31.3.11

Obsessivamente Interessado em Tudo - Michael Wolff

via @richardx


YouTube - Michael Wolff

Eu me olho no espelho, todos os dias, há 70 anos.

Sou complemente familiar para mim mesmo, mas não sei como aparento para outras pessoas.

Então, preciso me "embalar" de acordo para revelar quem eu sou.

---------

Tenho 3 músculos sem os quais eu não poderia fazer meu trabalho:

1) Curiosidade

Entenda como "Questionar". Faz com que eu pergunte "Por quê isso é assim? Por quê é tão grande? Por que é tão pequeno? Por quê? Por quê?"

Para mim, nunca pára. Nunca pára.

2) Apreciação

Não é "questionar", mas "notar" como as coisas podem ser alegres, coloridas. Tudo que existe é uma inspiração.

É meu trabalho ajudar as pessoas a alcançarem essa auto-expressão. Sem impor uma visão do que seja bom design. Mas sim, em como embalar os seus valores, propósitos, visões, o que as atrai, o que fazem, o que trazem - e apresentar isso para os outros guardarem, valorizarem, escolherem.

Emoções é a coisa mais importante em design gráfico. Você movimenta as pessoas, não apenas as persuade ou as faz pensar. Você as movimenta.

3) Imaginação

A Curiosidade e a Apreciação alimentam a imaginação.

---------

O que eu realmente gosto é saber que certas coisas tem certas texturas e sabores. E combinadas de um jeito único. O leite que você toma hoje não é o mesmo de ontem.

Eu uso cores, texturas, sequência. É a soma das partes que faz o Todo.

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Acredito que Ver seja como um exercício muscular, como a curiosidade. É estar aberto. Se você anda por aí com a cabeça pré-ocupada, você não absorve nada.

Sou obsessivamente interessado em tudo.

Michael Wolff

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29.3.11

José Alencar - Trajetória, Frases e Vídeos

"Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele."

(José Alencar)

Gostava muito do José Alencar. Era um empresário experiente e como político se posicionava, questionava o governo, mesmo sendo vice-presidente.

Além disso, estava com 79 anos e lutando há vários contra um câncer - com disposição, coragem e vitalidade que deveria ser uma lição para todos abraçarem suas vidas e fazer algo que vale a pena.


José Alencar - Roda Viva

Vídeos

Em homenagem ao político, a TV Cultura leva ao ar, nesta noite, às 23h45, sua participação nessa edição do Roda Viva em 2009, ano da crise financeira mundial.

YouTube - Roda Viva com José Alencar




Outras participações no Roda Viva:

José Alencar (2005)

O vice de Lula fala sobre sua desfiliação do PL e defende o presidente quanto ao escândalo do "mensalão"

José Alencar (2003)

O vice-presidente do governo Lula explica as razões pelas quais discorda da política econômica de juros altos praticada pelo Banco Central

Trajetória de José Alencar

YouTube - A trajetória do empresário mineiro




Entrevista no Jô Soares (2010)


YouTube - Jô Soares entrevista José Alencar
03/08/2010 (Parte 1 de 5)




Frases

"Eu tenho 71 anos de idade, eu não ingressei na vida pública para atender a nenhuma necessidade material minha, foi para levar alguma contribuição oriunda da minha experiência, e como eu venho da empresa, eu provavelmente enxergo com mais pressa o que precisa fazer do que os outros."

"Em toda a minha vida, sempre gostei muito do que faço, procuro trabalhar satisfeito comigo. Não me preocupo muito de ser mal compreendido, porque a vida é assim mesmo. Sou um democrata, por índole e respeito as pessoas, e procuro cumprir com o meu dever.

De uma família de 15 filhos, sou o décimo primeiro. Saí de casa aos 14 anos para trabalhar na cidade como empregado, me despedi do meu pai, que me disse: "Meu filho, eu tenho que te fazer uma recomendação: o importante na vida é poder voltar".

Então, eu estou fazendo um trabalho que me permita voltar para minha casa, minha família, minha cidade, meu estado, meu país, mas de cabeça erguida, consciente de que fiz tudo para cumprir o meu dever, dentro daquilo que eu penso que é bom.

É a única coisa que me move, eu não tenho nenhuma outra necessidade na vida, se não essa necessidade não material, de fazer uma grande realização, que me agrade e que eu tenho certeza que vai agradar aos brasileiros."

"Não tenho medo de morrer. De forma alguma. Mesmo porque, se Deus quiser me levar, Ele não precisa do câncer. Tenho medo é da desonra."

"Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele."


José Alencar

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28.3.11

Existimos quando Fazemos - Antônio Vieira

"Nós somos o que fazemos.
O que não se faz, não existe.
Portanto, só existimos nos dias que fazemos.
Nos dias em que não fazemos, apenas duramos."

(Padre Antônio Vieira)


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26.3.11

HORA DO PLANETA: Como Ajudar (De verdade)

1) Pára de bobeira. 2) Acenda a luz. 3) COMECE A SE INFORMAR.

Hora do Planeta - Hipocrisia
- Entenda como funciona os PROBLEMAS ambientais:
Aquecimento Global, Escassez de Recursos, Desperdício, Lixo, Poluição, etc

- Entenda quais as diferentes SOLUÇÕES:
Práticas sustentáveis, Fontes de Energia Limpa e Renováveis, 3 R, Comércio de Carbono, etc

- Entenda as diferentes BARREIRAS para as soluções:
Psicológicas, Econômicas, Políticas, etc

Não se resolve o aquecimento global apagando a luz por 1h, assim como não se fica rico economizando no cafézinho.

Se informar é SUA RESPONSABILIDADE. Ninguém fará isso por você.

É preciso pensar o que Governos, Empresas, Escolas, Igrejas, Comunidades e Indíviduos podem fazer. Pensar em SOLUÇÕES, MEIOS ALTERNATIVOS, MUDANÇAS DE HÁBITOS, INICIATIVAS, CONSCIENTIZAÇÃO.

Você pode fazer muito mais do que apagar luz. Eu vou usar essa 1 hora para pesquisar e pensar em posts sobre problemas ambientais.

Estarei publicando aqui nas próximas semanas posts sobre Psicologia do Aquecimento Global e Hipocrisia Verde.

"Boas intenções não têm muito a ver com o que estamos discutindo aqui.

Para o inferno com boas intenções. [...] Boas intenções não ajudam ninguém."


(Ivan Illich)


Comece aqui:

Veja também:

Hora do Planeta ou da Hipocrisia?

Hora do Planeta: Apagando a Culpa?

HORA DO PLANETA: Enganando Quem?

