25.2.11

Deixe a Realidade ser Realidade - Lao-Tsé

"A vida é uma série de mudanças naturais e espontâneas. Não resista a elas - isso só gera tristeza.

Deixe a realidade ser realidade. Deixe as coisas fluírem naturalmente pelo caminho que elas seguirem"

(Lao-Tsé)

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24.2.11

Startup Daily

Conheça o The Startup Daily — Great Ideas from Great Books, um blog que diariamente publica idéias e reflexões dos melhores livros de administração e empreendedorismo. Muito bacana! :)

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21.2.11

Para quê Você Vive? (Dream Rangers - TC Bank)

Indicação do meu amigo e parceiro de viagens Thiago.

Um comercial taiwanês, baseado numa história real.


5 amigos com idade em torno de 81 anos decidem reviver a juventude de motociclistas, após um deles ter falecido.

1 não ouve, outro tem câncer, 3 estão doenças cardíacas e todos com artrite degenerativa.

Foram 6 meses de preparação e 13 dias (1139 km) viajando de moto por Taiwan.

YouTube - TC Bank- Dream Rangers




Você, vai aproveitar a vida quando?


tc bank dream rangers
"Just do what you love. Fuck the rest."

- filme Pequena Miss Sunshine

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Caminho da Felicidade - Mahatma Gandhi

"Não existe um caminho para a felicidade.

A Felicidade é o caminho."


(Mahatma Gandhi)


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18.2.11

Como as Pessoas são Dominadas (e como não ser uma delas) - Ayn Rand


"É só descobrir a alavanca. Se aprender a dominar a alma de um único homem, você consegue pegar o resto da humanidade. É a alma, Peter, a alma. Não chicotes, nem espadas, nem fogo, nem armas.

Foi por isso que os Césares, os Átilas, os Napoleões foram tolos e não duraram. Nós duraremos. A alma, Peter, é aquilo que não pode ser dominado. Tem que ser destruída [...]

Há muitas maneiras. Aqui vai uma: Faça o homem se sentir insignificante. Faço-o se sentir culpado. Mate suas aspirações e sua integridade.

Isso é difícil, mesmo o pior entre vocês, procura, tateando no escuro, um ideal, do seu próprio jeito distorcido.

Mate a integridade através da corrupção interna. Use-a contra a si mesma. Direcione-a para um objetivo que destrua toda a integridade. Pregue a abnegação. Diga ao homem que ele deve viver para os outros [...]

Sua alma abre mão do respeito próprio. Você o tem. Ele obedecerá. Ficará contente de obedecer, porque não pode confiar em si mesmo, sente-se inseguro, sente-se impuro. Essa é uma maneira.

Aqui vai outra: Mate o senso de valores do homem. Mate a sua capacidade de reconhecer a grandeza ou de atingí-la. Grandes homens não podem ser dominados.

Não queremos nenhum grande homem. Não negue o conceito de grandeza. Destrua-o por dentro.

O grande é o raro, o difícil, o excepcional. Estabeleça padrões de realização abertos a todos, aos piores, aos mais inaptos, e você paralisa o ímpeto de esforço em todos os homens, grande ou pequenos.

Você paralisa todo o incentivo ao progresso, à excelência, à perfeição. Ria de Roark e defenda Peter Keating como um grande arquiteto [...] Venere a mediocridade, e os santuários estarão arrasados.

E há outra maneira. Mate através do riso. O riso é um instrumento de alegria humana. Aprenda a usá-lo como uma arma destruidora.

Transforme-o em um riso de menosprezo. É simples. Diga-lhes para rirem de tudo. Diga-lhes que um senso de humor é uma virtude ilimitada.

Não deixe que nada permaneça sagrado na alma de um homem, e a sua própria alma não será sagrada para ele.

Mate a veneração e você terá matado o herói no homem. Não se venera com risadinhas. Ele obedecerá e não imporá nenhum limite à sua obediência - vale tudo - nada é sério demais.

Aqui vai outra maneira. Isto é extremamente importante. Não permita que os homens sejam felizes. A felicidade é independente e auto-suficiente. Homens felizes não têm tempo nem utilidade para você. Homens felizes são homens livres.

