30.10.14

Filme Anarquista "A Febre do Rato" (2011)


Filme nacional vencedor de 8 Prêmios no festival de Paulínia/2011:
  • Melhor filme
  • Melhor ator
  • Melhor atriz
  • Melhor fotografia
  • Melhor montagem
  • Melhor trilha sonora
  • Melhor direção de arte
  • e Prêmio da crítica.

E se eu fosse um dos jurados, dava todos esses prêmios... e mais os que tivessem lá.

Os atores mandam MUITO, fotografia espetacular, falas fodásticas, trilha sonora incrível... FILMÃO! =)

Dou também o prêmio Melhor Indicação, pois se não fosse a Mah falar, eu não teria assistido tão cedo... e tem tudo a ver com o que tenho lido ultimamente.



Trailer

Febre do Rato - Trailer oficial - YouTube



----------------------------------------

Trecho de uma crítica, extraída daqui Febre do Rato: Criticas AdoroCinema

 Febre do rato é uma expressão típica do Nordeste, que significa estar fora de controle. Metáfora apenas aparente para Zizo, personagem principal de Febre do Rato, o filme. Poeta por vocação, ele dedica a vida à publicação de seu jornaleco, cujo nome é o mesmo do título. O objetivo é expor suas ideias, repletas de propostas anárquicas que valorizam o livre arbítrio das pessoas, sem se prender às amarras morais impostas pela vida civilizada. Quem não conhece o mundo de Zizo pode imaginar que ele esteja com a febre do rato, ou seja, fora de controle. Só que a verdade é justamente o oposto.

----------------------------------------


 

0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

Romance Anarquista "O Coiote" - Roberto Freire

Curti DEMAIS! =)


Combina vários dos meus interesses - Wilhelm Reich, Jimi Hendrix, grupos auto-geridos, cooperativismo, pós-industrialismo, amores libertários, a paisagem de Visconde de Mauá, vida sustentável, realização pela livre expressão da minha individualidade e capacidade, Tesão pela Vida, etc, etc, etc.

Doideira, Doideira esse livro! Causa desconforto e encantamento, estranheza e atração... hummm tipo estar apaixonado saca? É! O livro me pegou =)

Não vou conseguir falar muito do impacto do livro sobre mim, porque ainda está reverberando na caxola, precisaria esperar assentar, mas a ansiedade em compartilhar por aqui é sempre imediata e arrebatadora, melhor obedecer né :-P

Fiz uma sinopse (essa palavra vale só pra filme, ou pra livro também?) misturando com a descrição que vi no site somaterapia.com.br

Dr. Rudolf, psiquiatra e psicanalista, assina sua própria internação em um sanatório, conhece lá a atriz Leonora, suposta amante do antipsicanalista Wilhelm Reich (ex-discípulo de Freud) que apresenta-lhe novos e revolucionários métodos de terapia corporal. Conhece também um rapaz extraordinário, uivando em seu sítio em Mauá, apelidado de Coiote, que desencadeia uma aventura de conseqüências imprevisíveis, com novas e utópicas formas de vida comunitária anarquista. Entre a hipocrisia das relações sociais e a violência dos mecanismos de repressão, investigações sobre esquizofrenia e a causa fundamental das neuroses, desenvolve-se uma história de amores libertários – ora impossíveis, ora furiosos, ora encantatórios - com personagens incríveis e uma existência repleta de Tesão, liberando a expressão da originalidade única que habita cada um de nós e que buscará romper com as amarras internas e externas herdadas da nossa atual sociedade capitalista, industrial, antiecológica, autoritária e conservadora.

Achei o final do livro incrível! =)

Estou empolgadaço com o Betão (Roberto Freire), vamo em frente! "sempre vivos, sempre adiante, [...] Eles vão! eles vão! eu sei que eles vão, mas não sei aonde vão, mas sei que vão em busca do melhor—de algo ótimo." (Walt Whitman) =)

Terminei também o "Soma - uma terapia anarquista vol 2.", agora estou lendo "Cleo e Daniel" (que falei que não iria ler tão cedo né) e "Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu". Chegou hoje aqui em casa o último livro escrito por ele e junto com alguns de seus amigos, "O Tesão pela Vida", parece ser um apanhadão de tudo, tá com cara de ser fera.