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25.3.11

O Buraco no Peito

Aproveite o final de semana :)

Tirinha do artista Dresden Codak (via blog do Pedro Bendassolli)

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24.3.11

HORA DO PLANETA: Enganando Quem?

Não tenho dúvidas sobre a gravidade da crise climática e da falta de recursos.

Mas apagar a luz por 1 hora e achar que isso muda alguma coisa, sentir-se bem com o "dever cumprido" e depois tudo continuar na mesma - é algo além da minha compreensão.

Para a hora do planeta, pergunte-se:
  • Tá ajudando em algo?
  • Para quê isso então?
  • Tá enganando quem?
  • Não tem nada melhor para fazer?
  • Que tal ler mais, se informar mais, mudar hábitos ruins, tomar alguma iniciativa útil no seu trabalho, na sua casa?

Isso, é claro, se você estiver REALMENTE bem-intencionado...

Veja os posts:

Hora do Planeta ou da Hipocrisia?

Hora do Planeta: Apagando a Culpa?


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23.3.11

Não Acredite em Tudo o que Você Pensa: 6 Erros Básicos que Cometemos ao Pensar


"Erro 1 - Nós preferimos histórias a estatísticas.

Erro 2 - Nós buscamos confirmar e não questionar nossas idéias.

Erro 3 - Raramente levamos em consideração o papel do acaso e da coincidência na formação de eventos.

Erro 4 - Nós, de vez em quando, percebemos erroneamente o mundo à nossa volta.

Erro 5 - Tendemos a simplificar demais nossas idéias.

Erro 6 - Nossa memória é com freqüência imprecisa.


Esses não são os únicos erros, mas procurando evitá-los teremos mais chances de distinguir o que é verdadeiro daquilo que não é."

Vi no blog do Rafael Reinehr, trecho do livro do Thomas E. Kida.

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21.3.11

Hans Rosling: Alegria nas Estatísticas (Joy of Stats)

YouTube - 200 países, 200 anos, 4 minutos - FANTÁSTICO!


Trecho do documentário "Joy of Stats". Vi no Papo de Homem.


"Hoje temos muitos dados. Mas ter os dados não basta. É necessário apresentá-los de forma que as pessoas consigam entendê-los e apreciá-los.

Com uma visão mais baseada em fatos, poderemos desconstruir mitos devastadores, compreender melhor a situação do desenvolvimento global e tomar decisões mais acertadas."

(Hans Rosling)


Hans foi médico por 20 anos na África através da ONG Médicos Sem Fronteiras, e arriscou a própria vida diagnosticando e tratando uma doença até então desconhecida (Konzo).

Tornou-se professor de saúde global e viu como as idéias pré-concebidas de alunos e autoridades eram diferentes dos fatos estatísticos, o que levava a muitos erros em decisões importantes.

Na tentativa de desconstruir esses mitos, procurou novas formas de colher e apresentar dados sobre saúde nos países e indicadores correlacionados, para que as pessoas adquirissem uma visão mais factual do desenvolvimento mundial.

Vendo que organizações globais como a ONU e o Banco Mundial não consolidavam nem tornavam acessíveis os dados para o público, Hans criou a ONG Gapminder.org para colher diversos indicadores dos países e disponibilizar em um banco de dados totalmente aberto.

Não só isso, desenvolveu um software que torna fácil apresentar e correlacionar esses indicadores através dos anos, utilizando gráficos e animações, permitindo uma ampla visão comparativa entre os países, derrubando velhas suposições e gerando novas idéias.

O software disponibiliza mais de 500 variáveis dos países sobre Economia, Educação, Saúde, Demografia, Meio-ambiente, Energia, Infra-estrutura, Emprego. Pode ser acessado online, é livre e gratuito:


Foi procurado por Google, Al Gore, Bill Gates, Bill Clinton, Governos, ONGs, Organizações mundiais. Tornou-se palestrante e inspira o mundo todo cumprindo o que colocou como sua missão:

"Combater os mais devastadores mitos construindo uma visão de mundo baseado em dados que todos possam compreender."


Hans Rosling - Joy of StatsHans Rosling - Joy of Stats
Como ele mesmo explica, as estatísticas não apresentam 100% da situação. Alguns valores qualitativos não são ou não podem ser medidos, e a mente humana é necessária para verificar causas e estabelecer certas correlações.

No entanto, sabemos que nossa intuição falha em muitas decisões importantes. Ao visualizar situações muito amplas ou mudanças que ocorrem muito lentamente, algumas verdades podem passar despercebidas.

A mente humana e a estatísticas são ferramentas complementares. Colher e apresentar dados estatisticamente pode revelar fatos e gerar questionamentos que vão contra suposições que superficialmente parecem corretas.


Hans Rosling - Joy of Stats

Veja os links e trechos de suas melhores palestras:


Hans Rosling - Joy of Stats
Estes estudantes que aqui chegam, pensei eu, têm as maiores notas que se pode obter nos sistemas educacionais suecos, então talvez já saibam tudo que lhes estou prestes a ensinar. Quando chegaram, fiz um pré-teste. Um dos assuntos sobre os quais aprendi muita coisa foi: “Que país tem a maior taxa de mortalidade dentre estes cinco pares?”

E estes foram os resultados dos estudantes suecos: 1,8 respostas certas dentre cinco possíveis.

Uma noite, bem tarde, quando eu compilava o relatório, compreendi realmente minha descoberta. Mostrei que os melhores estudantes sabiam, estatisticamente, muito menos sobre o mundo do que os chimpanzés.

O problema não era a ignorância: eram idéias preconcebidas.

Então entendi que havia realmente uma necessidade de comunicar, os dados sobre o que acontecia no mundo e a saúde das crianças de que cada país.

Cada vez mais elaboradores de políticas e o setor corporativo gostariam de ver como o mundo está mudando. Por que isto não ocorre? Por que não estamos usando os dados que temos? Temos dados nas Nações Unidas, nas agências nacionais de estatística e em universidades e outras organizações não governamentais.

Porque os dados estão ocultos nos bancos de dados. E o público está aí, e a Internet está aí, mas ainda não a usamos com eficiência.

Há algumas páginas na Internet, mas são alimentadas pelos bancos de dados, e as pessoas estabelecem preços para elas, senhas estúpidas e estatísticas enfadonhas.

Isto não vai funcionar. Então, o que é necessário? Temos os bancos de dados. Vocês não precisam de novos bancos de dados. Temos ferramentas de projeto maravilhosas, e a cada momento são acrescentadas outras.