Portanto, mate a alegria deles de viver. Tire deles o que quer que seja precioso ou importante para eles. Nunca deixe que tenham o que querem. Faça com que sintam que o mero fato de um desejo pessoal é maligno. Leve-os a um estado em que dizer ‘Eu quero’ não é mais um direito natural, mas uma confissão vergonhosa.

Os homens infelizes virão até você. Precisarão de você. Virão buscando consolo, apoio, fuga, A natureza não permite nenhum vácuo. Esvazie a alma do homem e o espaço será seu para preencher [...] Amarramos felicidade à culpa. E pegamos a humanidade pelo pescoço [...]

Se usarmos a razão, fica claro que onde há sacrifício, há alguém coletando as oferendas sacrificiais. Onde há serviço, há alguém sendo servido.

O homem que lhe fala de sacrifício, fala de escravos e donos. E tem a intenção de ser o dono.

Mas se ouvir um homem lhe dizer que deve ser feliz, que esse é o seu direito natural, que seu primeiro dever é para consigo mesmo, este é o homem que não quer a sua alma. É o homem que não tem nada a ganhar de você [...]

Mas aqui você pode ter notado uma coisa. Eu disse: ‘Se usarmos a razão’. Você percebe? Os homens têm uma arma contra você. A razão. Portanto, você precisa certificar-se completamente de que a tirará deles.

Corte os alicerces que a sustentam. Mas tenha cuidado. Não a negue completamente [...] Não diga que a razão é maligna - embora alguns tenham até chegado a fazer isso, e com um sucesso surpreendente.

Apenas diga que a razão é limitada. Que há algo acima dela. O quê? Não precisa ser claro a respeito disso, tampouco. O campo é inesgostável. ‘Instinto’, ‘Sentimento’, ‘Revelação’, ‘Intuição Divina’, ‘Materialismo Dialético’.

Se for pego em algum ponto crucial e alguém lhe disser que a sua doutrina não faz sentido, você estará preparado. Você responde que há algo acima do fazer sentido. Que, nessa questão, ele não deve tentar pensar, deve sentir. Deve acreditar.

Faça com que parem de usar a razão, e você pode jogar como se tivesse todos os coringas: qualquer coisa vale, de qualquer maneira que você desejar, quando desejar. Você os tem na mão. Dá para dominar um homem que pensa? Não queremos nenhum homem que pensa [...]

Está com medo de ver onde vai dar. Eu não estou. Eu lhe digo. No mundo do futuro. No mundo que eu quero. Um mundo de obediência e união.

Um mundo em que o pensamento de cada homem não será o seu próprio, mas uma tentativa de adivinhar o pensamento do próximo vizinho que, por sua vez, não terá nenhum pensamento próprio, mas uma tentativa de adivinhar o pensamento do próximo vizinho, que não terá nenhum pensamento... e assim por diante [...]

um mundo em que nenhum homem terá um desejo próprio [...] Um mundo em que o Homem não trabalhará por um incentivo tão inocente como o dinheiro, mas por aquele monstro sem cabeça: o prestígio. A aprovação de seus semelhantes, a boa opinião deles [...]

Um polvo, só tentáculos e nenhum cérebro. Raciocício individual, Peter? Nada de raciocínio individual, apenas pesquisas de opinião pública. Uma média tirada de zeros, uma vez que nenhuma individualidade será permitida. Um mundo com seu motor arrancado e um único coração, bombeado a mão. A minha mão [...]

Distribuiremos medalhas pelo serviço. Vocês vão cair uns em cima dos outros, brigando para ver quem se submete mais e melhor. Não haverá nenhuma outra distinção a buscar. Nenhuma outra de realização pessoal [...]

Não terei nenhum outro propósito, a não ser mantê-los contentes. Mentir, adulá-los, elogiá-los, inflar sua vaidade. Fazer discursos sobre o povo e o bem-comum [...] Eu quero o poder. Quero o meu mundo do futuro."

- Ayn Rand, trecho de A Nascente (The Fountainhead)

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16.2.11

FEV/2011 - Serra Negra-SP

Domingo à tarde, queria pegar estrada. Não deu para combinar com ngm. Fui sozinho mesmo e valeu, curti bastante! :D


Vídeo



http://www.youtube.com/watch?v=TaAYF0fw450

Obs. Montei o vídeo rapidão e ficou com pau no som. Aí larguei assim mesmo :-P

-------------------------------------

Tô sumido do blog por que, agora que tô sem faculdade, tenho me divertido muito :-P

Fui para Curitiba (à trabalho mas deu para passear), Itaqueri, Andradas... essa frase explica:

"Não tenho tempo para mais nada. Ser feliz me consome muito" (Clarice Lispector)


Sinto culpa, por não dar toda a atenção que gostaria para as pessoas
... por não ler os e-mails, entrar no msn, ligar, não postar no blog.