Voltando para "O Coiote"... tem vários trechos que gostei MUITO, mas que são grandes e acho que não valem a pena fora de contexto... o importante é o espírito que o livro passa né? Ainda assim, separei alguns trechos curtos:

"A gente não sente amor ou desejo pelas pessoas. A gente sente essas coisas com as pessoas."

"Precisamos ser irreais sempre, para não morrer de realidade."

"- Tesão! Tesão, Bruxo! Coisa de gente jovem, de gente saudável, de gente alegre! Tesão é a palavra mais bonita que existe! Tem a ver com prazer, alegria e beleza ao mesmo tempo. Você não sabe o que o tesão tem a ver com o anarquismo porque você é um anarquista teórico e intelectual. [...] O tesão de viver é outra coisa! Isso é o que verdadeiramente se chama anarquismo!"

"- Cada pessoa precisa encontrar toda a capacidade de amar dentro de si mesma, sozinha.
- Então, o amor já está pronto, todo, dentro de nós mesmos.
- Quem não tem o controle de todo o seu potencial de amor, quando encontra alguém, apenas parasita o amor do outro.
- E isso não é amor...
- Não, é o contrario do amor.
- Assim, um parasita o amor do outro, para completar o amor que está lhe faltando para  viver. [...]
- Cada pessoa precisa encontrar toda a capacidade dc viver
em si mesma.
- Então, a vida está toda dentro de nós mesmos, sozinhos...
- Quem não tem o controle de todo o seu potencial de viver, quando encontra alguém parasita a vida do outro.
- E isso não é vida...
- Não, é o contrário da vida."

"Pessoalmente, não tenho projeto, porque minha ideologia é a do medo e não passo de um marginal parasita que, de repente, descobriu não estar ainda totalmente morto."

"O amor simplesmente acontece. como um raio, como um poema, como a vida, como a morte. Assim. a grandeza de uma relação depende da humildade em não se imaginar produtor, proprietário, autor, responsável do amor. Hão de viver mais profunda e intensamente o amor os que dele se sentirem apenas usuários circunstanciais, provisórios e descartáveis. Assim como se possui a luz do sol, a água do mar, o oxigênio do ar e a beleza de uma paisagem ao entardecer. [...]
Quando um amor-paixão acaba, ele não perde necessariamente a beleza e o prazer. Apenas vai do singular para o plural."

"A verdadeira genitália do homem é o corpo."

"Não vou beber mais. [...] Não tenho mais medo de viver. Não tenho mais medo do meu amor. Não tenho mais medo da minha loucura."

"Numa sociedade toda organizada em torno da luta pelo poder, quando a vida social se transforma em luta pelo prazer... já pensou, querido? Veja se me entende: para que a vida seja luta pelo poder, é preciso que todo mundo faça isso, porque assim os mais poderosos sempre ganham, com dinheiro, violência, armas, etcétera, entende? Agora, se um grupo grande, como a juventude, por exemplo, não vai nessa, quando descobre que não há prazer algum no trabalho, na guerra, na burocracia, na submissão, no uso da força bruta, nas armas, no dinheiro, no consumo... É uma ousadia imensa, imperdoável!"

"Não esquenta. Sou apenas uma coisa que ainda não deu certo."



3 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

28.10.14

Little Wing e Castles Made of Sand - Jimi Hendrix

Viciado nessa música Little Wing! Meu quarto gira, gira, gira... pro espaço ouvindo essa música!  pena que ela é curtinha... gosto de emendar com Castles Made of Sand =)

The Jimi Hendrix Experience - Little Wing - YouTube



Jimi Hendrix - Castles Made of Sand - Sub Ingles Español - YouTube



 

1 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

A Arte Melancólica de Edward Hopper

"Se eu pudesse expressar com palavras, não haveria razão para eu pintar"

- Edward Hopper












Edward Hopper

0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

24.10.14

Expansion - Escultura de Paige Bradley

Obra incrível da escultora americana Paige Bradley.