Começamos um empreendimento sem fins lucrativos que chamamos de – vinculação de dados a projeto - chamamos de Gapminder (Alerta para o vão), do metrô de Londres, onde alertam: “Cuidado com o vão.” Então pensamos que o nome era apropriado.

Você pode pegar um conjunto de dados e inseri-lo lá. Estamos liberando dados das Nações Unidas, de algumas poucas organizações.

É bem assustador, mas considero muito importante ter tais informações. Nós realmente precisamos vê-las. Em vez de olhar para isto.

Neste software, acessamos cerca de 500 variáveis de todos os países com muita facilidade.


Hans Rosling - Joy of Stats
Eu lhes disse três coisas ano passado. Eu lhes disse que as estatísticas do mundo não foram propriamente disponibilizadas. Por causa disso, nós ainda mantemos a antiga mentalidade de países industrializados e em desenvolvimento, o que é errado. E que gráficos animados podem fazer a diferença. As coisas estão mudando.

Hoje, a página principal do site da Divisão de Estatísticas da ONU, diz que, em primeiro de maio, dará acesso total às bases de dados.

Agora, o que nós precisamos pensar a respeito é, qual o objetivo para o desenvolvimento e quais são as forma de se desenvolver?

Deixem me primeiro graduar os meios mais importantes. Crescimento econômico, para mim, como um professor de saúde pública, é a coisa mais importante para o desenvolvimento, porque explica 80 por cento da sobrevivência. Governança. Ter um governo que funcione -- isso é o que tirou a Califórnia da miséria de 1850. Foi o governo que fez a lei funcionar, finalmente. Educação, recursos humanos são importantes. Saúde também é importante, mas não tanto como um meio. Meio ambiente é importante. Direitos humanos são importantes, mas recebe apenas uma marca.

Agora, quais são os objetivos? Em que direção estamos indo? Dinheiro não é o objetivo. É o melhor meio, mas dou zero como objetivo. Governança, bem, não é um objetivo. E indo para educação, isso não é um objetivo, isso é um meio. Para saúde eu darei dois pontos. Quer dizer, é bom ser saudável. Meio ambiente é muito, muito crucial. Não vai sobrar nada para os netos se nós não preservarmos.

Mas onde estão os objetivos importantes? Claro, são os direitos humanos. Direitos humanos são o objetivo, mas não é tão forte enquanto como meio para atingir o desenvolvimento. E cultura. Cultura é a coisa mais importante, eu diria, porque isso traz prazer à vida. Esse é o valor de estar vivo.

Lembrem-se, por favor, lembrem-se da minha mensagem principal, que é essa: o aparentemente impossível é possível. Nós podemos ter um mundo bom. Eu os mostrei as fotos, eu provei no PowerPoint e eu acho que eu vou convencer vocês também através de cultura. (Risos) (Aplausos)


Hans Rosling - Joy of Stats
Estamos aqui hoje porque as Nações Unidas definiram metas para o progresso dos países. Elas são chamadas as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

O motivo pela qual gosto de verdade dessas metas é que elas são oito. E, ao especificar oito metas diferentes, as Nações Unidas disseram que existem todas essas coisas que precisam ser mudadas num país para conseguir uma boa vida para as pessoas.

Vejam aqui, é preciso acabar com a pobreza, educação, gênero, saúde das crianças e mães, controlar infecções, proteger o ambiente e conseguir os bons elos globais entre as nações em todos aspectos desde a ajuda humanitária até o comércio.

Há uma segunda razão para que eu goste dessas metas de desenvolvimento, é porque cada uma delas é medida. Por exemplo, a mortalidade infantil. O objetivo aqui é reduzir a mortalidade infantil em dois terços, de 1990 a 2015. Isso é uma redução de quatro por cento ao ano.

E é com medição. Isso é o que faz a diferença entre conversa política como essa e realmente partir para as coisas que importam, uma vida melhor para as pessoas.

E o que me faz tão feliz com isso é que já documentamos que há muitos países na Ásia, no Oriente Médio, na América Latina e na Europa Oriental que estão reduzindo nessa proporção. E mesmo o poderoso Brasil está reduzindo com cinco por cento ao ano, e a Turquia com sete por cento ao ano.


Hans Rosling - Joy of Stats
Era uma vez, quando aos 24 anos, eu era um estudante na faculdade de medicina do St. John's em Bangalore. Eu fui um aluno convidado por um mês numa matéria sobre saúde pública. E aquilo mudou minha mentalidade para sempre.

A matéria era boa, mas não foi o conteúdo do curso em si que mudou minha mentalidade. Foi quando eu percebi, para meu espanto, na primeira manhã, que os alunos indianos eram melhores que eu.

Sabem, eu era um nerd. Eu adorava estatística desde muito cedo. E eu estudava bastante na Suécia. Eu sempre estava no quartil superior em todas as matérias que eu cursei. Mas no St. John's, eu fiquei no quartil inferior.

E o fato era que os alunos indianos estudavam mais que nós na Suécia. Eles liam o livro texto duas vezes, ou três vezes, ou quatro vezes. Na Suécia nós líamos uma vez e então íamos para a balada.

E aquilo, para mim, aquela experiência em primeira pessoa, foi a primeira vez na minha vida em que a mentalidade com a qual eu cresci foi modificada. E eu percebi que, talvez, o mundo ocidental não continuará a dominar o mundo para sempre.


Hans Rosling - Joy of Stats
Eu vou falar sobre a mentalidade de vocês. Será que a mentalidade de vocês bate com meus dados? (Risadas) Se não, um de nós precisa se atualizar, correto?

Quando eu falo aos meus alunos sobre os problemas globais, e eu os escuto na hora do cafezinho, eles sempre falam sobre "nós" e "eles".

E quando eles voltam para a sala eu pergunto: O que vocês querem dizer com "nós" e "eles"? Muito fácil, eles dizem. É o mundo ocidental e o mundo em desenvolvimento.

Assim uma garota diz, sabiamente, "É muito fácil. O mundo ocidental é vida longa em família pequena. O mundo em desenvolvimento é vida curta em família grande."

E é meu dever, em nome do resto do mundo, agradecer aos cidadãos americanos, pela pesquisa demográfica de saúde. Muitos não têm conhecimento -- não é uma piada. Isso é muito sério. Isso é feito pelo patrocínio contínuo dos Estados Unidos durante 25 anos através da excelente metodologia de medição de mortalidade infantil para que possamos ter uma ideia do que acontece no mundo. (Aplausos)

E isso é a melhor parte do governo americano sem burocracia, fornecendo fatos, que são úteis para a sociedade. E fornecem gratuitamente, na internet, para o mundo usar. Muito obrigado.