Eu tento, mas às vezes, simplesmente, não posso parar. Tenho que focar no que estou vivendo, extrair o máximo... e depois voltar. Não dá.

Mas a volta é certa, a cabeça não pára, a amizade pelas pessoas não muda... a vontade nunca acaba. Tenho lido um monte de coisas legais, não vejo a hora de compartilhar por aqui :)

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8.2.11

Filme "Antes de Partir" (The Bucket List)

"Quero te pedir uma coisa:

Encontre a Alegria na sua vida."



Sinopse:

Carter Chambers (Morgan Freeman) e Edward Cole (Jack Nicholson) são pacientes com câncer terminal e dividem o mesmo quarto de hospital.

Carter é um mecânico e devotou toda sua vida à família. Edward é milionário e proprietário do hospital, solitário e temperamental.

As dificuldades do tratamento aproximam os dois e Edward acaba lendo a "Lista da Bota" de Carter com coisas que ele gostaria de ter feito antes de "bater as botas".

Após uma discussão, Edward convence Carter, adiciona mais itens e viajam o mundo realizando seus sonhos antes de partir, aprendendo mais sobre a vida e tornando-se grandes amigos.



É um filme ótimo! Engraçado, comovente, inspirador - com 2 grandes atores! Faz a gente repensar o que é importante na vida realmente e me lembra a seguinte frase e imagem:

"A tragédia da vida não é que ela termina cedo,
mas que esperamos tanto para começá-la"


(W. H. Lewis)

Frank Moody, 101 anos, após salto de paráquedas.


Trailer:


http://www.youtube.com/watch?v=lVWW4luA9AQ


Melhores Trechos


É difícil determinar o que resume a vida de uma pessoa.
Uns dizem que são as amizades que deixou.
Outros dizem que é a fé que teve.
Outros, o quanto amou.
Outros dizem que a vida não tem sentido algum.
[...] seja como for...
Edward Cole viveu mais em seus últimos dias na terra...
do que a maioria em uma vida inteira.
Só sei que ele morreu de olhos fechados...
mas de coração aberto.

Fizeram uma pesquisa certa vez.
Perguntaram a mil pessoas:
Se fosse possível...
você gostaria de saber o dia em que vai morrer?
96% disseram que não.
Eu sempre fiquei com os outros 4%.
Achava que seria bom, saber quanto tempo de vida nos resta.
Só que não é.


Bem, meu professor de filosofia do primeiro ano
passou um exercício de pensamento prospectivo.
que ele chamou de "Lista da Bota".
Tínhamos que relacionar tudo que queríamos fazer na vida antes de...
- Bater as botas.
Eu escrevi coisas como:
"Ganhar um milhão de dólares"...
"ser o primeiro presidente negro".
Sabe como é, coisa de jovem.
Eu ia refazer a lista, mas aí...
[...]
Bem, não importa mais agora.
- Eu diria exatamente o contrário. Pronto. Agora, sim.
O que está fazendo?
- Adicionei uns itens, só isso.
[...]
Não prefere morrer lutando?
Aproveitando a vida?
Divertindo-se um pouco?
Agora, melhorou.



- "Beijar a garota mais linda do mundo"?
Como pretende fazer isso?
- Beijando muito.
- "Fazer uma tatuagem."
São esses os seus maiores desejos?
Edward, você é superficial demais.
- É fácil ser profundo quando
a gente é jovem.

- Temos alguns meses, certo?
- Um ano, talvez.
- Não disse que 45 anos passaram rápido?
Podemos aproveitar. Temos que aproveitar.
- Não, não dá.
- Não pense em dinheiro.
O que não me falta é dinheiro.
[...]
Você é quem reclama de que nunca
teve chance. Aí está sua chance.
- Minha chance de quê?
Bancar o idiota?
- Nunca é tarde. O que nos resta fazer agora?
Eu não vou voltar ao trabalho
para ficar ouvindo gente...
falar de movimentação financeira
e dívida subordinada...
e fingir que isso interessa a
um moribundo.
Você não vai querer ir para casa
para esperar a morte chegar...
com uma monte de pessoas à sua volta
vendo você morrer...
enquanto você tenta consolá-las.
É isso que você quer,
morrer sufocado de pena e sofrimento?
Pois eu não. [...]
Temos duas opçôes:
Podemos ficar aqui...
esperando um milagre em alguma
experiência científica fajuta...
ou podemos ir à luta.