0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

As Obras Pós-Modernas do Arquiteto Frank Gehry

"Deixem-me dizer-lhes uma coisa. No mundo em que vivemos, 98% do que se constrói e do que se desenha é pura merda. Não há sentido no desenho, nem respeito pela humanidade, nem por nada.

De vez em quando há um pequeno grupo de pessoas que fazem algo especial. Não peço trabalho. Não tenho publicitários. Não estou à espera que me chamem. Trabalho somente com clientes que respeitam a arte da arquitetura. Por isso, não façam perguntas estúpidas como essa."

- Frank Gehry, respondendo e mostrando o dedo do meio ao jornalista que o questionou sobre se suas obras são arquitetura-espetáculo.

0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

23.10.14

Livro "O Tesão e O Sonho" - Roberto Freire




Livro lindo. Tô fissurado, obcecado, pelo Roberto Freire (não o político, credo, o escritor).

Roubando a descrição do site somaterapia.com.br :

Psicólogo cansado de atender burgueses resolve escrever um livro que aborda momentos decisivos na vida dos jovens. Numa trama instigante, trechos de cartas de um ex-paciente entremeiam a narrativa do terapeuta, que retrata o Brasil das classes alta, média e baixa. O enredo permite discutir temas importantes, como o exercício democrático do debate e a busca da identidade.

O livro é super curto (140 páginas) mas toca em diversos assuntos: psicologia, política, desigualdade social, amor, sexo, juventude, casamento, ter filhos, relações familiares, doença, mar e natureza, esportes, velhice, trabalho, engajamento, grupos, dúvidas, liberdade, sinceridade, amizade... é dica certeira para quem tem entre 16 e 17 anos, vai na minha que é sucesso!

Grifei diversas passagens, mas não vou conseguir transcrever agora.. teoricamente, era para eu estar dormindo há 5 horas atrás... e tô na fissura de ler o começo do "O Coiote"... aí preciso tentar dormir um pouco. Gosto de horário de verão, mas atrapalha meu sono. Quando eu arrumar um tempinho extra, eu publico trechos que mais gostei por aqui. ;)



Veja também:

0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

Tributo Led Zeppelin - Stairway to Heaven

Tributo feito em 2012 ao Led Zeppelin no Kennedy Center (Washington), com Ann e Nancy Wilson do Heart, e na bateria, o filho Jason Bonham do baterista original John (que já faleceu).

Os olhos do Robert Plant e o Jimmy Page enchem d'água... Performance fantástica! =)

"Oh, it makes me wonder..." :)

▶ HEART - STAIRWAY TO HEAVEN in HD - The Kennedy Center Honors LED ZEPPELIN, 2012. - YouTube



0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

20.10.14

Piece of my Heart - Janis Joplin

Essa música é muito massa! =)

▶ JANIS JOPLIN Piece of my Heart + Lyrics - YouTube

0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

14.10.14

Livro "Utopia e Paixão - A Política do Cotidiano", Roberto Freire e Fausto Brito

Não consegui frear minha curiosidade e fui de cabeça nos livros do Roberto Freire.

Li esse "Utopia e Paixão - A Política do Cotidiano", terminei também o "SOMA - uma terapia anarquista vol. 3", que é um resumo sobre a Somaterapia... só depois vi que era o mesmo texto do apêndice do livro "Eu é um outro".

Os próximos da minha lista ler-urgente são "SOMA - uma terapia anarquista vol. 2", "Coiote", "O Tesão e o Sonho" e "Pedagogia Libertária".

"Cléo e Daniel" deve ser muito massa, mas aí vai ter que ficar mais para frente... :-/


Sinopse do Livro
(para não perder tempo, fiz uma mistureba
do que tinha no livro e no site somaterapia.com.br)


O livro é fruto das reflexões gravadas entre os autores num momento em que Roberto Freire encontrava-se temporariamente cego. Lançando mão de suas ferramentas de trabalho — a psicologia, a pedagogia, a sociologia e, sobretudo, suas paixões e utopias - Roberto e Fausto procuram compreender e curtir o mundo pela dinâmica do cotidiano,  onde, acreditam, poderá haver uma verdadeira revolução.