Ao contrário do Banco Mundial, que compilou dados com o dinheiro do governo, dinheiro de impostos, e então os vende para ter um pouco mais de lucro, de uma forma muito ineficiente, do jeitinho Guttenberg. (Aplausos)

Mas as pessoas que fazem isso no Banco Mundial estão entre as melhores do mundo. E são profissionais extremamente gabaritados. Nós gostaríamos apenas de ter nossas agências internacionais tão evoluídas quanto eles para lidar com o mundo de forma moderna.

E quando se trata de dados gratuitos e transparentes, O EUA é um dos melhores. E isso não vem da boca de um professor de saúde pública sueco. (Risadas) E eu não sou pago para vir aqui, não.

Precisamos de uma nova mentalidade. O mundo está convergindo. Mas, mas, mas. Não no bilhão de baixo. Eles continuam tão pobres como sempre foram. Isso não é sustentável.


Hans Rosling - Joy of Stats
Nesse vídeo, Hans demonstra a utilização do software e explica que algumas dimensões do desenvolvimento não podem ser apresentadas através de estatísticas. Ou porque não é possível medí-las ou porque não são medidas. Como por exemplo o nível de democracia nos países ou de respeito aos direitos humanos.


Hans Rosling - Joy of Stats
Quando eu entrei na escola, haviam os países industrializados (ricos), cerca de 1 bilhão de pessoas, e tinham os outros países em desenvolvimento (pobres), com 2 bilhões de pessoas.

Durante minha vida, foram somadas ao mundo 3 bilhões de pessoas. Mas elas vivem no meio. Os países em desenvolvimento foram se aproximando dos industrializados.

No entanto, alguns países ficaram para trás, como Afeganistão, Congo ou Somália. Cerca de 1 bilhão de pessoas vivem em extrema pobreza.

Mais 2 bilhões de pessoas serão somadas ao mundo até 2050. Provavelmente India e China estarão entre os países mais desenvolvidos. A população dos países desenvolvidos de hoje, representarão 1/10 da população mundial em 2050, uma pequena parte.

A questão é: esse 1 bilhão de pessoas mais pobres, saírão da pobreza?

Nossa grande fraqueza é a falta de governos globais.

Nós não queremos que os países sejam pobres. Nós não queremos um mundo instável. Queremos que eles possam comprar nossos produtos e serviços, e que também nos vendam ótimas coisas que precisamos.

Em 40 anos a Ásia irá liderar a economia mundial.

Pela primeira vez na história, o mundo pode se beneficiar dos avanços tecnológicos, do planejamento familiar e os países aprendendo a se organizar para terem crescimento econômico. Os países estão se aproximando no desenvolvimento.

Temos recursos humanos suficiente, capital suficiente, possibilidades suficientes para criar um mundo bom. Então, vamos criá-lo! É possível.



Mais palestras e vídeos de Hans Rosling:

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BULLYING: Casey Heynes (Entrevista Legendada - Zangief Kid)

Veja o vídeo do Bullying:


http://www.youtube.com/watch?v=MdkrYtKeVw8


Entrevista com Casey Heynes (Zangief Kid), o pai e a irmã:

Vi no Papo de Homem


http://www.youtube.com/watch?v=s0z2zsf3Oe8


O apelido que deram de Zangief Kid para o menino, é por causa do personagem de videogame Street fighter. A imagem fala por si! :)

"Falei para me deixar em paz!"

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18.3.11

Generosidade para com o Futuro - Albert Camus

"A verdadeira generosidade para com o futuro
é dar tudo de si no presente"


(Albert Camus)


Albert Camus

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15.3.11

Ivan Illich - Sociedade sem Escolas (Deschooling Society, 1971)

Nesse post: breve história do Ivan Illich, resumo do livro Sociedade sem Escolas (Deschooling Society), posts sobre críticas à educação, resumo das idéias dele, link para os escritos/livros online.

"Boas intenções não têm muito a ver com o que estamos discutindo aqui.

Para o inferno com boas intenções. [...] Boas intenções somente não ajudam ninguém."

(Ivan Illich, trecho do discurso To Hell With Goog Intentions, na conferência para jovens americanos voluntários, 1968)


O austríaco Ivan Illich foi um ex-padre e polímata que tinha umas idéias bem interessantes (e radicais) sobre diversas áreas como educação, desenvolvimento tecnológico e econômico, fontes de energia, transportes, ecologia, medicina, trabalho...

Seus escritos explosivos foram atacados tanto pela esquerda quanto pela direita.

Sua obra mais famosa é "Sociedade Sem Escolas", onde defende a desescolarização da educação, autodidatismo e redes de aprendizado.

Ivan Illich - "Sociedade sem Escolas" - UnifespTV (3min)



Apesar de nunca ter se tornado muito conhecido, suas obras já na década de 1970 (!) antecipavam muito do que vivemos hoje: crise ambiental e energética, internet e redes sociais, mal-estar social e etc.

Criticava abertamente os malefícios da institucionalização, monopólios, commoditização e profissionalização de áreas chaves da sobrevivência humana. Desdobrou também a idéia da contraprodutividade - na qual uma instituição estimula o oposto do seu propósito.


  • Exemplo: A preocupação maior da instituição é se justificar e se perpetuar, e não extinguir aquilo que foram designadas a combater. Indústrias médicas/farmacêuticas tem mais interesse nas doenças e vender remédios do que na saúde, instituições educacionais tem mais interesse em monopollizar conhecimento e ignorância do que no aprendizado.

    Semelhante acontece na política, no sistema jurídico, e em outras áreas.
Illich também viajou grandes distâncias a pé pela América Latina e dividiu a sua vida entre os EUA, México e Alemanha. Morreu de câncer na face, o qual ele mesmo tentou tratar durante 10 anos.


Ivan IllichIvan Illich

Trecho do post Eu sou Livre, no LLL:
"Não acredito em estudo. Tirando casos óbvios, como medicina, engenharia e aviação comercial, não vejo o que alguém possa me ensinar que eu não aprenderia melhor sozinho, lendo, refletindo e praticando.

Dá pra aprender mecânica visitando oficinas ao lado de um bom mecânico. Dá pra aprender artes plásticas visitando museus e galerias com um artista.

Acredito no movimento. Não acredito que ninguém possa aprender nada sentado, calado, imóvel e passivo, ao lado de outros moscas-mortas, absorvendo como uma esponja a pseudosabedoria que um professor despeja.

O nome disso é TRANSFERÊNCIA de MEDIOCRIDADE. Obrigado, passo."