Responda à 2 perguntas:
"Eu encontrei alegria em minha vida?"
"Minha vida trouxe alegria a outras pessoas?"


Três coisas para se lembrar
quando envelhecer.
Nunca dispense um banheiro...
nunca desperdice uma ereção e
nunca confie em um pum.


Virgínia disse que eu era um estranho e voltei um marido. Devo isso a você.
Não há como retribuir tudo que fez por mim.
Portanto, em vez disso, vou pedir que faça mais uma coisa.
Encontre alegria na sua vida.
[...] encontre alegria em sua vida, Edward.

Eu e Carter viajamos juntos pelo mundo.
O que é incrível...
se pensarmos que,
até três meses atrás...
sequer nos conhecíamos.
Espero...
que não pareça egoísmo meu...
mas os últimos meses da vida dele...
foram os melhores meses da minha.
Ele salvou minha vida.
E ele descobriu como
fazer isso antes de mim.
Estou orgulhoso de que esse homem...
tenha achado que a minha amizade
valeu a pena.
No fim...
acho que posso dizer que trouxemos
alegria à vida um do outro.


"Encontre a Alegria"


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4.2.11

Defesa da Alegria - Mario Benedetti


Defesa da Alegria (Defensa de La Alegria)


Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e das definitivas
defender a alegria por princípio
defendê-la do pasmo e dos pesadelos
assim dos neutrais e dos neutrões
das infâmias doces
e dos graves diagnósticos
defender a alegria como bandeira
defendê-la do raio e da melancolia
dos ingénuos e também dos canalhas
da retórica e das paragens cardíacas
das endemias e das academias
defender a alegria como um destino
defendê-la do fogo e dos bombeiros
dos suicidas e homicidas
do descanso e do cansaço
e da obrigação de estar alegre
defender a alegria como uma certeza
defendê-la do óxido e da ronha
da famigerada patina do tempo
do relento e do oportunismo
ou dos proxenetas do riso
defender a alegria como um direito
defendê-la de deus e do Inverno
das maiúsculas e da morte
dos apelidos e dos lamentos
do azar
e também da alegria

- Mario Benedetti, Lugares mal situados

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3.2.11

"Ninguém a ser Seguido" - Frase de Richard Branson

"Não existe ninguém a ser seguido.
Não existe nada a ser copiado."

(Richard Branson)


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2.2.11

Perda do Trabalho, Perda da Identidade - Eugène Enriquez

Curti demais o artigo enviado para mim pela minha amiga e psicóloga Ariane Ragusa Guimarães. Obrigado! :)

Separei e editei os melhores trechos abaixo. Para quem quiser ver o artigo inteiro (em PDF):

Eu não conhecia o Eugène Enriquez. Ele é professor emérito da Universidade Paris VII, pioneiro e um dos expoentes da psicossociologia. Tiozinho fera! rs :)

"Melting Men" (Homens Derretendo) obra da brasileira Nele Azevevo

Melhores Trechos
"Perda do Trabalho, Perda da Identidade" de Eugène Enriquez:

Nas antigas sociedades o trabalho não era valorizado. Os romanos chamariam o trabalho de tripalium, que era um instrumento de tortura. A necessidade de produzir e de comercializar, ficava a cargo dos escravos.

Após a Revolução Industrial, o trabalho, que não era tido em alta consideração (na sociedade medieval um nobre não devia trabalhar), passou a ser valorizado, porque se transformou num símbolo de liberdade do homem, para transformar a natureza, transformar as coisas e a sociedade.

Aliás, foi o pensador inglês John Locke — um dos inspiradores do Bill of Rights, a Declaração de Direitos inglesa, da Declaração da Independência americana, e que também influenciou a Declaração francesa dos Direitos do Homem — a liberdade fundamental do homem é a liberdade de empreender.