Os autores questionam o autoritarismo que permeia o conjunto das relações sociais, a família, as relações afetivas, a escola, os meios de comunicação de massa, o Estado e os partidos políticos. A despolitização das relações sociais e vivência da política sem paixão são identificados como os alicerces do autoritarismo. E propõem uma política do cotidiano com forma de escapar das contradições e descaminhos da política tradicional.


Trechos que gostei muito:

Não há nada mais incômodo, desagradável e pertubador para uma sociedade autoritária e sob a ideologia do sacrifício, do que um homem alegre. A alegria é uma agressão e ofende porque provoca inveja e rompe pactos de mediocridade. O homem saudável é um revolucionário e alegre.

Não temos conhecimento de que a liberdade já tenha sido conquistada de geral para o particular, do social para o pessoal. O que a história mostra é exatamente o contrário. E isso é fácil de entender. Por que ser livre, para nós, parece um ato essencialmente de insubmissão e de afirmação da originalidade única da pessoa. A única liberdade que nos serve é a que conquistamos, não a que nos doam, vendem ou emprestam. Só podemos ser livres ás nossas custas. Podemos conquistar juntos a liberdade, mas vamos usá-la cada um a seu jeito.

Mais ainda: a busca da liberdade é algo permanente, sua conquista é incessante. suas razões mudam com o tempo, assim como os que pretendem impedir a realização da liberdade de cada um ou de todos.

Ser livre agora não garante, pois, que sejamos amanhã. Ser livre é um processo contínuo de ir a luta para garantir as conquistas já feitas e ampliá-las. É isso mesmo o que parece ser nossa liberdade: uma conquista, nunca um direito assegurado.

Não há dilema existencial para quem vive o aqui e agora. A tendência a nos evadirmos do espaço e tempo em que estamos inseridos é enorme. Recusamos o que temos, o que somos e onde estamos sem criar algo novo, sem a aventura de novos caminhos a não ser em fantasias. Somos deste mundo, deste lugar, mas acabamos morando em um castelo imaginário – construído pelas nossas frustações e pela incapacidade de mudar a rota de nossas vidas. O que fazemos (os papéis não nos gratificam) não correspondem à nossa espontaniedade.

Há uma questão delicada, mas cuja dimensão é imprescindível: a necessidade da ordem. Ela é necessária, não como imposição externa mas como algo que vem de dentro, ou seja, uma ordem que possibilite o exercício da criatividade, da espontaneidade. Pode ser anárquica, não preestabelecida, pode ser uma ordem em permanente mutação, surgindo sempre renovada no próprio exercício da descoberta dos melhores caminhos da liberação individual e da libertação coletiva.

Mas para encontrar uma ordem assim necessária, exigem-se lideranças. E esta é outra questão extremamente controvertida e nada tem a ver com o autoritarismo inerente ao conceito de vanguarda, tão comum entre as esquerdas. A liderança tem de ser espontânea, emergente, surgida no meio social apenas para ajudar o grupo a resolver dificuldades. A única liderança necessária é a espontânea e não pode ser forjada pela vontade autoritária de ninguém. Surge numa hora certa para desempenhar determinada função. Liderar é uma questão de originalidade e criatividade específicas. Nenhuma liderança pode se cristalizar. O motorista de táxi lidera nossas ações até o fim do itinerário. Depois, está dispensado.

Conforme as necessidades da vida social, surgem outras lideranças adequadas às novas situações. As lideranças são sucessivas, alternam-se em função da alternância de situações e crises, devem estar sempre disponíveis e, naturalmente, são descartáveis.  Liderança é um tipo de especialização provisória. Algumas pessoas estão mais habituadas a resolver determinado tipo de problema devido às características de suas personalidades ou em função de algum treinamento. Liderar significa servir, não comandar. Dá prazer, mas não oferece nenhuma sensação de poder. Prazer de desatolar um carro e não de possuí-lo.

