20.5.16

Karen Armstrong - A perdida arte do diálogo


"hoje em dia; a forma como falamos uns com os outros é, via de regra, extremamente agressiva [...]

nosso discurso, nosso debate, a forma como discutimos as coisas no parlamento, na mídia, no mundo acadêmico, em termos religiosos, é agressiva.

Não nos é o suficiente buscar a verdade e aprender com ela, sentimos também a necessidade de humilhar e derrotar nossos oponentes.

Um diálogo com os extremistas, isso significa que iremos derrotar eles, forçá-los a aceitarem nosso ponto de vista. Isso não é diálogo. [...]

Quando as pessoas vinham falar com Sócrates, elas sempre pensavam que sabiam exatamente do que estavam falando, mas depois de meia hora de questionamentos incessantes descobriam que nada [...] E, ao final de um diálogo socrático, segundo Platão, todos percebiam que nada sabiam.

E em um diálogo socrático, você tem que ouvir, não tem sentido entrar em diálogo, a não ser que você esteja preparado para mudar com o encontro, e isso não significa que você tem que aderir ao lado oposto, mas que algo na sua própria confiança será levemente abalado e você começará a entender o outro com maior clareza.

A gente não costuma escutar, novamente, não sei como é no Brasil, mas às vezes, quando vemos os políticos debaterem, ou um debate na televisão, e uma pessoa está falando, os outros não estão de fato escutando o que ele ou ela diz, mas sim pensando no próximo comentário brilhante que vão dizer para derrotar de vez aquela pessoa. Isso não é diálogo.

De alguma forma, quando pensamos a respeito do mundo descontente, temos que ouvir as suas histórias e, novamente, não o fazemos. [...]

Qualquer psicólogo dirá que a narração externa não é necessariamente uma expressão de precisão histórica absoluta, mas sim expressar com muita intensidade os sentimentos das pessoas, e é isso que temos que escutar: a dor, o desespero, o medo e a humilhação do outro, que talvez tenhamos causado enquanto sociedade, e deixar que isso nos transtorne, deixar que isso nos perturbe. [...]

Olhe para nossas instituições financeiras, as políticas internacionais claramente não estão funcionando, não sabemos o que fazer com o meio ambiente, precisamos esquecer a sabedoria convencional e nos dedicar a buscar uma nova solução, e isso significa que precisamos nos livrar dessa forma agressiva de falar e pensar uns sobre os outros."



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