Clipe da Música "Estudo Errado" - Gabriel, o Pensador
Veja a letra da música. MUITO VERDADE!

 
http://www.youtube.com/watch?v=m08sChqOgYk

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Melhores Trechos sobre o livro "Sociedade sem Escolas":

Fonte: blog do Rafael Reinehr - Ivan Illich - Sociedade Desescolarizada
"A escola nos faz confundir processo com substância, diploma com competência, serviço com valor, fluência no falar com capacidade de dizer algo novo."

"O processo de degradação se acelera quando necessidades não-materiais são transformadas em demandas por mercadorias, quando educação ou saúde física/psicológica são definidas como resultados de serviços ou 'tratamentos'."

"Necessitamos de pesquisas sobre usar a tecnologia para criar instituições que sirvam à interação pessoal, criativa e autônoma."

"A confiança no tratamento instituicional torna suspeita toda e qualquer realização independente"

"A igualdade de oportunidades na educação é meta desejável e realizável, mas confundí-la com obrigatoriedade escolar é confundir salvação com igreja [...] com promessas férteis de salvação aos pobres da era tecnológica"

"Precisamos de uma lei que proíba toda discriminação - na contratação empregatícia, nas eleições, na admissão a centros de aprendizagem - baseada na prévia frequência a determinado curso.

Isto não excluiria a aplicação de testes de qualificação para o exercício de alguma função, mas eliminaria a absurda discriminação em favor das pessoas que conseguiram um diploma sem relação nenhuma com o trabalho concreto."

"A admissão a um programa de aprendizagem pode pressupor competência em outra habilidade, mas não deverá jamais depender do processo pelo qual tais habilidades foram adquiridas"

"Poderia ser providenciado um sistema de crédito educacional em qualquer centro de capacitação, com quantias limitadas, para pessoas de todas as idades, e não apenas para os pobres, entregue a cada cidadão ao nascer.

Para favorecer os pobres que provavelmente não usariam cedo seus subsídios anuais, poderia haver uma cláusula dispondo que haveria certas vantagens para os usuários tardios dos 'direitos' acumulados.

Esses créditos vão permitir que a maioria das pessoas adquiram as habilidades mais demandadas quando quiserem, melhor, mais rapidamente, com menor custo e menos efeitos colaterais indesejáveis do que na escola."

"Uma pessoa exercendo determinada habilidade também poderia ensiná-la. Mas os que exercem habilidades em demanda são desencorajados a partilharem essas habilidades."

"Centros de habilidades que fossem julgados pelos clientes não pelas pessoas que empregam ou pelo processo usado, mas pelos resultados, abririam oportunidades de trabalho, até mesmo para aqueles considerados, agora, inimpregáveis."

"Não há razão para que tais centros não possam estar no próprio local de trabalho, onde o empregador e sua força de trabalho fornecessem instrução, bem como empregos."

"Os instrutores tornam-se escassos por causa da crença no valor dos registros. O certificado constitui uma forma de manipulação mercadológica e é plausível apenas a uma mente escolarizada."

"A maioria dos professores de artes e comércio são menos hábeis, menos inventivos e menos comunicativos que os melhores artesãos e comerciantes."

"A maior parte das habilidades são adquiridas e aperfeiçoadas por exercícios práticos, porque implica o domínio de um proceder definido e previsto. O ensino de habilidades pode basear-se, por isso, na simulação de circunstâncias em que será usada.

Mas a educação do uso das habilidades inventivas não pode basear-se em exercícios práticos.

Deriva de uma relação entre colegas que já possuem algumas das chaves que dão acesso à informação acumulada na e pela comunidade. Baseia-se no esforço crítico dos que usam estas memórias criativamente. Baseia-se na surpresa da pergunta inesperada que abre novas portas para o pesquisador"

"A mais radical alternativa para a escola seria uma rede de serviços que desse a cada homem a mesma oportunidade de partilhar seus interesses com outros motivados pelos mesmos interesses."

"Nem a aprendizagem individual e nem a igualdade social podem ser incrementadas pelo rito escolar. Não podemos superar a sociedade de consumo sem antes compreender que a escola pública obrigatória recria tal sociedade"

"Uma vez que o autodidata foi desacreditado, toda atividade não profissional será suspeita."

Aprendemos na escola que toda aprendizagem profícua é resultado da frequência, que o valor da aprendizagem aumenta com a quantidade de insumo (input) e, finalmente, que este valor pode ser mensurado e documentado por títulos e certificados.

Na realidade, a aprendizagem é a atividade humana menos necessitada de manipulação por outros. Sua maior parte não é resultado da instrução. É, antes, resultado de participação aberta em situações significativas."

"O crescimento pessoal não é coisa mensurável. Nem pelo metro nem por um currículo, nem mesmo comparando com as realizações de qualquer outra pessoa.

Neste tipo de aprendizagem pode alguém rivalizar com os outros apenas em esforço imaginativo, seguir seus passos, mas nunca imitar seu procedimento. A aprendizagem que eu prezo é recriação imensurável."

"As pessoas que se submetem ao padrão dos outros para medir seu crescimento pessoal, não mais precisarão ser colocadas em seu lugar, elas mesmas se colocarão nos cantinhos indicados; tanto se expremerão até caberem no nicho que lhes foi ensinado e, neste mesmo processo, colocarão seus companheiros"

"As pessoas que foram escolarizadas até atingirem o tamanho previsto deixam fugir de suas mãos uma experiência incomensurável. Para elas, tudo o que não puder ser medido torna-se secundário"

"Não é preciso que se lhes roube a criatividade. Sob o jugo da instrução, desaprendem a tomar suas iniciativas e ser elas mesmas. Valorizam apenas o que já foi feito ou o que lhes é permitido fazer."

"Quando as pessoas tem escolarizado na cabeça que os valores podem ser produzidos e mensurados, dispõe-se a aceitar qualquer espécie de hierarquização. Há uma escala para o desenvolvimento das nações, outra para a inteligência dos bebês; até mesmo o progresso em prol da paz pode ser calculado pelo número de mortos."

"O resultado do processo de produção curricular assemelha-se ao de qualquer outro processo mercadológico moderno. É uma embalagem de significados planejados, um pacote de valores, um bem de consumo cuja 'propaganda dirigida' faz com que se torne vendável a um número suficientemente de pessoas para justificar o custo de produção."

"Há uma crescente concentração de capital e trabalho na grande empresa de habilitar o homem para o consumo disciplinado."

"A dissonância que caracteriza muitos jovens de hoje não é tanto de ordem cognoscitiva, mas de atitudes - um sentimento nítido sobre a que uma sociedade tolerável não se pode assemelhar. O supreendente dessa dissonância é a capacidade de um grande número de pessoas de tolerá-la."