O perigo está no autoritarismo e ele começa quando as lideranças se cristalizam, ultrapassando os limites do necessário, impondo-se, estabelecendo relações de dominação. Nesta perspectiva, a liderança para nós não é o que conduz, mas o que catalisa. Mais ainda: ela é mutante, passageira, jamais vai se institucionalizar. Ninguém poderá dizer assim: nesse grupo o líder é fulano. Depende do problema em questão e da situação do grupo liderança não é onipotência nem onipresença. É apenas um ato de amor e de sobrevivência comuns, como o dos bombeiros, porque são pagos para isso, ou dos sandinistas, porque acabaram com Somoza a todo preço. Liderança heróica, do tipo intelectual histórica, sempre deu em ditadura e mais repressão sobre o povo, o que chamamos de fascismo romântico.

Para implantar uma política do cotidiano é preciso que as pessoas se protejam do autoritarismo externo e do já interiorizado, que é secundário mas tão violento como o primeiro.

Mas como conseguir transformar essas estratégias individuais de liberação do autoritarismo em movimentos coletivos? Não se trata de desenvolver uma profilaxia somente no sentido de evitar os males do autoritarismo. Muito pelo contrário, trata-se de estimular a liberação. Em outras palavras: estamos mais interessados em estimular a saúde do que em evitar as doenças

Na verdade, temos então de encontrar uma pedagogia alternativa, mas não somente para experimentá-la em grupos terapêuticos ou em salas de aula. Temos de pensar em movimentos sociais articulados a partir de uma pedagogia realmente libertária. Assim também podemos repensar todas as instituições consideradas políticas, convencionalmente ou não. O sindicato, por exemplo, uma instituição indiscutivelmente fundamental, pode perfeitamente funcionar sob a base de uma pedagogia libertária, isto é, fundada no antiautoritarismo e na autogestão. Não precisamos fugir das chamadas instituições políticas convencionais, enquanto não as pudermos destruir, mas podemos semear dentro delas o germe do antiautoritarismo, independente das contradições que isso possa gerar.

Devemos levar em conta que a maior parte da população não consegue ainda a satisfação de suas necessidades básicas no plano material, isto é, alimentação, habitação, saúde etc. Ao mesmo tempo, sabemos que algumas experiências sociais, entre as quais destacam-se as de alguns países socialistas, não transformaram as classes antes desfavorecidas em libertárias, ou seja, em busca permanente da liberação individual dentro da libertação coletiva.

É trágico observar que nas experiências socialistas o Estado deu algumas das condições básicas de sobrevivência mas cobrou um preço altíssimo por isso: a submissão da sociedade ao Estado. Dava-se o básico, mas se impedia a conquista do essencial.

Através de mecanismos psicológicos de projeção e identificação, a pessoa que tem sua liberdade (originalidade, espontaneidade, criatividade) bloqueada por processos autoritários familiares e pedagógicos de natureza política, passa a viver como um parasita da liberdade da pessoa que mitifica. Para que a pessoa acredite em um mito é preciso que haja nela a ausência de crítica e autocrítica. O que freqüentemente se observa na mitificação é a progressiva perda de identidade da pessoa e o aparecimento das danosas conseqüências emocionais e psicológicas para a sua personalidade.

Na sociedade de consumo e nos Estados autoritários, a criação de mitos artísticos, esportivos e políticos é uma forma importante de exercer controle sobre as massas. Em resumo: a idolatria, a mitificação, são mistificações alienantes, visando abolir, diminuir e anestesiar a originalidade das pessoas, tornando-as menos críticas e mais indefesas em relação aos processos políticos de dominação autoritária.

Os meios de comunicação de massa, a TV em particular, são programados como poderosos meios de controle social, estimulando não só a desinformação — o que é óbvio pelos noticiários — mas também produzindo alienação através do falso real, como o das novelas, por exemplo.

O que Freud chamou de instinto de morte é algo que existe, evidentemente. Mas não é instinto e sim uma manifestação agressiva que surge em função das dificuldades de realização pessoal no meio social e dos defeitos da organização social. Se o homem for liberto, estiver liberto, ele vai funcionar bem, acionado pelo instinto de vida, o único realmente primário no homem.

