30.7.15

Richard Sennett - AUTORIDADE



Neste livro, o sociólogo Richard Sennett discute nossa relação com a Autoridade, e toca em questões importantes:

- Por que continuamos nos submetendo a autoridades que consideramos ilegítimas?

- Podemos quebrar o encanto?

- Como supriremos nossa carência por amparo e lidaremos com a incerteza, sem nos submeter nem dominar
?

Sennett caracteriza a Autoridade pelas impressões de segurança, de capacidade superior de julgamento, de posição de poder desigual, impor disciplina e inspirar medo.

No entanto, nossa submissão não pode ser explicada somente por legitimidade ou medo de punição, mas por uma carência por segurança e pelo anseio de ratificar um significado maior às atividades.

No livro são mencionados:

- Weber e os tipos de autoridade (não-excludentes) - tradicional, racional/legal e carismática.

- Freud e a hipótese das imagens de força e poder dos pais serem projetadas a outras pessoas/instituições na fase adulta.

- Hegel e 4 etapas que atravessamos rumo à consciência racional sobre a autoridade e a libertação da lógica internalizada servo-mestre.

Sennett afirma que, mesmo a sociedade sendo toda interdependente, a dependência é motivo de vergonha e conflita com a carência de segurança, gerando sentimentos ambivalentes sobre a autoridade - uma coexistência de rejeição e submissão a ela.

São apresentados 3 mecanismos de rejeição que emergem com frequência e que intensificam a relação com a autoridade:

- Dependência desobediente: realiza-se transgressões e desobediências pontuais, sem romper a estrutura de dependência.

- Substituição idealizada:  a autoridade atual é pega como ponto de partida negativo, e espera-se um oposto, "positivo", que resolverá todos os problemas.

- Fantasia do desaparecimento: finge que não existe ou que vai desaparecer.


Também descreve 2 tipos de autoridade - autoridade Paternalista (responde com falso amor) e a autoridade Autônoma (responde sem amor) - e exemplifica como os mecanismos de rejeição atuam e aprisionam mais ainda autoridade e servos, além de levar a apatia e a uma perda geral de confiança.

A autoridade paternalista é um transbordamento do poder do pai nas famílias para o Estado e Empresas. Oferece uma benevolência egoísta, uma falsa promessa de amparo, que ao invés de fortalecer, cria dependência para que os subordinados atendam aos interesses da autoridade.

Metáforas usadas para dominação como "patrão/estado é seu pai" produzem uma combinação de sentidos diferentes das parte isoladas, que amplifica o poder, simplifica a realidade e embrutece a compreensão. Passar a impressão de que tudo o que a autoridade faz/diz é simples e nítido, é também  uma forma de reprimir questionamentos.

A personificação do poder pela autoridade paternalista tem a contrapartida de em meio a crises, a autoridade ser considerada pessoalmente culpada, inflamando a revolta nos subordinados.

A autoridade autônoma passa a impressão de precisar menos de outras pessoas do que precisam dela. A indiferença pode estimular um medo e reverência nos subordinados, um anseio de reconhecimento, ficamos emocionalmente dependentes e nos sujeitamos. (Exemplo: autoridade dos médicos.)

O poder exercido é mais indireto, disfarçado, se difunde por influências sem rosto ou  responsabilidade, ficando ainda mais velado pela burocracia.

O controle não mostra uma fonte direta e chega a ser internalizado/auto-infligido pelos subordinados. Eles não se sentem reconhecidos como pessoas integrais, são como cacos de seres humanos, culpam a si mesmos por sua incapacidade e a vergonha os submete.

Deuses do Mundo Moderno - Orozco


Sennett também enfatiza que as técnicas de motivação (teoria X/Y, gestão participativa, etc) não tem como objetivo dar mais qualidade de vida ao trabalhador, mas sim, obter mais produtividade e suavizar a realidade da dominação.

O trabalhador pode até ficar mais contente, porém, é uma satisfação projetada, designada. Os estímulos são dados, cabe ao trabalhador descobrir projetos e dar sentido ao poder que exercem sobre ele.