Esta idéia se difundiu muito rapidamente, porque ela correspondia bem ao desejo das nações naquele momento. Veremos Adam Smith dizer, em A Riqueza das Nações, que o trabalho é o que permite aumentar a riqueza das nações.

Para Montesquieu, o trabalho e o comércio é que permitem manter as relações entre os seres humanos e, conseqüentemente acalmar, eu diria, as tendências guerreiras do homem. Para Montesquieu, quando se faz comércio, não se faz guerra.

No entanto, a nova mentalidade sobre o trabalho vai gerar o que chamamos de mobilização geral dos seres humanos para o trabalho. Vemos aí se desenvolver a idéia de que os indivíduos que não trabalham são parasitas, delinqüentes e inúteis.

A figura do trabalhador torna-se, então, uma figura central.

Desde 1970, a tendência se inverte. E o mal-estar na civilização torna-se palpável. Por quê? O economista austríaco Joseph Schumpeter caracterizou o capitalismo como um movimento de destruição criadora.

Esse movimento vai-se intensificar, isto é, o capitalismo, ao invés de ser produtor de riquezas, vai se tornar, cada vez mais e rapidamente, seu destruidor, para poder construir outras riquezas. A ordem é: vamos construir para destruir e vamos destruir para construir.

Podemos tomar um exemplo simples. Quando se compra um computador hoje, ele vai ser obsoleto e sem interesse, daqui a dois anos. Bem depressa, o produto que estamos produzindo vai para o lixo. O que significa que estamos entrando numa sociedade que é, exclusivamente, de consumo e pelo consumo.

Outra coisa é que o desenvolvimento se volta para o problema do consumo e não mais para o da produção. Esse é um ponto essencial. O desenvolvimento das novas tecnologias, como aquelas das telecomunicações, permite efetivamente que hoje funcionemos em tempo real.

Vemos se desenvolver um extraordinário "boom" do capital financeiro e não mais do capital industrial. Estamos cada vez mais no movimento de produzir dinheiro com dinheiro, sem produzir mercadoria.

Vamos entrar em um outro mundo, não somente do consumo, mas num mundo que um economista francês, Maurice Allais, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, há alguns anos, definiu como um imenso cassino financeiro.

Basta ver as manchetes dos jornais. Há vinte ou trinta anos, é verdade que já existiam alguns grandes especuladores que jogavam na bolsa. Hoje, praticamente todo mundo tem algumas ações e tenta se arranjar com elas.

Então, para se ter um melhor produto a ser vendido no mercado, a fim de se realizar melhores lucros financeiros, o que vai acontecer? Uma intensificação da guerra econômica, uma exacerbação desta guerra, que desde sempre foi fundamental para o capitalismo, mesmo que, de tempos em tempos, os grandes poderosos sejam obrigados a fazer acordos com os bancos centrais e pensar em baixar ou aumentar as taxas de juros.

De maneira bem clara, o capitalismo está a ponto de fazer ruir as antigas sociedades industriais nas quais vivemos, fundadas ao mesmo tempo sobre a produção de
mercadorias, sobre o dinamismo dos empreendedores e sobre a resistência operária.

Então, vai aparecer o predomínio generalizado de uma visão racional da vida, isto é, de uma visão racional estritamente econômica, instrumental.

O Brasil tem essa característica extraordinária de ser um laboratório muito interessante, porque é um país, ao mesmo tempo, desenvolvido, sub e supradesenvolvido. Eu diria que, de todos os países do mundo — e conheço muitos — este é o país mais contraditório que já vi.

Aqui no Brasil há de tudo, encontramos características do século XX e do século passado, simultaneamente. E isso depende da região e até mesmo dos bairros, algumas vezes.

Nessa nova situação, em algumas regiões temos realmente mais necessidade de trabalhadores intelectuais, que tenham feito estudos profundos de engenharia, de eletrônica, de estudos comerciais etc. Em outras regiões, temos mais necessidade de empregos pouco qualificados, empregos precários, quer dizer, pessoas que se tornarão empregados domésticos, motoristas etc.

Falamos cada vez menos de trabalho e cada vez mais de emprego. Dizemos que uma pessoa tem ou não um emprego. O que quer dizer um emprego? Quer dizer ter uma tarefa a ser feita, com um salário fixo, mesmo que essa remuneração não seja interessante. Vemos então que a noção do trabalho liberador está se partindo em pedaços.