"A capacidade de perseguir metas incongruentes requer uma explicação. Segundo Max Gluckman, todas as sociedades possuem recursos para esconder essas dissonâncias de seus membros. Sugere ele que é esta a finalidade dos ritos."

"Enquanto não estivermos conscientes do rito pelo qual a escola modela o progressivo consumidor - o principal recurso da economia - não poderemos quebrar o encanto dessa economia e formar uma nova."

"Todos os planejadores futuristas procuram tornar economicamente possível o que é tecnicamente possível, enquanto recusam encarar a inevitável consequência social: um desejo sempre mais intenso de todos homens pelos bens e serviços que permanecerão sendo privilégio de uns poucos."

"Creio que o futuro promissor dependerá de nossa escolha de uma vida de ação em vez de uma vida de consumo; do nossa capacidade de engendrar um estilo de vida que nos capacitará a sermos espontâneos, independentes, ainda que inter-relacionados, em vez de mantermos um estilo de vida que apenas nos permite fazer e desfazer, produzir e consumir - simplesmente uma pequena estação no caminho para o esgotamento e a poluição do meio-ambiente.

O futuro depende mais da nossa escolha de instituições que incentivem uma vida de ação do que do nosso desenvolvimento de novas ideologias e tecnologias."

"De um lado, o serviço é uma oportunidade ampliada dentro de limites definidos, enquanto o cliente permanece um agente livre.

As instituições do outro lado são geralmente processos de produção complexos e dispendiosos em que a maioria do esforço e gastos são feitos para convencer o consumidor de que não pode viver sem o produto ou o tratamento oferecido pela instituição.

As primeiras tendem a ser redes que facilitam a comunicação ou cooperação dos clientes que tomam a iniciativa.

Nas segundas, há a tendência de se prescrever doses cada vez maiores de tratamento quando as menores não conseguem os resultados almejados. Como podemos observar no caso das escolas, convidam compulsivamente ao uso repetido e frustram as alternativas de obter resultados semelhantes."

"A General Motors e a Ford produzem meios de transporte, mas também manipulam o gosto público de tal forma que a necessidade de transporte vem expressa como demanda por carros particulares e não por ônibus"

"O que vendem, no entanto, não são apenas carros com motores desnecessariamente grandes, artefatos supérfluos, os novos acessórios forçados. Há outros custos não mencionados abertamente ao motorista: as despesas de publicidade e vendas da corporação, combustível, manutenção e peças, seguro, interesse sobre o crédito e outros custos menos perceptíveis como perda de tempo, de paciência e perda de ar respirável em nossas cidades congestionadas."

"A rede telefônica e postal existe para servir aos que desejam usá-la, ao passo que o sistema de rodovias serve, principalmente, como acessório aos carros particulares. Os primeiros são verdadeiros serviços públicos, enquanto o último é um serviço público para donos de carros, caminhões ou ônibus. O sistema de rodovias não se torna disponível de igual maneira para quem está aprendendo a dirigir."

"A escola dá a impressão, à primeira vista, de estar aberta igualmente a todos os aspirantes. Mas, de fato, esta aberta apenas aos que constantemente renovam suas credenciais."

"As rodovias resultam de uma perversão do desejo de locomover-se que se converte em demanda por um carro particular. As próprias escolas pervertem a natural inclinação de crescer e aprender, convertendo-a em demanda pela instrução."

"A escola, fazendo com que os homens abdiquem da responsabilidade por seu crescimento próprio, leva muitos a uma espécie de suicídio espiritual."

"A alternativa radical para ocupar o tempo disponível é um campo limitado de bens mais duradouros e o acesso a instituições que podem aumentar a oportunidade e o proveito da intenção humana."

"A economia de bens duráveis é exatamente o contrário de uma economia baseada na obsolecência planejada. "

"Os bens de consumo têm que ser tais que permitam a máxima oportunidade de agir para com eles: artigos que possam ser armados pelo comprador e que possam ser recuperados e reusados pelo mesmo."

"Na escola, alunos matriculados se submetem a professores diplomados para obter também eles diplomas; ambos são frustrados e ambos responsabilizam a insuficiência de recursos - dinheiro, tempo, instalações - por sua frustração mútua."

"Pessoas quando pressionadas a especificar como adquiriram o que sabem e valorizam, prontamente admitem que o aprenderam, na maioria das vezes, fora e não dentro da escola."

"Em qualquer lugar do mundo o secreto currículo da escolarização inicia o cidadão no mito de que as burocracias guiadas pelo conhecimento científico são eficientes e benévolas."

"Em qualquer parte do mundo este mesmo currículo instila no aluno o mito de que maior produção vai trazer vida melhor. E em qualquer parte do mundo desenvolve o hábito de um consumo contraproducente de serviços e de produção alienante, com a tolerância da dependência institucional e o reconhecimento das hierarquias institucionais."

"Um bom sistema educacional deve ter três propósitos:
  • dar a todos que queiram aprender acesso aos recursos, em qualquer época de sua vida;
  • capacitar a todos que queiram partilhar o que sabem a encontrar os que queiram aprender algo deles e,
  • dar oportunidade a todos os que queiram tornar público um assunto a que tenham possibilidade de que seu desafio seja conhecido."

"Os aprendizes não deveriam ser forçados a um currículo obrigatório ou à discriminação baseada em terem um diploma ou certificado. Nem deveria o povo ser forçado a manter, através de tributação regressiva, um imenso aparato profissional de educadores e edifícios que, de fato, restringem as chances de aprendizagem do povo aos serviços que aquela profissão deseja colocar no mercado.

É preciso usar a tecnologia moderna para tornar a liberdade de expressão, de reunião e imprensa verdadeiramente universais e, portanto, plenamente educativa."

"essas novas instituições devem ser canais aos quais o aprendiz tenha acesso sem credenciais ou linhagem"

"Uma real aprendizagem. A criança se desenvolve num mundo de coisas, rodeada por pessoas que lhe servem de modelo das habilidades e valores. Encontra colegas que a desafiam a interrogar, competir, cooperar e compreender; e, se a criança tiver sorte, estará exposta a confrontações e críticas feitas por um adulto experiente e que realmente se interessa por sua formação. Coisas, modelos, colegas e adultos são quatro recursos; cada um deles requer um diferente tipo de tratamento para assegurar que todos tenham o maior acesso possível a eles."

"O que é preciso são novas redes, imediatamente disponíveis ao público e elaboradas de forma a darem igual oportunidade para a aprendizagem e o ensino."