A autonomia é buscada como ideal de liberdade, mas permite apenas ser indiferente aos outros e se isolar. Do ponto de vista político, esse ideal abre caminho para o Estado, pois enfraquece o interesse de participação popular.

Sennett advoga por ideais mais sociais de liberdade. Além disso, considera que é insuficiente derrubar a figura de autoridade existente ou tirar sua legitimidade, é necessária uma desvinculação do mundo do poder.

Aqui são mencionadas as etapas identificadas por Hegel de conscientização do "servo" sobre o "mestre": estoicismo, ceticismo, consciência infeliz e consciência racional.

- na etapa do estoicismo o servo repara que o mestre necessita de seu trabalho, e não somente ele necessita do mestre.

- na etapa do ceticismo o servo passa a ver com descrença a relação de autoridade.

- na consciência infeliz o servo repara que há dentro de si um mestre e um escravo, e que reproduz esses papéis em outras situações.

- na consciência racional o servo repara que essa ambivalência existe em todas as pessoas, e então poderia se libertar dessa lógica servo-mestre.

Sennett recomenda que na desvinculação se procure avaliar a legitimidade e perceber que as diretrizes não são absolutos morais, observar como se reage e o que se é direcionado a fazer - com cuidado em não cair nos mecanismos de rejeição citados, na apatia/falta de sentido e no papel de vítima (preso à mágoa, ao ressentimento, ao que lhe foi negado) - o que mantém o poder concentrado na mão da autoridade e bloqueia a ação construtiva.

A empatia/redobramento com o opressor também é importante, imaginar como é estar no lugar dele, retirando o véu transcendente da autoridade, para quebrar o encanto e compreender que a autoridade não está em pessoas, mas se difunde por meio de convenções sociais.

Sennett reconhece que há muitas dificuldades em ampliar estes instrumentos da esfera íntima para programas políticos. Frisa a importância de tornar o poder visível e legível para o público.

Aponta os benefícios da co-gestão/auto-gestão, de se utilizar a voz ativa (para que as pessoas assumam as decisões e tornar o poder visível), buscar autonomia na execução, experimentar a troca de papéis em situações de impasse, avaliar as decisões a partir de categorias diferentes (para evitar o argumento da uniformização "é assim para todos, por que você quer ser diferente?") e discutir abertamente a questão do amparo.

Embora conflitos de poder e revéses sempre irão existir, bem como a necessidade de enfrentar a incerteza e de coordenação - não se pode cair na falta de sentido, deixar de imaginar caminhos possíveis e combater relações em que as pessoas sejam dominadas e oprimidas.

Não há conspiração (a elite não é tão talentosa), são convenções sociais compartilhadas por mestres e servos, que foram construídas pela imaginação e que podem ser alteradas. O começo é desvelar como o poder atua e submete, e como os papéis de mestre e servo se alternam, externamente e dentro de nós mesmos.




Outras Referências:

Livros

Psicopolítica - Byung Chul Han

Humilhação - Evelind Lindner

Trilogia A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura - Manuel Castells

- Sociedade em Rede vol.1
- Poder da Identidade vol.2
- Fim do Milênio vol.3

Redes de Indignação e Esperança - Manuel Castells

Communication Power - Manuel Castells

Cypherpunks - Julian Assange

TAZ - Zona Autônoma Temporária - Hakim Bay

Política do Rebelde - Michel Onfray

Utopia e Paixão - A Política do Cotidiano - Roberto Freire

Sem Tesão Não Há Solução - Roberto Freire

Livro "Gestão como Doença Social" - Vincent de Gaulejac 

A Loucura do Trabalho - Christophe Dejours

A Banalização da Injustiça Social - Christopher Dejours

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Artigos

Introdução à Vida não-facista - Foucault

Post-Scriptum sobre a Sociedade de Controle - Deleuze

Neoanarquismo - Castells

Servidão Voluntária reconsiderada - Política Radical e o problema do auto-domínio - Paul Newman

Políticas do Pós-Anarquismo - Paul Newman

Anarquismo e a política do ressentimento - Paul Newman

Prisões - Alex Castro

Entrevista com Peter Pál Pelbart



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1 comentários:

sherlina halim disse...

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