Além disso, constatamos — exatamente por causa da automação e das novas tecnologias — que cada vez temos menos necessidade da maioria das pessoas. O que é bastante curioso aqui, nesse fenômeno que vai ser traduzido por perda de emprego, é a tese de que isso leva a economia capitalista a se comportar melhor. Mas não é verdade.

Ou seja, depois dessa redução de empregos, do uso de tecnologias como a reengenharia e outras do gênero, das técnicas de qualidade total, nas quais não acredito de maneira nenhuma — o crescimento global em todos os países, na realidade, diminuiu.

Sobre a qualidade total, vejo-a como uma inutilidade, pois qualidade total nunca existiu em lugar nenhum. Podemos melhorar a qualidade de um produto, mas qualidade total não existe.

Quando falamos em qualidade, o que estamos querendo dizer? A qualidade da organização geral, a qualidade dos métodos que estamos realizando, a qualidade do produto, a qualidade de vida das pessoas que trabalham, a qualidade de melhor atendimento ao cliente. É tudo isso ao mesmo tempo.

Certas qualidades são contraditórias, porque, se o chefe de empresa quer aumentar o ritmo, ele não vai se preocupar com a qualidade de vida dos seus colaboradores.

Definitivamente, a noção de qualidade total é a noção de um mundo que não existe. Não pode existir um mundo totalmente racional, onde cada qual funciona bem, no tempo previsto, com os gestos necessários, sem sentimento, nem paixão.

O que isso provoca em nossa civilização? Diria que provoca o desenvolvimento da perversão social. O que entendo por perversão social se aplica às empresas dominadas por lógicas e estratégias financeiras e industriais e que têm, cada vez mais, tendência a considerar os homens como objetos eminentemente substituíveis, atendo-se apenas aos problemas financeiros.

A redução de pessoal acontece, mesmo quando as empresas estão funcionando bem. Uma companhia sueca, Eletrolux, suprimiu aproximadamente 100 mil empregos no mundo e 12 mil na matriz, porque o acionista principal queria um rendimento financeiro de 15% para as suas ações, rendimento esse que era de 9%, o que já muito bom, porque na Suécia não há inflação.

Numa situação assim, todos os assalariados, não importa qual seja o seu nível hierárquico, não sabem nunca se serão mantidos ou não no emprego, porque não é a riqueza econômica da empresa que vai impedir que exista redução de efetivo.

Vou dar o exemplo novamente da Peugeot e da Citroën, que conheço bem, na França. É uma empresa que está funcionando muito bem. Ela passa seu tempo a despedir as pessoas de maneira regular. Poderão permanecer na empresa apenas aqueles que são considerados de excelente performance.

Vocês sabem muito bem o que isso quer dizer, performance e excelência. Isso remete às pessoas ditas vencedoras. São aqueles que matam de maneira tranqüila, sem dó, "fritando" o semelhante, um outro profissional. Mata-se de verdade e a pessoa lesada não tem idéia, nem tem a impressão de que querem matá-la.

Isso é psicologização, na medida em que, se alguém não consegue conservar o seu trabalho, fala-se tranqüilamente: "você não soube se adaptar, você não soube fazer esforços necessários, não teve uma alma de vencedor, você não é um herói. Você é culpado e não a organização da empresa ou da sociedade. A culpa é só sua."

Isso culpabiliza as pessoas de modo quase total, pessoas que, além disso, ficam submetidas a um estresse profissional extremamente forte. Então as empresas exigem daqueles que permanecem um devotamento, lealdade e fidelidade, mas ela não dá nada em troca. Ela vai dizer simplesmente: "você tem a chance de continuar, mas talvez você também não permaneça."

Nas críticas que são feitas à burocracia, sobre o fato de a empresa privada ser bem melhor, é preciso observar, com Max Weber, que foi o primeiro a refletir sobre a burocracia, que esta tem muitos defeitos, mas tem, apesar de tudo, uma vantagem. Ela é fiadora do interesse geral ou garantidora da preservação do bem comum.

E isso não acontecerá se simplesmente promovermos uma desregulamentação. Diria que, quando criticamos a burocracia, é preciso prestar atenção e não apenas criticar os mecanismos que permitem à sociedade funcionar e se manter.