"Quatro diferentes abordagens que permitam ao estudante ter acesso a todo e qualquer recurso educacional que poderá ajudá-lo obter suas próprias metas:
  • Serviço de consultas a objetos educacionais: que facilitem o acesso a coisas ou processos que concorrem para a aprendizagem formal.
  • Intercâmbio de habilidades: que permite as pessoas relacionarem suas aptidões, dar as condições mediante as quais estão dispostas a servir de modelo para outras que desejem aprender essas aptidões e o endereço em que podem ser encontradas.
  • Encontro de colegas: que possibilite as pessoas descreverem a atividade de aprendizagem em que desejam engajar-se, na esperança de encontrar um parceiro para essa pesquisa.
  • Serviço de consultas a educadores em geral: que podem ser relacionados num diretório dando o endereço e a autodescrição de profissionais, não-profissionais, free-lancers, juntamente com as condições para ter acesso a seus serviços. Tais educadores, como veremos, podem ser escolhidos por votação ou consultando seus clientes anteriores."

"Uma forma bem mais radical seria criar um 'banco' para intercâmbio de habilidades. Cada cidadão receberia um crédito básico para aquisição de habilidades fundamentais. Além desse mínimo, ulteriores créditos iriam para aqueles que os ganhassem ensinando.

Somente os que tivessem ensinado outros por um período de tempo teriam direito a reclamar o tempo equivalente de professores mais adiantados. Surgiria uma elite totalmente nova, uma elite que obteria sua educação partilhando-a."

"Um bom enxadrista fica sempre feliz ao encontrar um bom adversário, da mesma forma um noviço ao encontrar outro. Os clubes servem a esta finalidade.

As pessoas que desejam discutir determinados livros ou artigos, provavelmente pagariam para encontrar parceiros. As pessoas que desejam jogar, fazer excursões, construir tanques de peixes ou motorizar bicicletas andariam grandes distâncias para encontrar parceiros. Sua recompensa seria encontrar esses parceiros.

As boas escolas tentam descobrir os interesses comuns de seus alunos matriculados no mesmo curso. O contrário de escola seria uma instituição que aumentasse as chances de as pessoas que, em dado momento, compartilharam o mesmo interesse específico, pudessem encontrar-se - não importa o que mais tenham em comum."

"O ensino de habilidades é uma repetição contínua de exercícios e é tremendamente monótona para os alunos que mais o necessitam. O intercâmbio de habilidades precisa de dinheiro, crédito ou outros incentivos palpáveis para funcionar.

O sistema de encontro de parceiros não precisa desses incentivos, precisa apenas de uma rede de comunicação. Em muitos casos, fitas, sistemas eletrônicos de informação, instrução programada, reprodução de formas e sons reduzem a necessidade de recorrer a professores humanos; aumentam a eficiência dos professores e o número de habilidades que alguém pode aprender durante a vida."

"Uma rede de encontros de parceiros, publicamente mantida, seria a única maneira de garantir o direito à livre reunião e de treinar o povo no exercício dessa atividade cívica mais fundamental."

"Desescolarizar significa abolir o poder de uma pessoa de obrigar outra a frequentar uma reunião. Também significa o direito de qualquer pessoa, de qualquer idade ou sexo, convocar uma reunião."

"Numa sociedade desescolarizada, os profissionais já não poderão exigir a confiança de seus clientes, baseados no seu diploma, ou confirmar sua reputação remetendo a outros profissionais que certifiquem a escolarização dos primeiros.

Em vez de confiar em profissionais, deveria ser possível, a qualquer tempo e para qualquer cliente potencial, consultar outros clientes de determinado profissional para ver se estavam satisfeitos com ele."

"A revolução educacional deve ser orientada por certos objetivos:
  • Liberar o acesso às coisas, abolindo o controle que pessoas e instituições agora exercem sobre seus valores educacionais.
  • Liberar a partilha de habilidades, garantindo a liberdade de ensiná-las ou exercê-las quando solicitado.
  • Liberar os recursos críticos e criativos das pessoas, devolvendo aos indivíduos a capacidade de convocar e fazer reuniões - capacidade esta sempre mais monopolizada por instituições que dizem falar em nome do povo.
  • Liberar o indivíduo da obrigação de modelar suas expectativas pelos serviços oferecidos por uma profissão estabelecida qualquer - oferecendo-lhe a oportunidade de aproveitar a experiência de seus parceiros e confiar-se ao professor, orientador, conselheiro ou curador de sua escolha."

"A desescolarização da sociedade inevitavelmente tornará imprecisa a distinção entre economia, educação e política sobre a qual repousa a estabilidade da atual ordem do mundo e a estabilidade das nações."
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Ivan Illich
Resumo das idéias de Ivan Illich

Fonte: Vi em um blog que gosto muito - How To Save The World, do Dave Pollard.

O argumento anti-institucional de Illich pode-se dizer que possui 4 aspectos:

1. Crítica ao processo de institucionalização. As sociedades modernas aparecem para criar mais e mais instituições - e grandes áreas da maneira como vivemos nossas vidas tornam-se institucionalizados.

Esse processo fragiliza as pessoas - isso diminui a sua confiança em si mesmas, e na sua capacidade de resolver problemas.

Ele mata convívio [social, sociável, alegre]. Instituições criam necessidades e controlam as satisfações dela, e assim tornam o ser humano em objetos e matam sua criatividade.

2. Crítica aos especialistas e à profissionalização. Foi definida no livro Desativando Profissões (Disabling Professions) e na sua exploração da expropriação da saúde no livro Nêmesis da Medicina (Medical Nemesis).

A instituição médica tem se tornado uma grande ameaça para a saúde. Obscurece as condições políticas que tornam a sociedade insalubre, e tende a expropriar o poder dos indivíduos para se curar e moldar o seu ambiente.

Especialistas tendem a formarem "cartéis" pela "criação de barreiras institucionais". Os especialistas decidem que conhecimento é válido e legítimo, e como a sua aquisição é sancionada.

Illich disse: "Chegou a hora de tirar das mãos do médico a seringa, como se tirou a pena das dos escritores durante a Reforma.

A maioria das doenças que temos hoje em dia podem ser diagnosticadas e tratadas por pessoas comuns.

Para a maioria essa declaração é muito difícil de ser aceita, porque a complexidade do ritual médico lhes ocultou a simplicidade de seus próprios instrumentos básicos..."


3. Crítica à commoditização. Os profissionais e as instituições tendem a definir uma atividade em que trabalham, por exemplo a aprendizagem, como uma mercadoria (educação), cuja produção eles monopolizam, cuja distribuição restringem, e cujo preço se elevar além da renda do cidadão comum.

