo para o político fazer o certo. Os melhores tem que ser premiados, e os piores, caírem fora. Ficha-limpa é básico.

Outro ponto importante é que a internet elimina intermediários. Pode-se publicar os assuntos em votação e as pessoas votarem, diretamente. Não há necessidade de tantos representantes. Na pior das hipóteses, os representantes deveriam votar naquilo que os eleitores deles já previamente votaram em seu site.

Mas para dar essa autonomia às pessoas, tem que haver inclusão digital. Porém, as pessoas precisam de conhecimento para votar bem, e não há autonomia para pessoas também na educação. O conhecimento é monopolizado pelas escolas e universidades, quem não pode frequentá-las, fica sem.

Faltam canais públicos de e-learning. Digitalizando bibliotecas, material e aulas do ensino fundamental ao superior, não há limite geográfico ou de tempo para acessar esse conhecimento, quem tiver mais desesperado e disposto, terá uma chance. Frisando novamente, inclusão digital é requisito.

Em uma economia baseada em conhecimento, o dinheiro colhido de pré-sal e produtos agrícolas tem que virar estímulos a empreendedorismo, sustentabilidade, serviços, inovação, pesquisas, educação, artes.

Microcrédito também é importante. Doar dinheiro é jogar dinheiro fora. Emprestar o dinheiro a juros baixos, cria uma pressão para aplicar bem o dinheiro, e o pagamento da dívida permite emprestar o dinheiro novamente. O dinheiro não se perde. Deveria haver mais concursos e prêmios para idéias e ações sociais.

Falando agora de empresas, elas querem e precisam inovar, mas possuem um ambiente amarrado e autoritário que esmaga a criatividade e a motivação das pessoas. As empresas tem muito o que aprender sobre administração e motivação com ONGs, e os governos tem muito o que aprender sobre administração com as empresas.

Há alguns problemas ainda mais fundamentais de ordem individual que precisam ser trabalhados: falta de pensamento de longo-prazo, falta de pensamento crítico, falta de auto-confiança e de auto-estima, falta de conhecimento, falta de razão e falta de empatia.

Penso que a maioria dos conflitos sociais são derivações de pré-conceitos disseminados como "ninguém presta", "nada muda", "não adianta", "a responsabilidade é de fulano", etc.

Sei que o post ficou bagunçado, simplista, mal-escrito. É um assunto complicado e tô na maior correria este mês. Espero que agora em novembro tudo volte ao normal, inclusive as postagens aqui no blog ;)

Veja também:

Fuzileiro se revolta com violência policial contra 'Occupy Wall Street' - Opera Mundi 

"Como vocês dormem à noite? Não há honra nisso. [...] Parem de agredir as pessoas. O que vocês estão fazendo? Servi 14 meses para o Iraque pelo meu povo e vocês chegam aqui e espancam eles? Eles não têm armas [...] Esta não é uma zona de guerra. São pessoas honradas. Bater nelas não vai fazer de vocês mais durões [...] Se vocês querem lutar, vão ao Iraque ou ao Afeganistão. Eles são cidadãos norte-americanos!"


http://www.youtube.com/watch?v=WmEHcOc0Sys



Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

1 comentários:

Anônimo disse...

Beleza campeão, espera sentado ae.

Blog Widget by LinkWithin