Eu vou retomar uma frase muito bonita, um antigo conceito de Aristóteles que, há vários séculos, dizia: uma sociedade é aquilo em que podemos viver juntos, tendo o prazer de viver juntos.

A primeira formação da identidade é feita pela família. Iinsisto em que o papel da família é, de fato, o de ensinar quais são as coisas proibidas e as coisas possíveis, papel de transmitir noções éticas e também de incutir o amor natural.

Por outro lado, a escola que freqüentemente não preenche o seu papel, deve favorecer o confronto com os semelhantes e favorecer o desenvolvimento do pensamento, dando às pessoas a possibilidade do prazer intelectual.

Cada vez mais, temos pais que não sabem, e também a escola não sabe mais, quais sãos os verdadeiros valores sociais que devem transmitir para as crianças.

A empresa, deveria ser um lugar de aprendizagem, de continuação da socialização. A identidade para cada um de nós tem a ver com nossas consistências e com a relação destas com outros seres humanos. Essa relação está existindo com menor freqüência.

Nós não vivemos mais do nosso trabalho, nós sobrevivemos dele, o que é bem diferente. Nós vivemos no efêmero.

Quantas vezes, no Brasil, ouvi essa expressão: "eu não sei o meu futuro" ou "para mim, o futuro é a próxima semana." Ora, quando vivemos sem esse horizonte de temporalidade, como poderemos ter projetos, como poderemos construir nossa vida e nossa existência?

O que está se desenvolvendo é essa angústia generalizada, que vai ocorrer em todos os países do mundo.

Existe a possibilidade de se valorizar a personalidade, quando se é mais agressivo, mais decidido. Existe uma maneira de tentar contornar toda essa dificuldade, orientando nossa sociedade a ter um certo humor em relação a isso, ou então a se integrar, ainda que à margem.

Podemos, também, desenvolver estratégias de defesa, isolando-nos e privando-nos da identidade coletiva. Podemos nos refugiar no álcool, na droga, na criminalidade. É claro que não são boas estratégias de respostas, mas, todos esses fenômenos, resultam na fragmentação geral de nossa sociedade.

É o que Alain Touraine, formulou muito bem, há vinte anos: "Aquilo que eu receio, quanto a toda a nossa sociedade, é que ela se fragmente de maneira tal que cada um se torne uma gangue para sua coletividade."

Então, estaríamos numa sociedade de luta geral de gangues, os homens uns contra os outros. Numa certa medida, é o que está acontecendo.

O mais extraordinário é que aqueles que foram os atores mais ativos deste lado desastroso, começam a ficar inquietos pelo que está acontecendo.

Por exemplo, o Sr. Hammer, que é o criador "genial" (estou fazendo humor) da reengenharia, começa já a dizer que o chefe de empresa não vê as conseqüências sociais, apenas técnicas, daquilo que planeja e realiza.

Estamos em um momento em que não temos mais ideologias que nos protegem ou que nos dizem o que fazer. Nós, felizmente, devemos construir o mundo inventando e imaginando novas perspectivas.

Não temos mais pensadores magníficos que nos digam o que fazer. É por isso que estou dizendo que não estamos no final da história, mas, ao contrário, estamos no início, pelo fato de que somos responsáveis pelo que devemos fazer.

Podemos pensar em outras formas de organização do trabalho, nas quais os indivíduos não estejam, simplesmente, em um trabalho repetitivo, mas nas quais eles possam ter uma certa autonomia e possibilidade de decisão.

Podemos pensar, igualmente, no desenvolvimento das atividades do setor quaternário, ou seja, o ensino, a educação, todo o setor de lazer.

Sob esse ponto de vista, a velha citação de Marx não é tão falsa, de que talvez um dia existirão pessoas que irão trabalhar três horas por dia e depois irão pescar, ler um bom livro, fazer música etc.


Deve-se pensar também numa civilização que possa se centrar não apenas no trabalho, mas uma sociedade que se centre na multiplicação das atividades, à medida em que cada qual é bem mais competente do que acredita.

Por exemplo, como imigrantes da África do Norte, na França, as mulheres árabes que sabem apenas um pouco de francês sentem-se totalmente inúteis. Mas foram criadas, em certos bairros, redes de solidariedade onde essas mulheres vão ensinar as francesas a fazer a culinária algeriana e, em troca, as francesas vão ensinar a elas o francês.