Escolarização - A produção de conhecimento, a mercadorização desse conhecimento. A escola leva a sociedade a acreditar que esse conhecimento é higiênico, puro e respeitável, produzido por mentes humanas e disponível no estoque.

Tornando obrigatória a escola, as pessoas são educados a acreditar que o indivíduo auto-didata é deve ser discriminado, que o aprendizado e o crescimento da capacidade cognitiva requerem um processo de consumo dos serviços apresentados em uma forma industrial, planejada, forma profissional, que a aprendizagem é uma coisa, em vez de uma atividade.

Uma coisa que pode ser acumulada e medida, cuja posse é a medida da produtividade do indivíduo dentro da sociedade, ou seja, do seu valor social.

Aprendizado torna-se uma mercadoria e, como qualquer mercadoria que é comercializada, precisa ser "escassa" para aumentar seu valor.

É uma crítica às sociedades industriais modernas nos orientam em direção do "ter, acumular" - onde as pessoas se concentram e se organizam em torno da posse de objetos materiais.

Abordam a aprendizagem como uma forma de aquisição. O conhecimento torna-se uma posse, a ser explorada, em vez de um aspecto do ser no mundo.

4. O princípio da Contraprodutividade. É o meio pelo qual um processo benéfico é transformado em um negativo. Depois que atinge certo limiar, o processo de institucionalização se torna contraproducente.

É uma idéia que Illich aplica a diferentes contextos. Por exemplo, com relação a viagens, ele argumenta que, além de uma velocidade crítica, "veículos motorizados criam o distanciamento que só eles podem encolher".

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Trechos de seu livro de 1975 "Ferramentas para o convívio" (Tools for Conviviality), sobre como resolver a crise ambiental:

Convívio, Ivan Illich argumentava, envolve "a relação autônoma e criativa entre as pessoas e as relações das pessoas com seu meio ambiente".

Três tendências têm sido realmente identificadas, que tendem a perturbar o equilíbrio entre o homem e o ambiente:
  • Superpopulação: torna as pessoas mais dependentes de recursos limitados.
  • Consumo excessivo: compele cada pessoa a usar mais energia.
  • Tecnologias Ineficientes: que tem baixo aproveitamento de energia, alto custo e efeitos colaterais indesejados.
Apenas duas questões centrais devem ser discutidos:

(1) Para decidir qual fator ou tendência degradou o ambiente mais , e que vai impor o fator de maior pressão sobre o ambiente durante os próximos anos

(2) Para decidir qual fator merece mais atenção, porque podemos de alguma forma, reduzir ou invertê-lo.

A honestidade exige que cada um de nós reconheça a necessidade de limitar a procriação, o consumo e o desperdício, mas também temos de reduzir radicalmente nossas expectativas de que as máquinas vão fazer todo o trabalho para nós e de que professores nos farão aprender ou de que terapias nos tornarão saudáveis.

Devemos encarar o fato de que o desequilíbrio entre o homem e o meio ambiente é apenas uma de várias distorções que se reforçam mutuamente, cada uma distorcendo o equilíbrio da vida em uma dimensão diferente.

Nesta perspectiva, a superpopulação é o resultado de uma distorção no balanço da aprendizagem, o consumismo é o resultado de um monopólio radical sobre os valores institucionais sobre valores pessoais e tecnologia ineficiente é consequência de uma transformação de meios em fins.

Burocraticamente garantida a sobrevivência em tais circunstâncias, a expansão da economia industrial para o ponto onde um sistema de planejamento central de produção e reprodução é identificada com a evolução guiada à Terra.

Se essa solução torna-se uma mentalidade industrial geralmente aceita como a única forma de preservar um ambiente viável, a preservação do meio físico pode ser a justificativa para um Leviatã burocrático com alavancas que regulam os níveis de reprodução humana, a expectativa, a produção e o consumo.

A crença na possibilidade desse desenvolvimento, se baseia em uma suposição errônea, como disse Marcuse em "O homem unidimensional ", a conquista histórica da ciência e da tecnologia tornou possível a conversão dos valores em funções técnicas - a materialização de valores. O que está em jogo é a redefinição dos valores.

Envolvido em um ambiente físico, social e psicológico de sua própria criação, o homem está se tornando um prisioneiro no reservatório de tecnologia, incapaz de encontrar novamente o ambiente antigo para o qual foi adaptado por centenas de milhares de anos.

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Seria o problema com a maioria das soluções para nossas crises atuais, que são de base institucional, quando o que é necessário, seriam soluções orgânicas não-institucionais?

Em vez de estarmos obcecados com "construir algo melhor" deveríamos antes focar antes nas "ferramentas de desconstrução" que nos libertará das instituições, sistemas de governo e empresarial?

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Uma frase do grande Buckminster Fuller:


"Você nunca mudará as coisas lutando com a realidade existente.

Para mudar algo, construa um novo modelo que torne obsoleto o modelo existente.

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Ivan Illich

Posts aqui no blog sobre educação:


Para descontrair:
YouTube - Prof. Gilmar dá esporro em aluno (Bando de badernista)




Leia online a principal obra de Ivan Illich:

Ivan Illich - Sociedade Sem Escolas (Deschooling Society)

Outros escritos/obras dele. Fonte: Ivan Illich Archives

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11.3.11

Mundo ao Avesso - Eduardo Galeano



Vi no blog do Rafael Reinehr.

"Caminhar é um perigo e respirar é uma façanha nas grandes cidades do mundo ao avesso.

Quem não é prisioneiro da necessidade é prisioneiro do medo: uns não dormem por causa da ânsia de ter o que não têm, outros não dormem por causa do pânico de perder o que têm.

O mundo ao avesso nos adestra para ver o próximo como uma ameaça e não como uma promessa, nos reduz à solidão e nos consola com drogas químicas e amigos cibernéticos.

Estamos condenados a morrer de fome, morrer de medo ou a morrer de tédio, isso se uma bala perdida não vier abreviar nossa existência."

"O mundo ao avesso nos ensina a padecer a realidade ao invés de transformá-la, a esquecer o passado ao invés de escutá-lo e a aceitar o futuro ao invés de imaginá-lo: assim pratica o crime, assim o recomenda.

Em sua escola, escola do crime, são obrigatórias as aulas de impotência, amnésia e resignação."


- Eduardo Galeano, "De Pernas para o Ar - A Escola do Mundo ao Avesso"

Veja também:

▶ Eduardo Galeano • Sangue Latino - YouTube



▶ Eduardo Galeano en la #acampadaBCN em portugues - YouTube


 

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