Na verdade, o perigo está no homem reprimido. É a repressão que produz, secundariamente, a necessidade de morte, de destruição, o descontrole, o caos. A liberação produz o contrário: o prazer, a necessidade do outro, a agressividade necessária não à destruição, mas à realização da espontaneidade.


"É chegado o momento de acrescentarmos ao tempo e ao espaço mais uma dimensão fundamental à vida no Universo: o Tesão, o estar física e emocionalmente em prontidão, alertas, atentos, disponíveis, sintonizados, sensibilizados, sensorializados, sensualizados a todos os estímulos internos e externos da vida cotidiana [...]

na sociedade burguesa os mortos comandam os vivos, num processo de desvivência progressiva, contra o qual, nós, os que optamos pela ideologia do tesão, temos de nos insurgir [...]


é a principal arma que dispomos para lutar contra todas as tentativas de nos imporem as dependências, as limitações e as culpas [...]"

- Roberto Freire, livro "Sem Tesão Não Há Solução"

Veja também:

0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

7.10.14

Livro "Eu é um Outro" - Autobiografia de Roberto Freire

Após ler o Livro "Sem Tesão não há Solução", o "Ame e Dê Vexame", assistir a entrevista do Roberto Freire no Provocações e o documentário sobre a Somaterapia.... fiquei pilhado para ler sua autobiografia "Eu é um Outro".


O livro é sensacional, como eu esperava, fala das experiências na infância, depois, como estudante de medicina, sobre seu amor pela primeira esposa, a ida para a França, o mergulho no teatro, conflitos internos com a vida profissional, o contato com a psicanálise, mais conflitos, anarquismo, jornalismo, ditadura, torturas, divórcio...

a descoberta do psicanalista dissidente Wilhelm Reich, as terapias de grupos e corporais, a Gestalt-terapia, a Antipsiquiatria, grupos auto-geridos, capoeira angola, pedagogia libertária...

e a elaboração da Somaterapia, que trabalha o indivíduo como um ser de mente-corpo indivisível e incorpora contribuições de tudo o que foi mencionado. Diz que sua terapia não é para adequar pessoas ao sistema, mas sim dar-lhes condições de lutar por uma vida mais livre e aberta.

do site www.somaterapia.com.br :

"A maior originalidade da Soma vem daí: terapia como afirmação de si, em que o prazer e a liberdade são antídotos para combater a neurose gerada pelas relações sociais hierarquizadas."

"a ideologia do prazer como arma revolucionária de combate ao sacrifício imposto pelas sociedades autoritárias e hierárquicas."

O livro tem vários trechos fantásticos, com suas idéias ousadas, histórias emocionantes, pessoas incríveis, e como não podia faltar... grandes paixões e amores libertários.

Ando MUITO sem tempo, mas estou pilhadaço para ler outros livros do Roberto Freire (e do Gaiarsa também). Aos poucos, vou publicando os trechos que mais gostei por aqui. ;)

Vamos ver onde isso vai dar né :-P

Por enquanto, alguns links sobre Roberto Freire e a Somaterapia:

Documentário Somaterapia parte 1 de 5 - O que é?
(as partes 3 e 5 são EXCELENTES!)



▶ Documentário Soma - uma terapia anarquista Completo - YouTube



▶ Entrevista - Provocações - Roberto Freire - YouTube



Mais um Entrevista com Roberto Freire



------------------------------------------------------------
Mais links:

0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

6.10.14

POLÍTICA NÃO É FUTEBOL

Informe-se nas melhores fontes que puder, troque idéias de forma construtiva, vá além do superficial, avalie diversos lados, tome decisão de forma consciente.

“Seja a mudança que você quer ver no mundo” — Gandhi

“O problema do mundo é que tolos e fanáticos estão sempre cheios de certezas enquanto os sábios estão sempre cheios de dúvidas” — Bertrand Russell

“Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a razão” — Fernando Pessoa


0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us

O que é tristeza pra você? - Hélio Leites

Um dos vídeos do projeto "O que é tristeza para você". Muito bacana.


0 comentários

Gostou? Compartilhe:
TwitterStumbleupondel.icio.us
Blog Widget by LinkWithin