O que quero dizer é que existe a possibilidade de se recriar. E temos exemplos também da antiga economia do Brasil, essa economia de troca, que não passa pelo dinheiro, mas pelo fato de as pessoas prestarem serviços. Cada pessoa se sente útil para alguma coisa. Os deficientes físicos mostram ser capazes de fazer sempre alguma coisa.

Lembro-me da primeira experiência que tive, quando era um jovem psicossociólogo. No norte da França, as pessoas que trabalhavam nas minas diziam que não tinham nada a nos falar. Eu dizia que não tinha problema, bastava que elas me falassem sobre o seu trabalho.

Algumas vezes, essas entrevistas duravam horas, às vezes, o dia todo. Então, os mineiros diziam que nunca pensaram que sabiam tantas coisas. É claro que essas pessoas sabem muito mais do que elas julgam saber.

Há também o problema da duração do trabalho. Nos meados do século XIX, as pessoas trabalhavam 70 horas por semana e, quando diziam aos chefes de empresa que era preciso trabalhar apenas 60 horas, o chefe de empresa dizia: é impossível. Não é verdade.

O melhor exemplo foi dado, há uns quinze anos, no momento da grande recessão na Inglaterra, quando inúmeras empresas colocaram o seu pessoal no desemprego técnico. Eles trabalhavam 3x por semana, durante 6 meses.

E durante esse tempo, eles produziram tanto quanto produziram durante a semana toda, o que mostra que o fato de não poder se reduzir a jornada de trabalho é falso.

Eu diria também que é preciso encontrar ligações de solidariedade fora do trabalho. É preciso reinventar o coletivo. Que todos possam, também, reencontrar o sentido político, o significado dos seus atos, além do prazer de viver juntos.

Termino dizendo duas frases escritas por dois pensadores que aprecio. Uma é do americano Herbert Simon, antigo Prêmio Nobel de Economia, que diz na sua autobiografia: "Sou um pesquisador da ciência social, antes de ser um economista ou psicólogo, e espero ser um ser humano antes de qualquer coisa."

Tudo isso nos leva à idéia de um novo humanismo. Gostaria de citar uma frase mais longa do grande historiador francês Fernand Braudel, que renovou toda uma parte histórica no mundo. Ele escreveu, um pouquinho antes de morrer, a seguinte frase: "É preciso criar um novo humanismo."

E ele definia humanismo da seguinte maneira:
"O humanismo é uma maneira de esperar, de querer que os homens sejam fraternais e que as civilizações, cada uma por si, e juntas, se salvem e nos salvem. Aceitar e desejar que as portas do presente se abram largamente sobre o futuro, além das falências, além das explosões das catástrofes que nos predizem os profetas."

Eugène Enriquez

[Conferência proferida durante o seminário "Trabalho e Existência", em 13/11/97, promovido pela Escola do Legislativo, IRT - Instituto de Relações do Trabalho - e o Instituto Jacques Maritain, da PUCMinas] Palestra publicada originalmente em "Relações de Trabalho Contemporâneas"; orgs. Antônio Carvalho Neto e Maria Regina Nabuco. Belo Horizonte: IRT (Instituto de Relações do Trabalho) da PUC-Minas, 1999. pp. 69-83.
Revisão: Professor José Newton Garcia de Araújo, do Departamento de Psicologia e do Mestrado em Ciências Sociais da PUC-Minas.
© Cad. Esc. Legisl., Belo Horizonte, 5(9): 53-73, jul./dez. 1999.

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1.2.11

Sequência NOCAUTE de Posts no LLL

Começa a leitura, Nicholas toma um soco de direita:

depois, desvia do cruzado de esquerda:
vacila, toma no meio da cara... quebra o nariz!

leva um gancho no queixo... vai pro chão!

Nocaute. :-P


Agora um chute no ar em quem pegar:

E um tapa na cara do charlatão que diz prever o futuro, mas não prevê o que o entrevistador vai fazer (hahaha engraçado d+):

Alex Castro, do blog Liberal Libertário Libertino

Apanhe você também:

Livros dele:

Liberal Libertário Libertino - Crônicas Mulher de Um Homem Só

Radical Rebelde Revolucionario - Cronicas Cubanas, por Alex Castro Onde Perdemos Tudo, por Alex Castro

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