30.10.14

Romance Anarquista "O Coiote" - Roberto Freire

Curti DEMAIS! =)


Combina vários dos meus interesses - Wilhelm Reich, Jimi Hendrix, grupos auto-geridos, cooperativismo, pós-industrialismo, amores libertários, a paisagem de Visconde de Mauá, vida sustentável, realização pela livre expressão da minha individualidade e capacidade, Tesão pela Vida, etc, etc, etc.

Doideira, Doideira esse livro! Causa desconforto e encantamento, estranheza e atração... hummm tipo estar apaixonado saca? É! O livro me pegou =)

Não vou conseguir falar muito do impacto do livro sobre mim, porque ainda está reverberando na caxola, precisaria esperar assentar, mas a ansiedade em compartilhar por aqui é sempre imediata e arrebatadora, melhor obedecer né :-P

Fiz uma sinopse (essa palavra vale só pra filme, ou pra livro também?) misturando com a descrição que vi no site somaterapia.com.br

Dr. Rudolf, psiquiatra e psicanalista, assina sua própria internação em um sanatório, conhece lá a atriz Leonora, suposta amante do antipsicanalista Wilhelm Reich (ex-discípulo de Freud) que apresenta-lhe novos e revolucionários métodos de terapia corporal. Conhece também um rapaz extraordinário, uivando em seu sítio em Mauá, apelidado de Coiote, que desencadeia uma aventura de conseqüências imprevisíveis, com novas e utópicas formas de vida comunitária anarquista. Entre a hipocrisia das relações sociais e a violência dos mecanismos de repressão, investigações sobre esquizofrenia e a causa fundamental das neuroses, desenvolve-se uma história de amores libertários – ora impossíveis, ora furiosos, ora encantatórios - com personagens incríveis e uma existência repleta de Tesão, liberando a expressão da originalidade única que habita cada um de nós e que buscará romper com as amarras internas e externas herdadas da nossa atual sociedade capitalista, industrial, antiecológica, autoritária e conservadora.

Achei o final do livro incrível! =)

Estou empolgadaço com o Betão (Roberto Freire), vamo em frente! "sempre vivos, sempre adiante, [...] Eles vão! eles vão! eu sei que eles vão, mas não sei aonde vão, mas sei que vão em busca do melhor—de algo ótimo." (Walt Whitman) =)

Terminei também o "Soma - uma terapia anarquista vol 2.", agora estou lendo "Cleo e Daniel" (que falei que não iria ler tão cedo né) e "Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu". Chegou hoje aqui em casa o último livro escrito por ele e junto com alguns de seus amigos, "O Tesão pela Vida", parece ser um apanhadão de tudo, tá com cara de ser fera.

Voltando para "O Coiote"... tem vários trechos que gostei MUITO, mas que são grandes e acho que não valem a pena fora de contexto... o importante é o espírito que o livro passa né? Ainda assim, separei alguns trechos curtos:

"A gente não sente amor ou desejo pelas pessoas. A gente sente essas coisas com as pessoas."

"Precisamos ser irreais sempre, para não morrer de realidade."

"- Tesão! Tesão, Bruxo! Coisa de gente jovem, de gente saudável, de gente alegre! Tesão é a palavra mais bonita que existe! Tem a ver com prazer, alegria e beleza ao mesmo tempo. Você não sabe o que o tesão tem a ver com o anarquismo porque você é um anarquista teórico e intelectual. [...] O tesão de viver é outra coisa! Isso é o que verdadeiramente se chama anarquismo!"

"- Cada pessoa precisa encontrar toda a capacidade de amar dentro de si mesma, sozinha.
- Então, o amor já está pronto, todo, dentro de nós mesmos.
- Quem não tem o controle de todo o seu potencial de amor, quando encontra alguém, apenas parasita o amor do outro.
- E isso não é amor...
- Não, é o contrario do amor.
- Assim, um parasita o amor do outro, para completar o amor que está lhe faltando para  viver. [...]
- Cada pessoa precisa encontrar toda a capacidade dc viver
em si mesma.
- Então, a vida está toda dentro de nós mesmos, sozinhos...
- Quem não tem o controle de todo o seu potencial de viver, quando encontra alguém parasita a vida do outro.
- E isso não é vida...
- Não, é o contrário da vida."

"Pessoalmente, não tenho projeto, porque minha ideologia é a do medo e não passo de um marginal parasita que, de repente, descobriu não estar ainda totalmente morto."

"O amor simplesmente acontece. como um raio, como um poema, como a vida, como a morte. Assim. a grandeza de uma relação depende da humildade em não se imaginar produtor, proprietário, autor, responsável do amor. Hão de viver mais profunda e intensamente o amor os que dele se sentirem apenas usuários circunstanciais, provisórios e descartáveis. Assim como se possui a luz do sol, a água do mar, o oxigênio do ar e a beleza de uma paisagem ao entardecer. [...]
Quando um amor-paixão acaba, ele não perde necessariamente a beleza e o prazer. Apenas vai do singular para o plural."

"A verdadeira genitália do homem é o corpo."

"Não vou beber mais. [...] Não tenho mais medo de viver. Não tenho mais medo do meu amor. Não tenho mais medo da minha loucura."

"Numa sociedade toda organizada em torno da luta pelo poder, quando a vida social se transforma em luta pelo prazer... já pensou, querido? Veja se me entende: para que a vida seja luta pelo poder, é preciso que todo mundo faça isso, porque assim os mais poderosos sempre ganham, com dinheiro, violência, armas, etcétera, entende? Agora, se um grupo grande, como a juventude, por exemplo, não vai nessa, quando descobre que não há prazer algum no trabalho, na guerra, na burocracia, na submissão, no uso da força bruta, nas armas, no dinheiro, no consumo... É uma ousadia imensa, imperdoável!"

"Não esquenta. Sou apenas uma coisa que ainda não deu certo."





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2 comentários:

Ingrid Viegas disse...

Onde vc achou esse livro?

Ingrid Viegas disse...

Onde vc achou esse livro?

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