12.5.16

Livro "Cinismo e a Falência da Crítica" - Vladimir Safatle

Esse CINISMO na Política, na mídia e nas organizações me horroriza. A crítica não tem efetividade, o diálogo não tem nem chance, resta só o rompimento e a revolta :-/

Estava caçando algo para ler sobre isso (a falsa sensação de entendimento pelo menos me acalma) e cheguei no livro do Safatle "Cinismo e a Falência da Crítica" e numa palestra dele.


Não sei se absorvi muita coisa, mas abriu o caminho um pouco. A palestra é bem legal, deu pra sacar melhor. Para quem interessar, deixo abaixo alguns trechos do livro e o link da palestra. Tem também o livro "Crítica da Razão Cínica", do Sloterdijk, que vou tentar ler depois e ver se consigo avançar mais nesse assunto ;)

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Palestra - Parte 1/10

Vladimir Safatle: "Cinismo e falência da crítica" - Parte 1 - YouTube



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Trechos do Livro:

"Durante algum tempo acreditou-se que o esgotamento de modos de pensar e de formas de vida nos levaria, necessariamente, a realidades sociais renovadas. [...] Mas o que dizer quando nenhum acontecimento vem após a crise, quando certa estabilidade parece desenhar-se em meio à desagregação [...] que teria perdido a força de instaurar novas realidades?"

"Este livro visa compreender [...] a idéia de que nossas sociedades capitalistas avançadas conseguiram organizar-se a partir de uma racionalidade cínica."

"'cinismo' é o nome correto para um certo modo de funcionamento de padrões de racionalidade em sociedades ditas pós-ideológicas"

"Há um modo cínico de funcionamento dessas estruturas que aparece normalmente em épocas e sociedades em processo de crise de legitimação, de erosão da substancialidade normativa da vida social."

"O cinismo aparece assim como elemento maior do diagnóstico de uma época na qual o poder não teme a crítica que desvela o mecanismo ideológico. Até porque, como veremos, neste ínterim, o poder aprendeu a rir de si mesmo, o que lhe permitiu 'revelar o segredo de seu funcionamento e continuar a funcionar como tal'"

"Não se trata apenas de indicar o momento em que as sociedades capitalistas começaram a passar por uma crise geral de legitimação, mas compreender como elas foram capazes de legitimar-se através de uma racionalidade cínica"

"O aspecto importante aqui é a identificação de um regime de contradição cuja denúncia não pode mais servir para desqualificar a concretização (paradoxal) da intenção."

"Lacan percebeu a tendência de generalização de modos de socialização do desejo que não operavam mais a partir dessa forma clássica do conflito, mas constituíam representações mentais 'paradoxais'. Para tanto, ele partiu da reflexão sobre a maneira como perversos organizavam sua relação com a lei social. Em razão das modificações profundas pelas quais passou a função paterna e os processos de identificação social, tal dinâmica perversa tendia a tornar-se hegemônica."

"Nós nos sentimos normalmente reconfortados com a promessa de que a verdade nos libertará [...] No entanto, o cinismo coloca-nos diante do estranho fenômeno da usura da verdade [...] uma verdade que não só é desprovida de força performativa, mas também bloqueia temporariamente toda nova força performativa."

"mesmo que haja clivagens entre a literalidade do enunciado e a posição da enunciação, essa clivagem é, tal como na ironia, claramente posta diante do Outro."

"o cínico vive da discordância entre os princípios proclamados e a prática – toda a sua sabedoria consiste em legitimar a distância entre eles"

"Uma discussão rica em consequências para tais problemas vinculados às estruturas da racionalidade cínica foi levada a cabo por Giorgio Agamben por ocasião do problema do estado de exceção [...] uma lógica na qual o ordenamento jurídico legaliza sua própria suspensão."

"o cinismo é uma contradição posta que é, ao mesmo tempo, contradição resolvida"



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